Bolivia 2014 – 2015 – El Choro trek – Day 2: Chukura – Choro

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

 No segundo dia comecei a andar cedo e logo a dor no joelho esquerdo voltou. E aumentou. Percebi que estava numa situação dificil. Depois de quase um dia e meio não tinha visto praticamente ninguém. Somente poucos moradores locais. E mesmo que falassem espanhol, ou que eu estivesse acompanhado, o que poderiam fazer ? Me carregar ? Sim, porque não havia estradas, carros ou hospitais. Por algumas horas pensei que toda a viagem estava acabada. Como iria completar aquela travessia ? E fazer as outras ? Como cada passo era penoso demais, calculei que poderia levar muito mais tempo do que o previsto pra chegar ao final. Talvez 6 ou 7 dias. Mas não pensei em voltar.

Vegetação de alta montanha / High mountain vegetation

Vegetação de alta montanha / High mountain vegetation

Ao poucos fui entendendo que aquele era o aprendizado da viagem. Instintivamente percebi que tinha que ir em frente e chegar até o final mesmo sabendo que faltavam…  50km!! Se voltasse seriam em torno de 20km de subidas. Mas percebi, aos poucos, que passar por aquela experiencia estava me trazendo algumas coisas boas. Como cada passo que dava, devido a dor, parecia um quilometro, fui desenvolvendo dentro de mim sentimentos como paciência, persistência, equilíbrio, concentração. Aprendi, através da experiencia própria, como conviver com o sofrimento sem potencializa-lo criando mais estresse mental.

Fui entendendo também, mais uma vez de uma maneira vivencial, no proprio corpo, que aquilo era passageiro e que era preciso diminuir a ansiedade de chegar, respeitando o tempo – e o limite – do proprio corpo. Pode parecer bobagem mas foi um grande momento de apredizado os dias que passei nesta travessia. Acho que não poderia ter tido uma experiencia melhor. Afinal de contas esta é a filosofia roottravel (pra quem ainda não fez, leia –  Meaning / O que é – na pagina inicial );

muitas pontes pra atravessar / many bridges to cross

muitas pontes pra atravessar / many bridges to cross

Segui em frente e, a medida que descia em altitude, entrei na yunga boliviana que é uma floresta tropical de altitude. O clima é um pouco mais quente e úmido do que o frio-seco da alta montanha do início da trilha. Era verão e fazia, durante o dia de 15-20ºC. Tive idéia de entrar nas cachoeiras pelas quais passava para que a água gelada no joelho aliviasse a dor. E realmente funcionava. Pelo menos na primeira hora seguinte. Apesar de não ter passado a dor completamente, fiquei muito contente de ter aprendido lidar com aquela situação com os poucos recursos que tinha.

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Interessante observar, conforme ia entrando no bioma yunga, que algumas plantas alimentícias não convencionais que conhecia do Rio de Janeiro (ao nivel do mar) como Tansagem (plantago major), Dente de Leão (taraxacum officinale), Tiririca (cyperus rotundus), Capuchinha ( tropaeolum majus) e outras que nasciam espontaneamente ali também (> 2000m de altitude).

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Este dia atravessei várias pontes legais. Pontes supensas, de madeira e todas balancavam muito conforme andava. Mas não haveria outra maneira de atravessar tantos rios, e com tanto volume de água. Como estava descendo mais e mais os rios ficavam cada vez mais caudalosos já que toda água do degelo da neve dos cumes das montanhas vinham pelos afluentes e iam se juntando à medida que desciam.

Ponte suspensa / Suspension bridge

Ponte suspensa / Suspension bridge

Finalmente depois de oito horas caminhando cheguei ao camping de Choro onde há uma cachoeira e um rio de fácil acesso. Tem uma familia simpática tomando conta. Paga-se 10 Bs. (R$ 5) para acampar. No outro dia descobri que descendo mais 20 minutos depois deste ponto há um lugar ainda melhor para acampar. Perto de mais uma “puente colgante” (ponte pênsil), este seria o verdadeiro Choro do mapa.

ENGLISH VERSION

Second day started early and pain in the left knee either. And the pain grew. I realised that i was passing by a very difficult situation. After one day and half walking i haven´t seen almost anyone. Only few local inhabitants. And even if they could speak spanish, or if i had travel buddies with me, what could they do ?? Carry me?? It would be useless because there weren´t any road, cars or hospitals along the way. During few hours i thought all the trip was ruined. How could i complete that trek? And how could i do the other as planned in advance ? As every step was so painful, i estimated that i could spend much more time to complete it. Maybe 6 or 7 days instead of 2 or 3.
But i´ve never thought in coming back.

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Little by little i realised that was the real learning of the trip. Instinctively i understood that i had to go ahead and get to the end of the trail even knowing it was lacking … 30 miles !! If i decided to come back it would be around 12 miles going up the hill.

Bioma yunga / Highland rainforest bioma

Bioma yunga / Highland rainforest bioma

I progressively understood that living such experience was bringing me good things as well. As every step, because of pain, seemed to be one mile, i was developing nice feelings inside me such as: patience, persistence, equilibrium, concentration, learning how to live with suffering and how to ease it not creating more mental torment.

Rios com alta vazão devido às águas de degelo dos picos nevados / River with high volume due to slush

Rios com alta vazão devido às águas de degelo dos picos nevados / River with high volume due to slush

I also learned, once more in a experimental way, in my own body, that all is fleeting and i had to slow down the anxiety of arriving to the end, respecting time – and limit – of my own body. Would seems to be foolish but they were great moments of learning those days i was living in that trek. I guess the experience couldn´t be better since that is the roottravel outlook (to those who never did, read –  Meaning / O que é – at the initial page);

Ponte rústica / Rough bridge

Ponte rústica / Rough bridge

Going further and down the hill i was entering in the bolivian yunga, a highland rainforest (>2000m above sea level). The weather is hotter and humid if compared with cold-dry of high mountain in the beginning of trekking. It was summer and temperature was around 15-20ºC. I ´ve got idea to go into waterfalls along the way thinking cold water could make less severe pain on the knee. It worked very well. At least during the following hour. Even if the pain was not gone completely, i was very happy because i learned how to deal with the situation having very few resources available.

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Amazing becoming aware, as i came deeper into yunga biome, of some wild edible plants that i knew from Rio de Janeiro (at the sea level), such as “Tansagem” (plantago major), Dandelion (taraxacum officinale), Nut Grass (cyperus rotundus), Indian Cress (tropaeolum majus) among others that grow spontaneously there too (more than 6000 ft. high).

That day i´ve crossed few cute bridges. Suspension bridges (“puente colgante”), made by wood, rough bridges and all shaked a lot when someone decided walking through. But no other way to pass by all those rivers with huge amount of water due to slush coming directly from the peaks of the range. So, as much as we go down the range greater the volume of water coming from all tributaries rivers.


Camping in Choro

Camping in Choro


Finally after eight hours walking i´ve got the camping site of Choro where there is a river and a nice waterfall with easy access. A pleasant aymara family takes care. Fee to camping is 10Bs. (around US$ 2). Next day i found, walking 20 min. down the hill a better place to camp just beside the river and near to a huge “puente colgante” (suspension bridge). Probably it is the real Choro village marked in the map.

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