Jalapão de Bicicleta: Palmas – Ponte Alta do Tocantins – Mateiros

(FOR ENGLISH VERSION SCROLL DOWN THE PAGE)

A sensação que eu trouxe do Jalapão é de uma terra ainda intocada. Apesar de ser um deserto humano (<1hab/km2), pode-se encontrar gente muito boa que ainda preserva os mais nobres sentimentos humanos : ingenuidade, pureza, desapego, generosidade, hospitalidade, desinteresse pelo material. Acredito que este fenômeno é devido ao fato que alguns elementos degradadores da natureza humana, tão presentes nas cidades, ainda não tenham chegado por lá com tanta força. O dinheiro, o asfalto e a TV. Não há nas cidades pessoas como no Jalapão . E vice-versa. É incrivel a hospitalidade e a naturalidade dessa gente.

Moradores do Jalapão / Jalapão inhabitants

Moradores do Jalapão / Jalapão inhabitants

Diferente da grande maioria que faz esta viagem de caminhonete 4×4, eu decidi fazer o Jalapão de bike, já que a pé é impossivel devido as longas distancias entre cada atrativo. Mesmo de bicicleta precisa-se de pelo menos 10 dias.
Minha viagem praticamente não aconteceu já que, mesmo tendo comprado todos os equipamentos necessários para a bicicleta com bastante antecedência, pela internet, nada havia chegado alguns antes da data do vôo. No dia 26 de dezembro, data do embarque, chegou a bolsa para colocar a bicicleta dobrada dentro do avião. Sem ela, seria impossivel viajar. Mas com ela, mesmo sem todos os outros equipamentos como bagageiros, garrafas d´agua, gps e outros mais, resolvi que podia fazer a viagem em precárias condições. Afinal, a idéia é ser “roots”, nao?? Então iria tentar fazer com o mínimo. Arrumei tudo em algumas horas e embarquei.

Moutain bike dobravel usada na aventura / Full size folding bike used during the trip

Moutain bike dobravel usada na aventura / Full size folding bike used during the trip

Ao chegar em Palmas, existe a possibilidade de ir de van até Mateiros – que fica no centro dos melhores atrativos do Jalapão. A van sai alguns dias da semana como sexta e segunda-feira de manhã cedo. O contato com o motorista é feito na rodoviária de vans de Palmas. Mas eu perdi a van pra Mateiros e, pra não ficar o fim de semana em Palmas que não me interessava em nada, decidi pelo plano B, que é pegar um micro-ônibus (este sai da rodoviária principal de Palmas todos os dias as 8h), até Ponte Alta do Tocantins que fica a 160km de Mateiros. De Ponte Alta pode-se conseguir uma carona ou começar a pedalar, o que foi o meu caso.

Obra de Oscar Niemeyer em Palmas / Oscar Niemeyer´s buiding in Palmas

Obra de Oscar Niemeyer em Palmas / Oscar Niemeyer´s buiding in Palmas

Existem dois setores distintos no Jalapão e pra quem vai de bici, o ideal é escolher um deles. Um, menos espetacular, é o que fica ao Sul de Ponte Alta e o outro é o que tem Mateiros como centro de gravidade. Parti para este último.

Então, depois de montar a bicicleta (ela é uma mountain bike dobrável) saí, por volta de 14h, de Ponte Alta rumo a Mateiros. Tinha começado a cultuar um certo temor de encontrar onças da Serra da Muriçoca já que fui alertado que lá, por ter um cerrado mais denso e preservado, ainda havia algumas delas. Mas como a Serra da Muriçoca fica a mais de 50km de Ponte Alta, certamente não iria acampar por lá na primeira noite. O ponto mais distante que chegaria naquele dia seria na Cachoeira do Lajeado, em torno e 30km de distancia. O fato é que não estava satisfeito em ter que pedalar 160km quase sem água e atrativos pelo caminho e perder tempo que usaria pra visitar os atrativos a partir de Mateiros. Tentaria uma carona até Mateiros, pelo caminho.

