Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Paraty – Pouso da Cajaiba – Martim de Sá

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Depois de muito convidá-la, minha amiga Galja disse que viria passar férias no Brasil com sua irmã, Anja. Como o tempo seria curto, achei que seria uma boa oportunidade para levá-las numa viagem de raiz aqui por perto do Rio de Janeiro mesmo. Temos ainda alguns paraísos bastante preservados como áreas de reserva.

Anja e Galja na rodoviária / Galja and Anja at bus station

Anja e Galja na rodoviária / Galja and Anja at bus station

Escolhi a Reserva Ecologica da Ponta da Juatinga, perto de Paraty. Há pouco tempo, tinha visto umas fotos belissimas feitas pelo meu amigo trilheiro Cristiano Sato. Achei que aquilo era um sinal e pedi umas dicas pra ele alguns dias antes. Não disse nada à Galja sobre pra onde iriamos, ela só sabia que íamos acampar. Acredito que isso tenha aumentado a curiosidade e a expectativa delas;

Mapa Travessia Ponta da Juatinga
O lugar é uma trilha de 3-4 dias onde atravessamos morros cobertos por Mata Atlantica intercalados com praias selvagens de água cristalina e areia amarelada grossa. Apesar de bem proximo do mar, chegamos atingir altitudes em torno de 500m, mas no parque há picos de mais de 1000m de altitude.

Barraco onde ficamos em Paraty / Shed where we stayed in Paraty

Barraco onde ficamos em Paraty / Shed we occupied in Paraty

Depois de alguns dias com muita chuva em Paraty durante os quais ficamos jogando sinuca no camping e aproveitando as delicias da gastronomia da cidade histórica, finalmente decidimos sair pro mato e enfrentar a trilha de qualquer maneira.

Aproveitando o Centro Histórico de Paraty / Enjoying in Paraty old town

Aproveitando o Centro Histórico de Paraty / Enjoying Paraty old town

Se pra mim seria frustante voltar ao Rio sem ter cumprido o objetivo da viagem, imagina pra elas que vieram lá de Saint Petersburgh !!

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Parece que nossa atitude fez a chuva diminuir e o tempo foi secando aos poucos nos dias seguintes.
Embarcamos no Cais dos Pescadores, na Ilha das Cobras, com Mestre Dito. Depois de mais de duas horas navegando ele nos levaria à Pouso de Cajaíba, algumas milhas depois de seu vilarejo natal, Calhau.

No Porto de Paraty / At Paraty port

No Porto de Paraty / At Paraty port

A primeira surpresa da viagem foi, depois de alguns minutos de mar tranquilo na baía de Paraty, enfrentar um mar bastante agitado assim que o barco contornou o Saco de Mamanguá rumando em direção à Pouso de Cajaiba (direção SE). Foi quase uma hora de mar agitado,  ondas grandes e chuva fina. Pelos gritinhos, imagino o que tenha passado nos pensamentos de Anja e Galja. Acho que até aquele momento elas deveriam estar se perguntando se não teria sido melhor ir para a Sibéria mesmo.

Ao chegar na praia de Pouso de Cajaíba, a segunda surpresa: acostumados com os confortos da cidade, talvez não esperávamos que tivessémos que pular do barco com as bagagens a uns 15 metros da areia. Água pela cintura, roupas molhadas. A viagem começava ali.
Depois de rir bastante preparamos tudo e metemos o pé na trilha. Logo nos primeiros quilometros me dei conta do quanto aquela viagem seria uma descoberta para elas já que tudo era tão novo, original, genuino: elas pararam gritando e tirando fotos de um simples cacho de banana verde;

Pouso da Cajaíba

Pouso da Cajaíba

O destino era Martim de Sá e lá chegamos depois de uma hora e meia de caminhada. Apesar do dia cinza a praia surpeendeu a todos pela beleza. Tivemos o primeiro contato com a paisagem que iria nos acompanhar durante toda a viagem: rios encachoeirados vindos das montanhas serpenteando pela areia até chegar ao mar. A permamente troca de águas do rio com o oceano é realmente uma dinâmica extraordinária.

Martim de Sá com

Martim de Sá com “nosso cachorro” / In Martin de Sá with “our dog”

Ali, conhecemos “nosso cachorro” que, anônimo, viria a ser nosso guia fiel em troca de torradas e algumas colheres de trigo sarraceno cozido.

(no próximo capítulo a trilha de Martim de Sá à Cairuçu das Pedras, inscreva-se no blog – página inicial no alto à direita – pra não perder)

ENGLISH VERSION
(written by me and Anja)

After inviting her many times, I finally had my Russian friend Galja coming to Brazil during holidays with her sister, Anja. As we would not have much time i thought it could be a good idea to let them experience a bit of “root travelling” somewhere nearby in the Rio de Janeiro state. We still have a few preserved paradise areas.

I chose Ponta da Juatinga Ecological Reserve, southern part of Rio de Janeiro state, close to Paraty. Not much time ago i´d seen awesome pictures made by my friend and hiker Cristiano Sato. I thought it might be a sign. I asked him for some tips a few days before leaving, and that was it: travelling without a lot of planning could be more exciting. To raise the adventure degree of the trip, i did not tell anything to Galja & Anja about our destination. I believe that also increased their expectations and curiosity.

The ultimate goal turned out to be a 3-4 days’ trail through wet rainforest mountains changing to wild sandy beaches with crystal green seawater. Although being very close to the ocean, we reached some points of 500m high and in the park there are peaks of more than 1000m high;

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

After a few rainy days in Paraty, where we stayed playing snooker and tasting delicious dishes of the gastronomy in the historical part of town, finally we decided to get into woods and face the trail whatever the weather. I guess, my disappointment in case of giving up would be nothing compared to the feelings of my friends who’d covered more than 11000 km from Saint Petersburgh !!

 

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

It seemed that our decision made the rain finally abate and the weather started to get drier during the next days. We embarked at Cais dos Pescadores, in the Ilha das Cobras neighborhood, on a boat of a fisherman named Dito. After more than 2,5 hours he would bring us to Pouso da Cajaíba(SE direction), a few miles away from his home town, Calhau.

Esperando a chuva passar no camping de Paraty / Waiting for a less rainy day for leaving the camping area in Paraty

Esperando a chuva passar no camping de Paraty / Waiting for a better day to leave the camping area in Paraty

Then we faced the first surprise of the trip – after a few minutes of a calm sea at Paraty´s bay – a very agitated ocean just after our small boat passed Saco de Mamanguá. Big waves and fine raining for more than one hour. It made the girls scream every now and then and I could imagine what was going on in their heads, something like: why have we left our home land ??

The second surprise was waiting at the shore: used to the comfort of the city, we didn´t expect to disembark 15 meters away from the beach simply by jumping right into the sea with all the luggage on. Water at waistline, all clothes wet. The journey had begun.

Chegando em Pouso da Cajaíba / Arriving in Pouso da Cajaíba

Chegando em Pouso da Cajaíba / Arriving in Pouso da Cajaíba

After laughing a lot at ourselves, we started our trek. Just a few kilometers of walking – and i realised what a discovery this trip would be for the girls since everything was so unknown, original and genuine: they stopped shouting and taking pictures in front of an ordinary (for me) banana tree.

Destination was Martim de Sá where we came after walking for an hour and a half. In spite of a cloudy day, the beauty of the beach amazed us all. It was our first contact with a landscape that would follow us during the hike: rivers coming from the mountains, meandering through the beach sand and meeting the sea. The constant water exchange between the rivers and the sea had an extraordinary dynamics.

Martim de Sá

Martim de Sá

 

There we met “our dog” that anonymously became our trekking guide in exchange for some toasts and a few full spoons of cooked buckwheat.

 (next chapter trekking from Martim de Sá to Cairuçu das Pedras. Subscribe the blog – home page right up side – and don´t miss it)

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Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Martim de Sá-Cairuçu das Pedras-Ponta Negra

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Depois de Martim de Sá, agora já com a companhia inseparável do nosso cão-guia, chegamos em Cairuçu das Pedras. Já eram quase cinco da tarde e decidimos acampar. Depois de montar as barracas fomos rapidamente dar nosso primeiro mergulho à noite na estreita e agitada praia de Cairuçu das Pedras que, como o nome diz, é cheia de enormes blocos de pedra. Com os grosseiros grãos da areia da praia, quando a onda vem encharcando-os, nós afundamos até quase os joelhos devido a grande quantidade d´água intersticial e a baixa coesão entre eles.

Acampando em Cairuçu das Pedras / Camping at Cairuçu das Pedras

Acampando em Cairuçu das Pedras / Camping in Cairuçu das Pedras

O caminho até a praia é ingreme e, pela proximidade da mata, muito úmido. Quando voltávamos, Anja caiu e cortou o braço. Então fomos lavar o sangramento na água salgada do mar. Depois, ao lado das barracas, comemos, cantamos (elas) e dormimos (quase) totalmente felizes. Não pudemos fazer uma fogueira já que tudo estava bastante molhado depois de vários dias chovendo.

