Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Paraty – Pouso da Cajaiba – Martim de Sá

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Depois de muito convidá-la, minha amiga Galja disse que viria passar férias no Brasil com sua irmã, Anja. Como o tempo seria curto, achei que seria uma boa oportunidade para levá-las numa viagem de raiz aqui por perto do Rio de Janeiro mesmo. Temos ainda alguns paraísos bastante preservados como áreas de reserva.

Anja e Galja na rodoviária / Galja and Anja at bus station

Anja e Galja na rodoviária / Galja and Anja at bus station

Escolhi a Reserva Ecologica da Ponta da Juatinga, perto de Paraty. Há pouco tempo, tinha visto umas fotos belissimas feitas pelo meu amigo trilheiro Cristiano Sato. Achei que aquilo era um sinal e pedi umas dicas pra ele alguns dias antes. Não disse nada à Galja sobre pra onde iriamos, ela só sabia que íamos acampar. Acredito que isso tenha aumentado a curiosidade e a expectativa delas;

Mapa Travessia Ponta da Juatinga
O lugar é uma trilha de 3-4 dias onde atravessamos morros cobertos por Mata Atlantica intercalados com praias selvagens de água cristalina e areia amarelada grossa. Apesar de bem proximo do mar, chegamos atingir altitudes em torno de 500m, mas no parque há picos de mais de 1000m de altitude.

Barraco onde ficamos em Paraty / Shed where we stayed in Paraty

Barraco onde ficamos em Paraty / Shed we occupied in Paraty

Depois de alguns dias com muita chuva em Paraty durante os quais ficamos jogando sinuca no camping e aproveitando as delicias da gastronomia da cidade histórica, finalmente decidimos sair pro mato e enfrentar a trilha de qualquer maneira.

Aproveitando o Centro Histórico de Paraty / Enjoying in Paraty old town

Aproveitando o Centro Histórico de Paraty / Enjoying Paraty old town

Se pra mim seria frustante voltar ao Rio sem ter cumprido o objetivo da viagem, imagina pra elas que vieram lá de Saint Petersburgh !!

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Parece que nossa atitude fez a chuva diminuir e o tempo foi secando aos poucos nos dias seguintes.
Embarcamos no Cais dos Pescadores, na Ilha das Cobras, com Mestre Dito. Depois de mais de duas horas navegando ele nos levaria à Pouso de Cajaíba, algumas milhas depois de seu vilarejo natal, Calhau.

No Porto de Paraty / At Paraty port

No Porto de Paraty / At Paraty port

A primeira surpresa da viagem foi, depois de alguns minutos de mar tranquilo na baía de Paraty, enfrentar um mar bastante agitado assim que o barco contornou o Saco de Mamanguá rumando em direção à Pouso de Cajaiba (direção SE). Foi quase uma hora de mar agitado,  ondas grandes e chuva fina. Pelos gritinhos, imagino o que tenha passado nos pensamentos de Anja e Galja. Acho que até aquele momento elas deveriam estar se perguntando se não teria sido melhor ir para a Sibéria mesmo.

Ao chegar na praia de Pouso de Cajaíba, a segunda surpresa: acostumados com os confortos da cidade, talvez não esperávamos que tivessémos que pular do barco com as bagagens a uns 15 metros da areia. Água pela cintura, roupas molhadas. A viagem começava ali.
Depois de rir bastante preparamos tudo e metemos o pé na trilha. Logo nos primeiros quilometros me dei conta do quanto aquela viagem seria uma descoberta para elas já que tudo era tão novo, original, genuino: elas pararam gritando e tirando fotos de um simples cacho de banana verde;

Pouso da Cajaíba

Pouso da Cajaíba

O destino era Martim de Sá e lá chegamos depois de uma hora e meia de caminhada. Apesar do dia cinza a praia surpeendeu a todos pela beleza. Tivemos o primeiro contato com a paisagem que iria nos acompanhar durante toda a viagem: rios encachoeirados vindos das montanhas serpenteando pela areia até chegar ao mar. A permamente troca de águas do rio com o oceano é realmente uma dinâmica extraordinária.

Martim de Sá com

Martim de Sá com “nosso cachorro” / In Martin de Sá with “our dog”

Ali, conhecemos “nosso cachorro” que, anônimo, viria a ser nosso guia fiel em troca de torradas e algumas colheres de trigo sarraceno cozido.