Flores do Cerrado / Cerrado´s flowers

Flores do Cerrado / Cerrado´s flowers

Comecei parando bastante e, por volta de 17h, parei numa casinha e perguntei pela Cachoeira do Lajeado que deveria estar por perto. Fui informado que passaria por entre dois morros de pedra em formato de sino e 500m depois entraria a direita. Minha ansiedade fez que, 100m após os morros, entrasse à direita. ao longo do que seriam os 3km até a cachoeira. Estava sonhando em acampar ao lado da água mas depois de andar por quase 1h, e descer bastante, não encontrei a tal Cachoeira do Lajeado e, como estava escurecendo, resolvi acampar por ali mesmo, quase sem água, no meu primeiro dia bastante desmotivante, no Jalapão.

Estrada principal / Main road

Estrada principal / Main road

Acordei ainda sem fome (devido ao esforço extremo, perco a fome e só água me basta) e fui direto pra estrada principal onde, descendo mais um pouco encontrei o que seria a segunda (e verdadeira?) entrada à direita para a Cachoeira do Lajeado. Desta vez decidi deixar a bicileta escondida e andar a pé pelo areial. Depois de 1h andando encontrei um corrego fino de agua esbranquiçada, me reabasteci com 3 litros e desisti de vez de encontrar a cachoeira, voltando para onde havia deixado a bicicleta.

Depois de pedalar mais alguns kms veio uma caminhonete (da polícia!!) e resolvi pedir uma carona. Pra meu espanto pararam e disseram que iam pra Mateiros. Me acomodei junto com a bicicleta na caçamba e parti pra mais de 100km de solavancos e trepidações. Pelo menos assim chegaria rápido em Mateiros onde (re)começaria minha aventura por onde havia planejado. Pra completar as primeiras 24h nada felizes, no bate-bate da caçamba perdi a lanterna e um sinalizador da bici, que caiu na estrada. Agora, além de estar no inóspito Jalapão pela primeira vez de bicicleta e sem equipamentos, estava sem luz. Mais raiz, impossivel.

Cheguei em Mateiros as 13h e já me impressionei ao ouvir do dono do posto de gasolina, olhando para a verdejante pracinha principal da cidade, dizer:  ” pode acampar em qualquer lugar que você quiser, não paga nada não”. Acostumado às restrições ao camping – que existem em toda parte – ouvir aquilo era engraçado pois estávamos na rua principal do vilarejo. Estava no Jalapão. Como ainda era cedo pra um dia de verão, almocei na D. Rosa e decidi continuar a viagem rumo a Mumbuca, a mais ou menos 50km dali.

.   .   .

(ENGLISH VERSION)

The feeling i´ve brought from Jalapão is that´s a kind of untouched land. Even being a human desert (<1 inhab/km2), we can find very gentle people still preserving noble human being qualities: ingenuity, purity, detachement, generosity, hospitality and indifference by material things.

I guess this phenomenon occurs because few urban elements that contribute for human being behaviour degeneration still doesn´t arrived very much there , such as: asphalt, money and TV. There is no human beings in the cities as we meet there. And vice-versa. It´s unbelievable how natural and spontaneous they are.

Most of the people travel around by 4×4 wheel drive trucks but i decided going by bike, let´s say, to be more in contact with the terrain. Hiking there is almost impossible because there are huge distance between each point. Even for biking it is necessary 10 days minimum.

The Jalapão trip almost didn´t happened for me because even buying all needed bike equipment, a long time ago by internet, just few days before my departure nothing was arrived. On december 26th, the day of the flight, the carrying bag necessary to put the folded bike inside the plane, arrived. Without that it was impossible to travel, but with the carrying bag i could , at least, bring the bike. So, i´ve decided i could do it even without any other necessary gear. The idea is to be roots, isn´t it?? I have packed all in few hours and took the plane.