Na manhã seguinte aproveitamos a cachoeira de água cristalina que cai na areia da praia. Conhecemos a única familia que mora ali, numa casa de taipa simples, sobrevivendo há décadas da pesca e da agricultura.
O velho pescador fazia tranquilamente um cesto com um cipó da região chamado “timbopeba” enquanto sua esposa estendia a roupa no varal e o genro chegava da pescaria com uma dúzia de peixes.

Naquele momento já me arrependia de não ter passado repelente. Tinha enormes picadas de mosquito pelo corpo apesar de que, não coçavam. Com certeza estava criando muitos diferentes anticorpos 🙂 .
Já minhas amigas tomaram, antes de embarcar para o Brasil, várias vacinas e remédios contra malária, febre amarela, dengue entre outras que não sei. Isto me fez chegar a conclusão que, em geral, estando no estrangeiro conhecemos muito pouco sobre a verdadeira realidade de outros países e, buscando informações, em geral elas vão se perdendo e se modificando pelo caminho, chegando até nós, finalmente, distorcidas.

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Partimos para Ponta Negra. Talvez a parte mais difícil de toda travessia já que há uma longa distancia a percorrer em subida forte. Mas, no topo, a Mata Atlantica é exuberante e, com quase 500m de altitude, apresentava uma grande umidade e frescor apesar do sol forte e ceu sem nuvens. Quando parávamos de andar para descansar rapidamente o corpo, todo suado, começava a esfriar e sentíamos muito frio já que o sol não conseguia atravessar a floresta densa. Passamos por uma impressionante gruta formada por um gigantesco bloco de rocha inclinado. O anfiteatro deve ter algo em torno de 60m2 e uns 4 m de altura na sua parte mais alta.
O grande esforço fisico que tivemos que fazer para vencer a subida de Cairuçu das Pedras rumo à Ponta Negra, foi amenizado pelos cantos de musica foclórica russa de Galja e Anja. Principalmente quando cantavam em canon à duas vozes. Mas este esforço da subida não era nada se comparado àquele que fariamos se estivéssemos fazendo a travessia no sentido inverso. A descida final pra Ponta Negra é muito ingreme e se tivéssemos que subi-la certamente levariamos muito tempo.

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Se para mim estava sendo uma aventura reveladora aquela Travessia, já que nunca a tinha feito, imagino para as duas russas que, pela primeira vez, estavam viajando fora da Europa. O Brasil era para elas um país mágico mas totalmente desconhecido quanto à natureza, língua, comida, clima, cultura. Até o ar úmido e quente deveria estar fazendo muita diferença. Posso entender como insetos pequenos e inofensivos para nós, foram tão assustadores para elas. Baratas do mato, besouros e pequenas aranhas eram recepcionadas por gritos. Quando eu as ouvia parecia que estávamos sendo seguidos talvez uma onça parda faminta. Em um destes episódios, estávamos andando tranquilamente quando Galja avistou uma aranha e gritou alto. “Nosso cão”, que estava muitos metros à frente, voltou em disparada latindo muito. E prosseguiu – pensando que estávamos sendo atacados – correndo em círculo numa maneira de nos proteger. Ainda bem que ele não sabe que foi só uma pequena aranha.

Uma noite, se não me engano em Cairuçu das Pedras, elas começaram a gritar de dentro da barraca porque havia um Louva-Deus lá. Eu disse pra elas se virassem porque já estava dentro do saco de dormir e estava chovendo do lado de fora. Depois de alguns minutos de muita gritaria, acho que passaram no teste. Depois me agradeceram por tê-las deixado viver sozinhas esta “experiência forte” .
Já passei por isso em outros paises e sabia como todo este mundo desconhecido faz muita diferença nos nosso pensamentos. Na verdade, nas viagens de raiz, poder experimentá-lo era justamente a razão de tudo. É claro que muito da expectativa, medo e ansiedade são gerados por nossa própria imaginação que processa e aumenta as informações que chegam, às vezes distorcidas. Enfim, viver alguns dias “fora da zona de conforto” era o objetivo de nossa viagem.

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Espero que um dia minhas amigas possam se dar conta como estas pequenas adversidades e este mundo desconhecido e “fora do controle” contribuíram para um sutil aprendizado que vai estar com elas daqui pra frente.
Estava sendo uma verdadeira viagem de raiz já que em geral elas planejam e sabem muito bem onde vão dar cada passo. Desta vez era diferente e como soube, algum tempo depois, confiaram em mim para que tudo corresse bem. Ainda bem que não tive consciência de toda esta responsabilidade durante a viagem.

Como tínhamos levado apenas duas garrafinhas de água para os três, a cada córrego d´água que passávamos aproveitávamos pra beber bastante. Sempre com muito calor e sede, eu bebia muita agua. E de uma vez só. Galja me disse que deveria tomar a água devagar, em pequenos goles, dando tempo assim que o corpo absorvesse o liquido. Concordei e disse para mim mesmo que, a partir daquele momento, iria fazer daquela maneira.
Depois do dia todo caminhando, conversando e cantando, chegamos em Ponta Negra, talvez o vilarejo mais populoso da viagem. Em torno de 500 pessoas vivem lá. Era umas três horas de uma tarde ensolarada e as crianças se divertiam jogando bola na areia da praia. Estávamos muito cansados e com fome. Demos sorte de ter encontrado almoço na casa da Branca. Decidimos então comer e ficar por ali mesmo.

 

ENGLISH VERSION

(written by Anja and me)

After Martim de Sá, actually with the inseparable fellowship of our guide-dog, we reached Cairuçu das Pedras. It was almost 5pm and we decided to camp. After having pitched tents, we went to a narrow beach down the hill to enjoy our first night bathing in the rough sea. There, the coarse sand, easily saturated by the breaking waves, made us sink into it almost to the knees such as we were in a quicksand.


As the very name suggests,
Cairuçu das Pedras beach is plenty of huge blocks of rocks. The path to the beach is steepy and very wet by proximity with the forest. On our way back, Anja suddenly slipped and cut her arm and hip – we had to return to disinfect the bleed in the salty ocean. Afterwards, beside the tents, we ate, sang (girls) and slept (almost) totally happy. Pity we couldn´t make fire: the wood was wet after many days of intense rain

 

 

Casa de pau à pique em Cairuçu das Pedras / Mud House at Cairuçu das Pedras

Casa de pau à pique em Cairuçu das Pedras / Mud House in Cairuçu das Pedras

Next morning, the sunrise was wonderful.  It seemed we would finally have the first sunny day of our crossing. After enjoying breakfast and a shower in a small crystal-clear waterfall falling down directly into the sea, we went to get acquainted with the only Cairuçu´s inhabitants – the only family living there for decades in a simple mud house and surviving basically on fishing and growing own food.
The old fisherman was calmly weaving a “timbopeba” (a local vine) basket while his wife was hanging washed clothes on a clothesline and the son-in-law had just come back from an all-night-long fishing trip with dozens of fish.

By that time i had already regretted not having rubbed mosquito repellent on my body. I had huge bites everywhere altough they were not itching. Surely i was creating many different antibodies. 🙂 . Concerning my friends, before going to Brazil  they had taken few vaccines and pills against malaria, yellow fever, among others that i´ve never heard of. Most of them, as we know, are useless in this part of Brazil what made me think that- being abroad – our knowledge of the daily reality of other countries is usually scarce and distorted. Only travelling can fix it.

At around 10am we´ve pitchted tents down and left Cairuçu heading Ponta Negra. It was probably the most difficult part of all trekking. We had to struggle up a long and steep ascent. On the top of the mountain rainforest was dense and exuberant and at around 500m high – even in a hot sunny day – we had a fresh and wet weather inside the forest. Sun could barely pierce into the tight forest. As a result, the moment we stopped to rest, our sweaty and hot bodies immediately started to get cold. One of such stops was made at a cave formed by a huge and tilted block of rock.. The main room was quite impressive having around 60m2 and around 4m high at the highest point.

The tremendous physical effort we made to reach the highest point of this part of the trail – between Cairuçu das Pedras and Ponta Negra – was mitigated by Anja and Galja singing russian folk songs, among them canons and two-part melodies. But the effort climbing up the ascent from Cairuçu to Ponta Negra is nothing compared to the reverse route i.e., the final descent to Ponta Negra turned out to be almost vertical. It would have taken us ages to climb up that slope.

Whether for me that adventure was a such discovering trip -maybe because it was my first time there – let alone the two russian girls: first time outside from calm and well-known Europe in a magic and totally unknown country in terms of nature, insects, language, food, weather, culture and even air – hot and humid – adding to the confusion.