(no próximo capítulo a trilha de Martim de Sá à Cairuçu das Pedras, inscreva-se no blog – página inicial no alto à direita – pra não perder)

ENGLISH VERSION
(written by me and Anja)

After inviting her many times, I finally had my Russian friend Galja coming to Brazil during holidays with her sister, Anja. As we would not have much time i thought it could be a good idea to let them experience a bit of “root travelling” somewhere nearby in the Rio de Janeiro state. We still have a few preserved paradise areas.

I chose Ponta da Juatinga Ecological Reserve, southern part of Rio de Janeiro state, close to Paraty. Not much time ago i´d seen awesome pictures made by my friend and hiker Cristiano Sato. I thought it might be a sign. I asked him for some tips a few days before leaving, and that was it: travelling without a lot of planning could be more exciting. To raise the adventure degree of the trip, i did not tell anything to Galja & Anja about our destination. I believe that also increased their expectations and curiosity.

The ultimate goal turned out to be a 3-4 days’ trail through wet rainforest mountains changing to wild sandy beaches with crystal green seawater. Although being very close to the ocean, we reached some points of 500m high and in the park there are peaks of more than 1000m high;

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

After a few rainy days in Paraty, where we stayed playing snooker and tasting delicious dishes of the gastronomy in the historical part of town, finally we decided to get into woods and face the trail whatever the weather. I guess, my disappointment in case of giving up would be nothing compared to the feelings of my friends who’d covered more than 11000 km from Saint Petersburgh !!

 

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

It seemed that our decision made the rain finally abate and the weather started to get drier during the next days. We embarked at Cais dos Pescadores, in the Ilha das Cobras neighborhood, on a boat of a fisherman named Dito. After more than 2,5 hours he would bring us to Pouso da Cajaíba(SE direction), a few miles away from his home town, Calhau.

Esperando a chuva passar no camping de Paraty / Waiting for a less rainy day for leaving the camping area in Paraty

Esperando a chuva passar no camping de Paraty / Waiting for a better day to leave the camping area in Paraty

Then we faced the first surprise of the trip – after a few minutes of a calm sea at Paraty´s bay – a very agitated ocean just after our small boat passed Saco de Mamanguá. Big waves and fine raining for more than one hour. It made the girls scream every now and then and I could imagine what was going on in their heads, something like: why have we left our home land ??

The second surprise was waiting at the shore: used to the comfort of the city, we didn´t expect to disembark 15 meters away from the beach simply by jumping right into the sea with all the luggage on. Water at waistline, all clothes wet. The journey had begun.

Chegando em Pouso da Cajaíba / Arriving in Pouso da Cajaíba

Chegando em Pouso da Cajaíba / Arriving in Pouso da Cajaíba

After laughing a lot at ourselves, we started our trek. Just a few kilometers of walking – and i realised what a discovery this trip would be for the girls since everything was so unknown, original and genuine: they stopped shouting and taking pictures in front of an ordinary (for me) banana tree.

Destination was Martim de Sá where we came after walking for an hour and a half. In spite of a cloudy day, the beauty of the beach amazed us all. It was our first contact with a landscape that would follow us during the hike: rivers coming from the mountains, meandering through the beach sand and meeting the sea. The constant water exchange between the rivers and the sea had an extraordinary dynamics.

Martim de Sá

Martim de Sá

 

There we met “our dog” that anonymously became our trekking guide in exchange for some toasts and a few full spoons of cooked buckwheat.

 (next chapter trekking from Martim de Sá to Cairuçu das Pedras. Subscribe the blog – home page right up side – and don´t miss it)

Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Martim de Sá-Cairuçu das Pedras-Ponta Negra

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Depois de Martim de Sá, agora já com a companhia inseparável do nosso cão-guia, chegamos em Cairuçu das Pedras. Já eram quase cinco da tarde e decidimos acampar. Depois de montar as barracas fomos rapidamente dar nosso primeiro mergulho à noite na estreita e agitada praia de Cairuçu das Pedras que, como o nome diz, é cheia de enormes blocos de pedra. Com os grosseiros grãos da areia da praia, quando a onda vem encharcando-os, nós afundamos até quase os joelhos devido a grande quantidade d´água intersticial e a baixa coesão entre eles.