Arriving to Palmas (Tocantins state´s capital), it´s possible to take a van to Mateiros – which is the center of the best atractions of Jalapão. The van leaves Palmas few days per week such as fridays and mondays early morning. The contact with the driver could be done at the Van´s station in Palmas. But, i´ve lost the van leaving friday morning so i´ve decided, for not spending all weekend in Palmas, going to Ponte Alta do Tocantions by bus. It leaves the main bus station every day at 8 am. Ponte Alta is 160km away of Mateiros so, from there i could try a hitchhike to Mateiros or just bike it. As i decided to do.

Na Pousada em Palmas / At the hostel in Palmas

Na Pousada em Palmas / At the hostel in Palmas

There are two different sectors in so called Jalapão region in the eastern part of Tocantins state. If you decide biking in Jalapão you have to decide in which sector you are going to stay. One, less spetacular, is placed in the south of Ponte Alta city an the other is the one around Mateiros city. I headed the last one.

After ensembling the bicycle (it is a full size folding mountain bike), i left Ponte Alta, around 2pm, heading Mateiros. At that point after few stories, i started to feel slightly afraid to meet any jaguar crossing Serra da Muriçoca (Muriçoca Mountain Range) because it seems there – a well preserved cerrado belt – there are few of them still leaving. But as Serra da Muriçoca was more than 50km away from Ponte Alta, for sure i will not camp there at that first night. If i was lucky i could probally reach Cachoeira do Lajeado (Lajeado waterfall), around 30km away and camp there. The fact is i was not very happy to bike around 160km (from Ponte Alta to Mateiros) with almost no atractions on the way rather than spend that time around Mateiros. So, i decided to try hitchhike on the way to reach Mateiros faster.

Ponte Alta do Tocantins

Ponte Alta do Tocantins

I biked hard during few hours but, as it was my first afternoon, i´ve got tired quickly. I was of course pleased because i could arrived there and also because of the wonderful landscape but the hills, hot weather and the backpack weighting 20kg on my back, contributed to decrease my motivation at that time.

I started stoping too much what was not good. Around 5 pm, i stopped in front a little house and asked for Cachoeira do Lajeado that should be not far. I was informed to cross between two flat bell-like hills and 500m after i shopuld turn right getting a side road. But my anxiety made me turn right just 100m after the flat hills. As it was my first sand road in Jalapão i prefered to push the bike along next 3km in order to reach the waterfall. I was dreaming to camp beside the water but after walking more than 1h haven´t found the waterfall and, as it was getting night, i decided to camp beside the road in the middle of nowhere almost without water in my first not very motivating day in Jalapão.

Estrada Ponte Alta-Mateiros road

Estrada Ponte Alta-Mateiros road

I woke up early and still not hungry. Due to the extreme effort i am never hungry and just drinking water is enough. I headed directly to the main road where going further down i´ve finally found the second (the true?) entrance on the right side to Cachoeira do Lajeado. At this time i decided to keep the bike hidden there and walk through tha sand. After 1h hour walking i found a small river with a whity water. I took 3 liters and gave up to keep looking for the waterfall, coming back to where i put the bike.

After biking few more kilometers a police (!) truck came and i got a ride. They were going diretly to Mateiros. I put the bike on the back and accomodated myself there too. During more than 100km i shaked very hard on the backside. Closing those unfortunated 24h i´ve lost my bike lamp (the only one i had) that falled down on the road. Now, more than being in the wild Jalapão for the first time by bike and without gear i also was without a lamp. More roots, impossible.

I´ve got Mateiros at 1pm and was immediatly well impressed when the owner of the gas station told me naturally:” if you want you can camp anywhere, for free. Not necessary to pay”. I am used to all restrictions about camping everywhere so, hearing that was funny because i was at the main street of the little town. I was in Jalapão, that´s because. It was still early for a summer day so, i´ve got lunch at D.Rosa restaurant and headed to Mumbuca that is around 50km from there.

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