 

 

Momentos felizes / Happy moments

Momentos felizes / Happy moments


Only now i can understand why small and innofensive bugs seemed so scary to them. Wild cockroachs, beetles and small spiders were welcomed by several shouts in a row. They screamed so loud that – for instances –  I thought we were followed by a hungry jaguar or so.
I remember one of these occasions: we were walking peacefully when Galja suddenly saw a spider . She screamed so loud that “Our dog” – that was many meters ahead – raced back barking and kept running around us in circles because he obviously thought we were under attack. If only he knew it was just a tiny spider he was trying to defend us from…

Another night – if i am not wrong in Cairuçu das Pedras – the girls started shouting from inside their tent because there was a grasshopper there. I told them – from my tent – they had to manage on their own because i was already inside my sleeping bag and it was raining outside. A few minutes later, as the silence finally fell I assumed they dealt with it quite well. A Few weeks later they thanked me for leaving them to live that “strong experience” alone.

Fora da zona de conforto - mentes concentradas / Out of our comfort zone - concentred minds

Fora da zona de conforto – mentes concentradas / Out of our comfort zone – concentrated minds

I also had that kind of experience when travelling abroad on my own. And i know very well how an “unknown world” can be a challenge. Truly, “root-travelling” is an opportunity to experiment it. Discovering an unveil world is the reason of travelling. Of course, our expectations, fear and anxiety are mostly created by our own mind that makes them grow inside, especially when having received distorted information. Anyway, living a few days outside of our comfort zone was the main objective of our trip.


I hope one day in the near future my friends could realize how those difficulties, unknown world and out-of-control moments we lived together contributed with a subtle knowledge that will be with them forever. I think that was a real root travel for them because normally they plan and know very well in advance every step to be done. At this point that journey was different and they told me afterwards that it was me whom they had tacitly entrusted themselves to. Thankfully, I was not aware of all this responsibility during the trekking…

Back to our adventure, as we brought only two small bottles of water, we took advantage of every fresh and clean water river we crossed by, to stop on it and drink, filling the bottles afterwards. These days were hot and sunny so, at every stop i drank very fast – a few litres almost in one gulp – so Galja wisely pointed out that I should slow down to give time for every cell of my body to absorb the water. I agreed with her and decided that i would apply that principle in my life.
After the whole day of hiking, talking and singing, we reached Ponta Negra, maybe the most densely populated village of all; I guess there were around 500 inhabitants living there. It was a sunny and beautiful winter afternoon and kids were having fun playing football on the beach. We were very tired and hungry. We were lucky to still find lunch at a sort of Café. It was Branca´s house on the top the hill. So, we´ve decided to eat and camp there.

 

Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Ponta Negra – Antigos – Praia do Sono

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Na casa da Branca, conhecemos a familia. A encantadora Jaciara e o menino Ian. Enquanto comíamos arroz, feijão salada e ovo caipira, brincamos com eles. Galja preparou o trigo sarraceno para o dia seguinte. Desta vez cozinhando à moda antiga: colocou água fervendo numa panela com o trigo, tampou e embrulhou com um pano.

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Café da Manhã / Having breakfast

No outro dia não só estava pronto, como estava delicioso e ainda morno. E que economia de energia!! Eu estava muito grato de estar aprendendo tanto da cultura e hábitos do povo russo com as duas.

Casa típica da região / Local house built with natural materials

Uma Escola, casa típica da região / A school, local house built with natural materials

Apareceu o dono do “nosso cachorro” na casa da Branca. Era da Praia do Sono, o ponto de chegada no dia seguinte. E como o cachorro não quis ir com ele, preferindo ficar com a gente, prometemos levá-lo até em casa.

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Detalhe de uma pedra entalhada provavelmente por povos antigos que habitaram a região / A stone probably carved by the ancient local people

No outro dia pegamos a trilha – que fica atrás da casa da Branca – e logo depois paramos num rio encachoeirado e aproveitamos um pouco, antes de atravessá-lo e seguir viagem.

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Despedida de Ponta Negra / Ponta Negra´s farewell

Chegamos em Antigos uma hora depois. Praia exuberante e deserta. Paramos, mergulhamos e curtimos por algumas horas.
Quando estávamos prontos para partir, “nosso cachorro” saiu da mata em alta velocidade perseguindo um lagarto Teiú . Foram quase meia hora de briga pela vida entre os dois. No final da historia acreditamos que o lagarto tenha se afogado, pois sumiu no mar. Talvez tenha visto como unica maneira de tentar se livrar do cão-caçador. O rabo do lagarto, arrancado com uma mordida, ainda se mexia na areia. O cachorro também tinha levado uma mordida pois o focinho sangrava. Que dia agitado!!

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Antigos

Depois da situaçao se acalmar e do cão finalmente desistir de caçar o lagarto que desaparecera no mar, partimos para a Praia do Sono. Quando paramos na borda de um riacho para descansar, conversar e beber agua, pude ter certeza que o maior ensinamento é o experimental: quando me dei conta, já tinha bebido toda a garrafa que havia enchido. E praticamente de um gole só. Apesar de ter comigo o ensinamento de Galja sobre o porque beber água devagar, ele era ainda só intelectual e teórico. Meu hábito continuava o mesmo e o condicionamento agia mais rápido não dando tempo de pensar. Era preciso mudá-lo devagar, praticando. Isso leva tempo.

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Chegamos no Sono por volta das 3h da tarde. Mais uma praia linda com lagunas interiores e, logo na chegada, um rio desaguando água doce no mar. O rio tem bom volume d´água tanto que foi impossível atravessá-lo sem tirar as botas.

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Praia do Sono

É uma praia bem longa (talvez 3km) e bastante povoada com vários bares e restaurantes à beira mar. Num deles, é possivel ver um gigantesco osso da cabeça de uma baleia que encalhou na Praia de Antigos e foi trazido pelos pescadores.

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Parte do esqueleto de uma baleia / Together with a whale´s head bone

Como queríamos chegar no Rio de Janeiro ainda no mesmo dia á noite, atravessamos direto a praia e continuamos a trilha rumo à Vila de Laranjeiras de onde íriamos pegar ônibus para Paraty.
De repente percebemos que “nosso cão” havia sumido. Então estava provado que a Praia do Sono era mesmo sua casa. E ele nos deixou. Sem despedidas. Era amor e fidelidade, sem apegos. Quando chegou o momento, encarou e realidade e foi tranquilamente. Nem vimos. Quando nos demos conta, ficamos um olhando pra cara do outro com um leve sorriso nos lábios. Quem sabe um dia vamos nos reencontrar…

 

 

 

ENGLISH VERSION
(written by me and Anja)

In the Café belonging to a woman named Branca we met her family: the enchanting Jaciara and her cousin, Ian. While eating a delicious dish prepared by Branca, we played with the children.

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Camping & Café

 

Galja also prepared buckwheat for the next day´s breakfast, following the old-world recipe: pouring boiling water in a pot with buckwheat and then wrapping it in a cloth. The next day the buckwheat was perfectly cooked, still both hot and delicious. What a bright example of energy efficiency!! It was amazing to learn so much from russian culture and habits.

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The real owner of “our dog” appeared unexpectedly. He told us that he lives with the dog at Praia do Sono. As the dog didn´t want to come with him preferring to stay with us, we promised him to bring it home since that was our final destination.
Next day we got the trail – that is exactly behind Branca´s house – and a few minutes later we stopped at an amazing river with waterfalls, which we enjoyed for a few moments before crossing it to keep hiking.

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Antigo´s beach

We reached Antigos one hour later. A wonderful and deserted beach indeed. We took a break for bathing and enjoying it. We were about to leave when out of the forest there suddenly appeared “our dog” running at a very high speed chasing a lizard. They fought during several minutes at the shoreline. Finally we believed the lizard drowned : have disappeared in the ocean (i don´t know if this species can stay underwater without breathing for several minutes). Maybe it was the only hope it had to get free from the hunting dog. The lizard´s tail – bitten off by the dog – was still moving on the sand. The dog was also bitten in the muzzle that was bleeding. What day !!

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Anna mostrando coragem / Anna´s bravery

When our dog finally gave up hunting the lizard in the ocean, the calm of Antigos was restored and we left through a forest trail heading Praia do Sono. After some walk we stopped at a small river to rest, talk and drink water, and there i could realize – once more – that the best wisdom is the experimental one. Once again, i drank the entire bottle of water in just one gulp. Even though having Galja´s teaching about drinking water slowly, this knowledge was still only intellectual and theoretical for me. My habit is still the same and the conditioned mind acts faster than intellectual thoughts. It is necessary to change it slowly, practicing.

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We arrived at Sono at around 3pm. Once more a wonderful beach with inner lagoons and a fast flowing river bringing fresh water to the sea. The river is quite wide and we could not cross it without taking our boots off. Sono is a long beach , maybe 3km, with many bars and hostels including the one where we could see a huge whale´s head bone that grounded at Praia de Antigos and was brought there by fishermen.

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Um rio logo na chegada da Praia do Sono / A river bringing fresh water to Sono beach

As we would like to arrive in Rio de Janeiro that night, we crossed the beach and continued the trail with many stairs up to Vila de Laranjeiras from where we could take a bus to Paraty.

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Igreja no Sono / A church at Sono

Suddenly we noticed that “our dog” had disappeared. We concluded Praia do Sono was really his home beach. He left us. No farewell. It was real love and fidelity, with no attachments. When the moment to leave came, he faced the reality and went away quietly. We didn´t see him and it was better like that. We just looked at each other smiling. Who knows, one day we may see each other again…

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Na parte final da trilha para Vila Laranjeiras / Last part of the crossing heading Vila Laranjeiras

Bolivia 2014 – 2015 – La Paz – Day 2

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Muita gente acha que La Paz é a capital da Bolivia. Mas não. Na verdade, é Sucre.

La Paz está entre as dez cidades mais altas do mundo com seus 3650m de altitude. A campeã mundial,  com 4150m, é El Alto, vizinha a poucos quilômetros de La Paz.

Venda de pãos tipicos (sarnita) nas ruas / Typical bread (sarnita)

Venda de pãos tipicos (sarnita) nas ruas / Typical bread (sarnita)

Andar por La Paz, apesar da dificuldade devido à altitude, é muito interessante já que durante o governo socialista de Evo Morales que, quando eu cheguei na Bolívia tinha acabado de ganhar sua terceira eleição seguida para presidente, houve um empoderamento geral da população de baixa renda e indígena. Ela toma diariamente as ruas da parte Norte (Noroeste) e vende para garantir sua sobrevivência, em lonas espalhadas pelas calçadas, todo tipo de produtos. Desde os excedentes da produção agrícola de subsistencia no campo até artigos que as familias compram pra revender. Uma grande festa que só é interrompida pelas pancadas de chuva do verão do altiplano. Encontra-se de tudo: comida tipica feita na hora, frutas diversas, ervas, legumes, pães, artesanatos, artigos importados, roupas, réplicas de marcas famosas e bugingangas eletronicas.

Talvez esta não seja a solução definitiva, empurrar o povo para o consumo, o crédito e a dívida mas é vista como um primeiro passo para garantir renda mínima à todo este povo indígena das montanhas. A pergunta deve ser: o que fazer alem disso para libertar a população e lhe dar real melhor qualidade de vida ?

É interessante ver, nas ruas de La Paz, profissões que pareciam extintas como sapateiro e datilógrafo;

Chuño / batata desidratada / sundried potatoes

Chuño / batata desidratada / Sundried potatoes

Esta grande festa popular de rua proporciona para o turista uma imersão total na cultura boliviana. Aproveite para conhecer o chuño, batata seca que dura longos períodos, provar cerejas e mini-peras super doces. Ou a sarnita, pão redondo típico da região com casca grossa e pouco miolo. Se for fazer trilha um item indispensável é um saquinho com folhas de coca pra mascar no caminho e fazer como os campesinos das montanhas. O chocolate embrulhado em folha de bananeira seca é completamente amargo, não tem uma grama de açucar. Compre sementes de milhos originários, cada vez mais raros e que você só encontra nos Andes.

Iglesia de San Francisco

Iglesia de San Francisco

Quem carrega os grande e pesados fardos nas costas trazendo as mercadorias são os homens mas quem senta nas calçadas o dia todo para vender em geral são as cholas (as mulheres indígenas bolivianas);
Interessante ver nas ruas de La Paz profissões que eu pensava extintas como sapateiros e datilógrafos.

Na parte Norte da cidade, que fica nas ladeiras em torno da belíssima Igreja de San Francisco com seu altar todo folheado a ouro, os mercados de rua são a grande atração. Mas tambem é interessante visitar os mercados “mais formais” como o Mercado Uruguay que fica a algumas quadras subindo a partir da Plaza Eguino. Ou o Mercado Sopocachi, já na mais organizada parte Sul da cidade, ao longo da Avenida Arce. Nestes mercados pode-se encontrar desde sementes de milho crioulo boliviano até alimentos em geral. Os restaurantes populares também estão aí e pode-se almoçar um chairo (sopa típica do altiplano boliviano) e um segundo prato por apenas 12 Bs. (R$ 4).

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Também partindo da Plaza Eguino fica a calle Llampu onde pode-se encontrar roupas esportivas e equipamento para praticar o montanhismo. Ali voce encontra, nas calçadas e nas lojas, algumas peças originais e muitas “réplicas” quase perfeitas por um terço do preço. Cortando a calle Llampu, está a calle Sagárnaga e tambem a calle Linares onde estão as tiendas (pequenas lojas) de roupas para o frio típicas andinas, ponches, gorros, meias etc. Algumas poucas de verdadeira lã de llama. Encontra-se também artesanatos e instrumentos musicais.

Vista noturna de La Paz / Night view of La Paz

Vista noturna de La Paz / Night view of La Paz

Um passeio que pode te levar a ver La Paz do alto é o moderno e seguro teleférico. Na Plaza España  (bairro Sopocachi) você tem uma estação da linha amarela do teleférico de onde você pode partir até ao alto tendo uma visão completa de toda a cidade e também das montanhas nevadas ao redor.

(ENGLISH VERSION)

A lot of people think La Paz is the capital of Bolivia. But the real capital is Sucre.

La Paz is one of ten highest cities in the world with its 3650 m (11000 ft.) high. The world champion with 4150m (12450 ft.) high is few miles away neighbour, El Alto.

construções nas colinas de La Paz / house made up the hills in La Paz

construções nas colinas de La Paz / house made up the hills in La Paz

Walking in La Paz, in spite of expected difficult because of altitude, is very interesting because with Evo Morales socialist government – when i arrived to Bolivia he has just won presidential elections for third time in a row – low social class and indigeneous people have got empowered and everyday they occupy streets and sidewalks of the nothern (actually northwestern) part of the city in order to sell all kind of products. It is the right to work in order to get minimum income. From excess of subsistence crop production untill goods that people buy to resell, we can find everything: typical “home-made” fresh food, fruits, herbs (including coca leaves), vegetables, bread, handcraft, imported goods, clothes, famous brand marks replicas and electronic stuff. A big street party that is only interrupted for a while when a highland summer storm falls down.

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Maybe it is not the ultimate solution pushing poor people for consumption, credit and debt but could be considered first step in order to guarantee minimum income and work to all the indigeneous people from highlands. The question should be: what to do further to really liberate that people ??

Interesting to see in La Paz streets professions i thought were extinct such as shoemarker and typewriter.

Crianças indígenas de La Paz / La Paz indigeneous children

Crianças indígenas de La Paz / La Paz indigeneous children

This huge popular street party drive the tourist to a total immersion into culture of the country. Enjoy it seeing chuño, a sun-dried potato that last longer. Taste the very sweet cherishes and small pears. Don´t forget the sarnita, a round typical bread with thick shell and little loaf.

If you are going to mountain adventures take a small packet of coca leaves and spend your journeys as local highland people do: walking and chewing coca leaves. Chocolate wrapped in banana tree leave is completely bitter. No sugar or milk in it at all. Buy corn heirloom seeds, they are very rare nowadays and many of them you can only find in Andes

Chola vendendo banana chips / Chola selling chips of banana

Chola vendendo banana chips / Chola selling chips of banana

Bolivian men carry big and heavy backpacks loaded with goods to sell. However, the cholas (indigeneous bolivian women) are the ones who sit on the street all day long selling the products.

It´s amazing seeing along La Paz streets professionals i belived were extinct such as shoemakers and typewriters.

In the northern part of the city – streets around the wonderful San Francisco church with its all-in-gold altar – street markets are the best spots . Visit also more formal markets such as Mercado Uruguay few blocks far walking up from Plaza Eguino or Mercado Sopocachi located in the more organized southern part of the city, walking down through Avenida Arce. At these markets you can find heirloom seeds of andean vegetables and corns and typical homemade food ready to eat. The popular restaurants are there and it is possible to taste, for example, Chairo (typical soup of Bolivia´s highlands) and a second dish for only 12 Bs. (US$ 2).

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Near from Plaza Eguino, calle Llampu is where you can find sport and adventure gear and clothes to pratice moutaineering. On the sidewalks and shops, some original products are together with many almost perfect replicas sold by a third of the normal price. Further, in calle Sagárnaga and calle Linares small shops sell regional handcraft, musical instruments and cold weather bolivian typical clothes. Be aware that very few are original llama wool.

A tour that seems to be very touristic but allows you seeing La Paz from above is the modern and secure cable car. In Plaza España (Sopocachi neighbour) there is a yellow line cable car station from where you can start and reach the top of the city from where you have a full view of the city and snowy mountains around.

Bolivia 2014 – 2015 – El Choro trek – Day 1: La Paz – La Cumbre – Chukura

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Ao chegar em La Paz entendi porque havia tão poucas informações quando tentei pesquisar, ainda no Brasil, sobre o acesso aos locais onde começaria a fazer as trilhas. A cidade é um verdadeiro caos no que se refere ao transporte público. Cada cidadão pode colocar uma van (“minibus”) na rua e fazer transporte alternativo pra qualquer lugar que bem entenda. E parece que todos decidiram fazer isso!! Então, organizaram-se várias pequenos terminais (também na rua), onde as vans ficam e seus donos anunciam os trajetos e destinos no grito. O resultado é que ninguém sabe ao certo de qual terminal sai transporte pra qual destino. Alem disso não existe certeza que vai sair e em que horário.

Vans no terminal Minasa / Minasa terminal of vans

Vans no terminal Minasa / Minasa terminal of vans

 

Mas existe também outro motivo: os povoados onde iniciam-se as trilhas são muito pequenos, então realmente não há transporte. Uma solução é chegar o mais próximo possível e depois pegar um táxi já que a Bolívia é um país muito barato.
A ideia inicial era fazer primeiro uma travessia chamada Apolobamba mas depois de um dia de “caça” de informações na cidade, soube que a viagem pra lá desde Nossa Senhora de La Paz (este é o nome oficial da cidade) demorava 11h e que a van saía as 6h da manhã em El Alto , que é uma cidade vizinha à La Paz. Mas que não havia nenhuma garantia que, chegando lá, o van estaria e partiria. De qualquer maneira deixo aqui as informações que consegui (devem ser checadas):

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Apolobamba Trek

Minibus para Pelechuco ou Curva – Sai de El Alto – Av. Juan Pablo II (final) – Entre Carretera A Laja y Ex Tranca Rio Seco
tels: 680-74905 / 238-2239 / 719-53252

Outra ótima fonte de informações é o Escritório de Turismo do “Terminal de Buses” (Central). Procure as simpáticas Roxana Caro e Guelli Terrazas (segunda à sabado).

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Parti então pra segunda opção que era a Travessia El Choro. Esta muito mais conhecida e perto de La Paz. Aqui as dicas de como chegar ao início da trilha:

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Terminal Minasa (bairro Vila Fatima) . Minibus para “Coroico” (cada 30 min.). Desça em “La Cumbre”.

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Em La Cumbre (4800m de altitude) inicia-se a trilha de 71km, onde 90% são descida, até Chairo (1600m de altitude). É uma travessia para 2 noites/3 dias com muitas fontes d´água. Existem alguns povoados pelo caminho onde pode-se encontrar abrigo e comida. Os locais falam língua aymara. Entendem e falam muito pouco espanhol.

 

Paisagem em La Cumbre / La Cumbre landscape

Paisagem em La Cumbre / La Cumbre landscape

 

 

Os primeiros quilômetros são deslumbrantes pois ao mesmo tempo encontramos paisagens de alta montanha e vales profundos, llamas e trilhas de pedras feitas pelos Incas entre 500 e 1000 anos atrás. Os bolivianos chamam trilhas como estas de “Caminos Pré-Colombinos” justamente porque foram muito usadas pelas civilizações andinas antes da chegada de Colombo em 1492.

Pausa na trilha de pedras / A break in the stony trail

Pausa na trilha de pedras / A break in the stony trail

 

Aliás todo ao longo desta travessia “El Choro” observa-se quilômetros de caminhos feitos pelos Incas. Lindamente construídos. Muito mais impressionantes do que eu vi, por exemplo, no Peru. Quando comecei escrever este blog: (https://roottravel.wordpress.com/category/choquequirao-peru-20092010/);

Caminos Pré-Colombinos preservados

Caminos Pré-Colombinos preservados

 

Chukura é o povoado mais “desenvolvido” com, provavelmente, algumas centenas de habitantes, onde há uma escola e outras facilidades como “tienda” (armazém) pra comprar comida. Alguns moradores podem cobrar “pedágio” de 20 Bs (bolivianos) o que equivale a R$ 10. Alegam que é para manutenção dos caminhos.

Mapa El Choro final

Percebe-se que na região de Chukura, e de outros pequenos povoados que passei, a população local se reuniu e realmente restaurou os vestígios de trilhas incas que existiam. Elas estão muito novas e bem conservadas, não podem ter sido construidas entre 500 e 1000 anos atrás e ter permanecido daquela maneira por tanto tempo. Na medida que distancia-se dos povoados voltamos a ver os caminhos como foram feito originalmente, quando os Incas passavam por ali.

Llamas no caminho / Llamas on the way

Llamas no caminho / Llamas on the way

 

Quase no final do primeiro dia percebi que havia torcido o joelho esquerdo na descida pois ele começou a doer muito. Cada passo se tornou uma tortura. Havia passado uns quilômetros do povoado de Chukura e devia ter feito no total, até ali, entre 15 e 20 km. Isto foi me acontecer logo no primeiro dia?!? Como faria pra continuar já que a dor era insuportavel ? Voltar ?

Decidi então parar mais cedo e montar acampamento. Poderia descansar mais tempo e ter esperanças que, no outro dia, a dor teria passado e, assim, continuar. Faltavam mais de 50km até o final !!

 

 

ENGLISH VERSION

Arriving in La Paz i could understand why i´ve found so poor information, still in Brazil, about the access to localities where treks start in Bolivia. La Paz is a chaos regarding to public transportation. Each citizen can buy a van (“minibus”) and start a service of alternative transportation of people to wherever he wants. And it seems everyone decided to do it !! Then they also self organized several van´s street terminals where the owners announce shouting the itinerary and destination. So, nobody knows exactly from which van station transportation leaves to a specific destination and the schedule.

But there is another reason as well: settlements where treks start are often really small, so there are no transportation at all to there. A solution is to get as close as possible by public transportation and then rent a taxi since Bolivia is a really cheap country.

Casas provavelmente no mesmo estilo de séculos atrás / Local house probably built the same way for centuries

Casas de pedra e palha provavelmente no mesmo estilo de séculos atrás / Local houses made by stone and straw probably built the same way for centuries

 

The initial plan was trekking in Apolobamba range but after one day in La Paz searching for official info i knew that a trip to there from Nuestra Señora de La Paz (that´s official city name) lasts eleven hours and the van leaves at 6 am from El Alto, a  city next to La Paz. But it was not sure at all that van would be there and leave… Anyway, i write here below the information i´ve got (it must be checked):

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Apolobamba Trek

Van to the villages “Pelechuco” or “Curva” – leaves from El AltoAv. Juan Pablo II (final) – Between Carretera A Laja y Ex Tranca Rio Seco
tels: 680-74905 / 238-2239 / 719-53252

Another great information source is the Tourism Office inside “Terminal de Buses” (Central Bus Station). Ask for the charming Roxana Caro or Guelli Terrazas (Monday to Saturday).

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I decided for my second option that was El Choro trek. It is a better known trek and easier access from La Paz. Here tips how to get close to the beginning of the trail:

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Terminal Minasa (neighborhood Vila Fatima) . Van to “Coroico” (each 30 min.). Get off at “La Cumbre”.

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At La Cumbre (4800m high) starts the path of 71km (44 miles) – where 90% is descent – till Chairo (1600m high) . It is a 2 night/3 days trekking with plenty of fresh water sources. Even if you can walk for days without seeing a single person there are few villages on the way where you can find lodge and food. Local people speak aymara language. They understand and barely speak spanish.

Lago de alta montanha em La Cumbre / Highland lake in La Cumbre

Lago de alta montanha em La Cumbre / Highland lake in La Cumbre

 

First miles are astonishing. Wonderful highland landscapes, deep valleys, llamas and stony Inca trails made between 500 and 1000 years ago. Bolivians call them “Caminos Pré-Colombinos” because they were built and used by andean people before Christopher Columbus arriving in 1492.

Paisagens deslumbrantes / Amazing landscapes

Paisagens deslumbrantes / Amazing landscapes

 

In fact, all along El Choro trek there are many miles of Inca´s paths greatly built. More impressive than those i saw, for example, in Peru when i started writing the blog, here: (https://roottravel.wordpress.com/category/choquequirao-peru-20092010/);

Chukura is the more “developed” village with , probably, hundreds of people living where there is a school and other facilities such small shops at locals´ homes to buy food.

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Certains inhabitants could ask you a “toll” of 20Bs.(bolivianos, is the bolivia currency). It is around US$ 3. They say that will be used for trails maintenance.

Around Chukura and other small settlements we can really notice that local people have got together and restaured Incas´trails because they are really like new. Very well conserved for a 500-1000 years old construction. Since we get far from villages we notice original paths as they were built when Incas passed by.

Caminhos Incas provavelmente restaurados por moradores / Incas´trails probably restaured by inhabitants

Caminhos Incas provavelmente restaurados por moradores / Incas´trails probably restaured by inhabitants

 

In the end of first day i´ve notice i´ve got my left knee torsioned somewhere in the descent because he started hurting a lot. Each step seemed to be a torture. I´ve passed few miles of Chukura and probably walked between 9-12 miles. It happened in the first day ?!? How to continue since pain was unbearable ?? Come back ?

I decided then stop earlier, camp and rest longer hoping next day pain would be gone and then i could persist. I had around 30 miles ahead !!

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Bolivia 2014 – 2015 – El Choro trek / Day 4: Bella Vista-Sandilani-Chairo-La Paz

 (FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

 A chuva começou a cair. A cada instante parava e depois recomeçava. Fui então pra dentro da barraca. Choveu forte a noite toda. No outro dia acordei cedo e toda a família já estava de pé se preparando para partir. A esposa de Sr. Francisco veio se despedir e disse que ia pra La Paz para o Ano Novo e que eu podia ficar à vontade. Em poucos minutos partiram todos e eu fiquei sozinho no local tentando secar minhas coisas ao sol. Mas a cada meia hora a chuva caia fraca de novo e eu tinha que recolher tudo pra depois recomeçar. Era chuva e sol. Teve até um arco-iris duplo !!

Arco-Iris duplo / Double rainbow

Arco-Iris duplo / Double rainbow

Finalmente por volta de meio dia, consegui secar tudo e partir pra ultima etapa da travessia: Buena Vista – Sandilani – Chairo – La Paz.
A chuva deu uma trégua mas depois de uma hora de caminhada voltou a cair e me acompanhou durante todo o dia. Chega um momento que você se acostuma com ela. Pés, corpo e mochila encharcados. Nestes dias vale muito, principalmente se faz frio, que a sua capa e o protetor de mochila sejam realmente impermeáveis (o que não era meu caso).

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Depois de algumas horas cheguei a Sandilani. É a localidade com melhor estrutura que havia passado até agora. Certamente devido a proximidade com Chairo, a primeira cidade que ficava “só” umas cinco horas à frente. Em Sandilani você encontra uma ou duas “tiendas” (pequenas lojas nas próprias casas dos moradores), camping, um pequeno restaurante e até uma pousada que me pareceu abandonada. De qualquer maneira a cidade estava deserta e tudo estava fechado. Todos foram passar as festas de final de ano nas cidades. Continuei meu caminho. Não via a hora de chegar e ainda faltavam longas horas.

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Depois de caminhar horas sem parar debaixo de chuva intensa finalmente cheguei a Chairo. Uma pequena cidade com um grande rio. Eram cinco horas da tarde e a primeira coisa que queria fazer era comer algo. Não parava de pensar que podia ser um prato-feito igual ao que eu havia comido na casa do Sr. Francisco em Bella Vista…Mas não foi não. Não havia quase nada pra comer devido ao horário e fiquei bastante feliz com um sanduíche de pão com ovo no segundo bar que encontrei saindo da trilha.

A moça que me serviu no bar me disse que, àquela hora, não havia transporte direto pra La Paz, só pra Coroico. Mas que eu podia caminhar “meia hora” até o proximo vilarejo onde havia um grande hotel e daí saíam vans direto pra La Paz. Neste dia descobri mais uma verdade: nunca confie nas distancias e tempos que os bolivianos te dizem. Foram duas horas e meia (!!) de caminhada rápida já que queria chegar antes de anoitecer.

Em Chairo, por sorte logo consegui uma van para La Paz que partiu e foi pegando mais e mais pessoas ao longo da pequena estrada. Pegamos a rodovia principal que leva a La Paz e , partir daí, subimos sem parar por pelo menos duas horas, saindo de 1300m de altitude (Chairo) até 3800m (La Paz). A rodovia de mão dupla é literalmente entalhada na rocha e com emergindo das profundezas da Terra por alguma fenda.

ENGLISH VERSION

Rain started to falls down stopping for a while each half an hour to restart just after. So, i came into the tent. It rained very strong all night long. Next day i woke up early and all family was already awake arranging everything to leave. Mr. Francisco´s wife came to say goodbye and told me they are going to La Paz for New year´s evening but i could stay like at home. Few minutes later they left and i stayed alone trying to dry my wet stuff in the sun that appeared for a while. But every few minutes rain insisted to fall down again and i had to pick up all my stuff . This sun-rain alternation bringed me a double rainbow !!

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Finally around noon, i could partially dry the stuff and leave for the last part of the path: Buena Vista-Sandilani-Chairo-La Paz. Around 7 hours walking.

Rain stopped but after one hour walking fell down again and followed me for all day long. At a certain point you get used with it. Feet, body and backpack, all wet. These days it is worth it, mainly if it is cold, that your coat and backpack protector are really water-resistant. What definitely was not my case.

After few hours i arrived to Sandilani. It is the village with better structure for tourism in all El Choro trek. Certainly due the proximity to Chairo, the first real city, “only” five hours walking ahead. In Sandilani there are few “tiendas” (small shops in the homes of inhabitants), organized camping site, a small restaurant and even a hostel that seemed to me abandoned. Anyway the village was desert. Probably everyone went way to enjoy Christmas and New Year´s parties in the cities. I continued my way. Could not wait to arrive and i´ve still had few long hours ahead.

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After walking for hours under intense raining finally i´ve got to Chairo. A small city with a large river. It was around 5pm and first wish i had was eat something. Couldn´t avoid thinking that my dish could be similar to that i got at Mr. Francisco´s home in Bella Vista.. But it wasn´t. There was almost nothing to eat because of time. So, i´ve got a sandwich of home made bread and eggs at second bar i´ve found on the left side of trail access;

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The young woman that served me in the bar told me that from Chairo, at that time, there was no direct transportation to La Paz, only to Coroico. But i could walk for “half an hour” untill next town where there was a huge hotel and, from there, vans go directly to La Paz all day long. That day i knew another truth: never trust when a bolivian tell you a distance or time to travel it. It was two hours and half (!!) of fast walking because i would like to arrive before night comes.

 In Chairo, by chance i´ve got soon a van to La Paz. It was picking up people all along the small road. Afterwards we´ve got the main road to La Paz and then, we went up the hill all the time for, at least, two hours from around 3900 ft (Chairo) untill 11400 ft. high (La Paz). It is a two-way road completely carved into rocky mountain and at that sunset time i had weird impression, with huge rock walls each side and sky above, that i was getting out from depths of  Earth by a gap.

Bolivia 2014 – 2015 – La Paz – Day 1

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Com o problema no joelho, voltei para La Paz e decidi ficar por ali alguns dias e descansar. Naquele momento estava certo que não faria mais travessias e trilhas já que não queria ter a mesma experiência que tive em El Choro.

Apesar de não ser este o objetivo principal da viagem, explorar a cidade e seus arredores poderia ser uma boa idéia porque me parecia que a cultura, culinária e arte boliviana em La Paz estavam ainda bem preservadas. Isto me animou a andar pelas ladeiras da cidade. Até porque o sistema de transporte é deficiente com muitas vans alternativas que são pouco organizadas quanto a roteiros e horários. Enfim, a melhor opção é mesmo andar a pé em meio ao caos.

Tipico ônibus urbano em La Paz adaptados de antigos caminhões / Urban bus in La Paz adapted from old trucks

Tipico ônibus urbano em La Paz adaptados de antigos caminhões / Urban bus in La Paz adapted from old trucks

Para me hospedar, escolhi a região do Terminal Central de Buses, já que é um pouco afastado do centro e a oferta de hostals é maior. Voce pode experimentar, por exemplo, o Residencial Uruguay que é grande e tem preços imbatíveis. Com sorte voce vai ficar, como eu, sozinho num quarto com vista pra cidade, mais barato que num hostal da moda onde terá que dividir espaço com mais 13 pessoas.

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É obrigatório para lojas e restaurantes colocar o cartaz: “Todos somos iguais perante à lei” / Shops and restaurants must have a visible poster saying: ” We are all equal before the law”

De fato o povo boliviano, me refiro ao morador da região de La Paz já que foi a única cidade que conheci ficando vários dias, não é tão hospitaleiro, aberto, comunicativo e amigo como, por exemplo, o povo peruano que havia conhecido em Cusco há 5 anos.

Aquilo me intrigava. Por exemplo, para tirar uma foto com uma chola – a típica senhora indígena boliviana com aquele chapéu preto redondo, a saia armada colorida, e quase sempre carregando uma criança na manta amarrada nas costas – é muito dificil. Somente algumas muito simpáticas, permitem. Depois me explicaram que, na cultura aymara, acredita-se que a pessoa, ao permitir uma foto, teria sua alma “roubada”.

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Mas só isto não explicava o que eu sentia – e via – nas ruas. Porque o paceño (boliviano nascido La Paz) era tão arredio e fechado?? Pensei em várias hipóteses como o fato do povo andino ter sido muito oprimido e massacrado depois da invasão estrangeira a partir do seculo XVI. Mas só isto não explicava já que o povo hoje peruano viveu a mesma experiência.
A melhor explanação que ouvi foi que a Bolívia na verdade sempre foi – historicamente – um país dividido. De um lado estão os cambas, de ascendência européia, branca,  e que vive majoritariamente em cidades como Santa Cruz de la Sierra e Tarija. E de outro, os collas, indígenas, povo aymara, que vive no altiplano (La Paz, Oruro, etc).

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As “sarnitas” típicos pães paceños são vendidos nas ruas / “Sarnitas” typical bread from La Paz are sold on streets

É claro que, quanto mais se viaja mais se entende: o que existe são visões parciais de uma realidade. Não há uma verdade absoluta. Tudo depende da sua experiencia, que é subjetiva. Por isso é importante não generalizar e estar aberto pra mudar de opinião sempre, conforme novas viagens vão trazendo novas vivências.

(ENGLISH VERSION)

Back to La Paz with my knee problem i´ve decided to stay in the city for few days and rest. At that point i was sure in not hiking anymore because i would not like pass through same situation of El Choro trek.

Even my main objective was not explore cities it could be a good experiment in La Paz since bolivian culture, culinary and genuine art are still alive and preserved there. That got me motivated in walking through city slopes. Also because transportation in La Paz is a chaos with very few buses and thousands of alternative vans circulating not very well organized about itinerary and time table. Best option is realy walk in the middle of them.

Vista aérea de La Paz / Aerial view of La Paz

Vista aérea de La Paz / Aerial view of La Paz

To lodge, i´ve choosen to be around Terminal Central de Buses (Central Bus Station). Not very close to downtown and a big room offer in many hostels could bring prices down. You can try, for example, Residencial Uruguay. It is big and with afforbable prices. If you have chance like me, you´ll stay alone in a room, with a nice view over La Paz, paying cheaper than in a trendy hostel where you are going to share room with maybe more 13 people.

pequenos paceños

pequenos paceños

Bolivian people – i am talking about La Paz region inhabitant because it was the only city i knew staying many days – is not as hospitable, open, talkative and friendly as, for example, peruvian people that i met five years ago.

It puzzled me. For example, take a picture of a chola – those typical indigenous bolivian women with round black hut, coloured dress and almost always with a child attached on the back – is quite difficult. Only some very agreable one would allow it. Afterwards someone explained to me that in aymara culture they believe that allowing someone take a picture their soul could be “stolen”.

Sapateiros ainda podem ser encontrados nas ruas de La Paz / Shoemakers still can be found in La Paz streets

Sapateiros ainda podem ser encontrados nas ruas de La Paz / Shoemakers still can be found in La Paz streets

But only this couldn´t explain what i was feeling and seeing on the streets. Why paceño (bolivian borned in La Paz) is so withdrawn ? I thought in many hypotheses. For example, the historical fact that andean people was so opressed after foreigner invasion in XVI century. But only this also couldn´t explain because actual peruvian people had same experience in the past. Best explanation i´ve heard was that Bolivia is – historically – a divided country. In one side, the cambas, with european heritage, white, and most part living in cities such as Santa Cruz de la Sierra and Tarija and on the other side, the collas, indigeneous, aymara people, living in the highland (La Paz , Oruro, etc ).

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Of course, more often we travel better understanding that what exists are partial point of vue of one single reality. Truth is not absolute. All depends on your own experience that is subjective. Because of this it is important not generalize and be opened to always change opinion as soon as new trips bring us new experiences.

La Paz is one of ten highest cities in the world with its 3650 m (11000 ft.) high. The world champion with 4150m (12450 ft.) high is few miles away neighbour, El Alto.

Climbing Quetrupillán volcano – second day / Subindo o vulcão Quetrupillán – segundo dia – 4jan2013

(para texto em portugues brasileiro, desça a página)

At 8am, after breakfast, i locked the tent that was deliberately pitched in a hidden place not close beside the trail. I headed East to reach Quetrupillán. After 30 minutes walking i realised that the appropriated place to camp (beside the water) was very close up the hill.

At that moment the forests and wood were behind and what i could see was a kind of Mars planet or moon landscape: brown-grey volcanic rocks with almost no green vegetation. Where the most recent volcanic eruptions reached (such as during the last hundreds of years) there was not necessary time to form soil wich is essencial for the plant growing. In spite of that some few beautiful tiny flowers insist to blossom. A very dry image apparentlly but with many springs, small lakes and rivers here and there. The water from defrosting snow permeate the rocks and pebbles and crop up down the hill.

 

Micro-Plants / Microplantas

Micro-Plants / Microplantas

 

I had all day long to climb to the top and come back to camping. But distances in mountain trick you all the time. Looking from downhill the summit seems to be close but around 3 hours time was needed.  The ground varied a lot: small pebbles, rocks, snow…

Crossing the snowy steep parts was the most difficult because i hadn´t “grampones” (crampons) to be fixed on the boots. Touristic agencies , due to high demand for tours, doesn´t like to rent only the equipment…

All the time i thought on the stories told by locals guides about people died when they fell down into grietas (cracks hidden by snow)

 

Heading the summit of Quetrupillán / Em direção ao cume do Quetrupillán

Heading the summit of Quetrupillán / Em direção ao cume do Quetrupillán

 

From the bottom i could have an idea the best way to follow to reach the top. I walked slowly choosing the better path every moment and also because the view on my back was gorgeous. All the valleys, lakes, volcanos, ranges of mountains were very impressive in that sunny blue sky day.

Around twelve o´clock i could finally reach the top from where a 360 degree vision is possible including awesome Lanin volcano at Chile and Argentina border, Caburga Lake, Villarica volcano among others. The wind was strong and temperature dropped to around 9ºC.
Quetrupillán´s crater has a thick layer of snow inside. It hasn´t a typical cone crater. Because of that other name Quetrupillán is Mocho.

 

Climbing Quetrupillán with Villarica on the background / subindoi o Quetrupillán com o Villarica ao fundo

Climbing Quetrupillán with Villarica on the background / subindoi o Quetrupillán com o Villarica ao fundo

 

Quetrupillán is a very nice 2-3 days hike where you can have different beautiful landscapes in the middle of peaceful nature. Here, long hours of hiking, difficulties on the way to reach the crater and need of camping for sure keep hundreds of tourists doing agencies tours away.

After reaching the top and appreciating the panorama i had more 6 or 7 hours to come back to the camping site so i decided to visit the Laguna Azul. In fact the lagoon is green not blue. Maybe the colour is due to the slush that carry down a lot of volcanic sediments dirtying the water. If it is true, in the winter with no slush, sediments go to the bottom and the water become blue (?). Chileans are very good sellers of their natural beauties and know how to atract more tourists. So, probably, they are taking advantage the worldwide known movie and baptized their green lagoon as Blue Lagoon.

In spite of the 15ºC i dived into the lagoon as soon as i reached there. It was a great swimming having Lanin volcano on the background. It is very shallow and a great place to be dirty with volcanic mud.

 

Buquet

Buquet

 

The day after – third day – i arrange the stuff cleaned the camp site and start my way back to Pucón. I took the new Sendero Estero Mocho (blue in the map, but red on the ground), as i described in the beginning, a shorter and straight path.
Then i´ve crossed with first few people: a couple of young european people just arriving to camp at the volcano base and three chileans cross runners. We´ve talked for a while and the chileans have told me they were still searching for the three guys lost in last november: a russian, a spanish and an italian. I heard this history in Pucón and they explained to me that when they were catched by a snow storm they called somewhere in Pucón saying they will wait for a better weather inside a cave they found. As it snowed for the four following days they probably died and nobody knows exactly where they were lost. Bodies were never found. Then , in Pucón, you can hear the same history having different scenarios such as Villarica volcano, Quetrupillán ,  etc. I was very impressed with the cross runners : “how can they run all day long while i have much pain just walking? “

The weather turned badly and it started raining. I could not have a hitchhike even after Thermas Palguin. Only very close to the main road – i probably walked for 10km – i couple of austrian very nice people – Wolfgang, Claudia and their little son Mathias – driving a Toyota with a bedroom inside stopped to me and brought me till Pucón.
I spent next hours in the camping Los Robles – managed from december to march by very friendly and welcoming chilean family – waiting for the time to catch my bus to Santiago at 9pm.
Storm and very bad weather. I was worried about  few people i´ve crossed on my way back that morning. They were still on the top. In so bad weather they had to stay all day long inside the tent. How luck i was having perfect timing upthere and such clear blue sky and sunny days.

 

 

 

 

 

Por volta das 8 da manhã, depois de tomar o café da manhã, fechei a barraca que estava propositalmente armada em um lugar mais escondido não exatamente ao lado da trilha. Comecei a andar pela trilha rumo à Leste, direção do Quetrupillán. Depois de 30 minutos me dei conta que o lugar ideal para ter acampado – ao lado da água e plano –  estava bem perto um pouco mais acima de onde eu tinha passado a noite.

Naquele momento o bosque tinha ficado pra trás e a paisagem era parecida com o que vemos nas imagens do planeta Marte ou da Lua: somente rochas marrons acizentadas e vermelhas com quase nehuma vegetação. Fica claro que onde as erupções vulcânicas mais recentes alcançaram (talvez nos ultimos séculos) não havia tempo necessário para a formação do solo o que é essencial para o crescimento das plantas. Mesmo assim, pequenas flores insistiam em desabrochar por entre os cascalhos vulcânicos. Uma imagem aparentemente árida mas havia muitas fontes de água. A água do degelo da neve infiltrava nas rochas e afloravam na base do vulcão formando pequenos lagos, rios e nascentes.

Tinha todo o dia pra subir até o topo do vulcão e voltar até o local do acampamento. Mas as distancias em alta montanha te enganam a todo momento. Olhando debaixo o cume parece relativamente perto mas precisei de quase 3 horas pra chegar lá. O terreno varia muito a cada momento: cascalhos, rochas soltas, neve..

Atravessar as partes mais inclinadas e nevadas foi a parte mais dificil porque eu não tinha os “grampones” (grampos) para amarrar nas botas. As agencias de turismo, devido a alta demanda, não gostam muito de alugar só o equipamento..

A todo momento eu pensava nas histórias – contadas pelos guias locais – de pessoas que morreram caindo nas “grietas” (fendas escondidas pela neve).

De baixo eu podia ter uma idéia do melhor caminho a percorrer para atingir o topo. Caminhava devagar escolhendo a melhor trilha a cada momento e também porque a vista nas minhas costas era, literalmente, de tirar o fôlego. A visão de todos os vales, lagos, vulcões e cadeias de montanhas era impressionante naquele lindo dia de sol e céu azul.

 

Panorama

Panorama

 

(VERSÃO EM PORTUGUES DO BRASIL)

Por volta de meio dia pude finalmente alcançar o topo de onde é possivel ter uma visão de 360 graus panoramica de toda a região incluindo o belo vulcão Lanin na fronteira do Chile com a Argentina, Lago Caburga, vulcão Villarica, entre outros. Ventava forte e frio e a temperatuda caiu pra 9 º C

A cratera do Quetrupillán tem uma espessa camada de neve eterna dentro e não é uma cratera típica. Por este motivo seu segundo nome é Mocho.

A subida do vulcão Quetrupillán é uma otima trilha pra se fazer em 2 ou 3 dias onde voce pode atravessar e curtir diferentes paisagens no meio de uma Natureza calma e silenciosa. As longas horas de caminhada, dificuldades no percurso atée alcançar o topo e necessidade de acampar devido a lonmga distancia até a cidade mais proxima, com certeza, mantém centenas de turistas que fazem passeios de agencias de turismo, bem longe.

 

Lanin volcano seen from Quetrupillán´s crater / Vulcão Lanin visto da cratera do Quetrupillán

Lanin volcano seen from Quetrupillán´s crater / Vulcão Lanin visto da cratera do Quetrupillán

 

Depois de alcançar a cratera e apreciar a paisagem panorãmica eu ainda tinha mais 6 ou 7 horas para voltar até a área onde estava acampado, então decidi descer e visitar a Laguna Azul. Na verdade a Lagoa é verde, não azul. Talvez a cor esverdeada seja devido a água de degelo da neve carrear muitos sedimentos também, que ficam suspensos na água. Se é assim, no inverno, como não há degelo os sedimento decantam e a água ficaria, então, azul (?). Os chilenos sabem vender muito bem suas belezas naturais e atrações turísticas e como atrair mais turistas. Provavelmente, estão se aproveitando da fama do filme a Lagoa Azul e batizaram a lagoa com o mesmo nome.

Apesar dos 15º C, entrei na lagoa assim que cheguei lá. O cenário tendo o imponente vulcão Lanin ao fundo era inspirador. A Laguna Azul é bem rasa e um ótimo lugar pra quem gosta, seja com fins estéticos ou terapeuticos, de se lambuzar com lama vulcânica.

O dia seguinte – terceiro dia – começou com eu levantando acampamento. Arrumando e limpando as coisas pra deixar exatamente como encontrei e começar a caminhada de volta à Pucón. Peguei uma trilha diferente, Sendero Estero Mocho (axul no mapa mas vermelho no terreno, que é, como descrevi no início, um caminho mais curto e direto.

 

On the top / No topo

On the top / No topo

 

Então, pela primeira vez em quase três dias, cruzei com algumas pessoas: um casal de europeus que estavam chegando pra acampar na base do vulcão e tres chilenos cross-runners. Conversamos alguns minutos e os chilenos  me disseram que ainda estavam procurando tres homens que haviam se perdido em novembro último: um russo, um espanhol e um italiano. Ouvi esta história em Pucón e eles me explicaram que quando eles foram pegos por uma tempestade de neve conseguiram ainda ligar para algum lugar de Pucón dizendo que iriam esperar o tempo melhorar dentro de uma espécie de caverna que haviam encontrado. Como a tempestade durou quatro dias eles provavelmente morreram e ninguém sabe exatamente onde eles estavam quando telefonaram. Assim, em Pucón, podemos ouvir esta mesma história tendo diferentes cenários como o vulcão Villarica, Quetrupillán, etc. Fiquei bastante impressionado com os cross-runners: ” como eles podem correr o dia todo enquanto eu sinto tantas dores somente andando ?? “

O tempo virou e começou a chover. Não tive sorte de conseguir carona mesmo depois das Termas Palguin, até porque o movimento de carros era quase nenhum. Somente quase bem perto da estrada principal, eu devo ter andado uns 10km até ali, um casal muito simpático de austriacos – Wolfgang, Claudia e o pequeno Mathias – dirigindo uma Toyota 4×4 com cama e tudo dentro, pararam e me levaram de carona até Pucón.

 

Flowers / Flores

Flowers / Flores

 

Passei as últimas horas no camping Los Robles onde tinha estado e que é gerenciado de dezembro a março por uma familia muito amigável e hospitaleira de chilenos. Esperando a hora pra pegar meu onibus de volta à Santiago, às 9 da noite.

Tempestade, vento, frio.. Fiquei imaginando, preocupado, as poucas pessoas que cruzei naquela manhã e que estavam chegando à base do vulcão quando eu já estava descendo. Ainda estavam lá e, com este tempo terrível, não podiam nem sair da barraca. Quanta sorte eu tive chegando lá em cima, permanecendo e partindo exatamente no dias ensolarados e de céu azul. Mesmo não tendo feito nesta viagem e apesar da sorte, a liçao foi aprendida: o planejamento é muito importante.

Castelos do Acu trekking – Serra dos Orgaos National Park, Brazil

Para versão em português desça a página

Keeping the root-travelling idea we decide to hike Castelos do Açu Complex in the Serra dos Orgãos National Park, Petrópolis, Rio de Janeiro State, Brazil. Our aim was to explore the area carefully, enjoying all the nature jewels such as high fields orchids, plants, birds, landscapes, sightseeings. Most of the people that do that trail start running all the way long to achieve the “travessia” that brings you to the other side – Teresópolis – of the National Park. Unfortunatelly they loose a lot as we are going to show in these movies.

Mantendo a idéia de root-travelling, decidimos de fazer a trilha Castelos do Açu no naturalmente maravilhoso Parque Nacional da Serra dos Orgãos, em Petrópolis, RJ, Brasil. O objetivo era buscar as fontes de beleza do Parque e observa-las em toda a sua plenitude, aproveitando ao máximo. As plantas, flores, orquídeas, passaros e paisagens exuberantes deste bioma tão peculiar, a quase 2500m de altitude, são perdidos por quem sai em disparada tentando fazer a “travessia” – cada vez em menor tempo – e sair do outro lado do Parque, em Teresópolis. Vamos mostrar nestes filmes estas belezas que tivemos o privilégio de curtir.