Acampando em Cairuçu das Pedras / Camping at Cairuçu das Pedras

Acampando em Cairuçu das Pedras / Camping in Cairuçu das Pedras

O caminho até a praia é ingreme e, pela proximidade da mata, muito úmido. Quando voltávamos, Anja caiu e cortou o braço. Então fomos lavar o sangramento na água salgada do mar. Depois, ao lado das barracas, comemos, cantamos (elas) e dormimos (quase) totalmente felizes. Não pudemos fazer uma fogueira já que tudo estava bastante molhado depois de vários dias chovendo.

Na manhã seguinte aproveitamos a cachoeira de água cristalina que cai na areia da praia. Conhecemos a única familia que mora ali, numa casa de taipa simples, sobrevivendo há décadas da pesca e da agricultura.
O velho pescador fazia tranquilamente um cesto com um cipó da região chamado “timbopeba” enquanto sua esposa estendia a roupa no varal e o genro chegava da pescaria com uma dúzia de peixes.

Naquele momento já me arrependia de não ter passado repelente. Tinha enormes picadas de mosquito pelo corpo apesar de que, não coçavam. Com certeza estava criando muitos diferentes anticorpos 🙂 .
Já minhas amigas tomaram, antes de embarcar para o Brasil, várias vacinas e remédios contra malária, febre amarela, dengue entre outras que não sei. Isto me fez chegar a conclusão que, em geral, estando no estrangeiro conhecemos muito pouco sobre a verdadeira realidade de outros países e, buscando informações, em geral elas vão se perdendo e se modificando pelo caminho, chegando até nós, finalmente, distorcidas.

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Partimos para Ponta Negra. Talvez a parte mais difícil de toda travessia já que há uma longa distancia a percorrer em subida forte. Mas, no topo, a Mata Atlantica é exuberante e, com quase 500m de altitude, apresentava uma grande umidade e frescor apesar do sol forte e ceu sem nuvens. Quando parávamos de andar para descansar rapidamente o corpo, todo suado, começava a esfriar e sentíamos muito frio já que o sol não conseguia atravessar a floresta densa. Passamos por uma impressionante gruta formada por um gigantesco bloco de rocha inclinado. O anfiteatro deve ter algo em torno de 60m2 e uns 4 m de altura na sua parte mais alta.
O grande esforço fisico que tivemos que fazer para vencer a subida de Cairuçu das Pedras rumo à Ponta Negra, foi amenizado pelos cantos de musica foclórica russa de Galja e Anja. Principalmente quando cantavam em canon à duas vozes. Mas este esforço da subida não era nada se comparado àquele que fariamos se estivéssemos fazendo a travessia no sentido inverso. A descida final pra Ponta Negra é muito ingreme e se tivéssemos que subi-la certamente levariamos muito tempo.

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Se para mim estava sendo uma aventura reveladora aquela Travessia, já que nunca a tinha feito, imagino para as duas russas que, pela primeira vez, estavam viajando fora da Europa. O Brasil era para elas um país mágico mas totalmente desconhecido quanto à natureza, língua, comida, clima, cultura. Até o ar úmido e quente deveria estar fazendo muita diferença. Posso entender como insetos pequenos e inofensivos para nós, foram tão assustadores para elas. Baratas do mato, besouros e pequenas aranhas eram recepcionadas por gritos. Quando eu as ouvia parecia que estávamos sendo seguidos talvez uma onça parda faminta. Em um destes episódios, estávamos andando tranquilamente quando Galja avistou uma aranha e gritou alto. “Nosso cão”, que estava muitos metros à frente, voltou em disparada latindo muito. E prosseguiu – pensando que estávamos sendo atacados – correndo em círculo numa maneira de nos proteger. Ainda bem que ele não sabe que foi só uma pequena aranha.

Uma noite, se não me engano em Cairuçu das Pedras, elas começaram a gritar de dentro da barraca porque havia um Louva-Deus lá. Eu disse pra elas se virassem porque já estava dentro do saco de dormir e estava chovendo do lado de fora. Depois de alguns minutos de muita gritaria, acho que passaram no teste. Depois me agradeceram por tê-las deixado viver sozinhas esta “experiência forte” .
Já passei por isso em outros paises e sabia como todo este mundo desconhecido faz muita diferença nos nosso pensamentos. Na verdade, nas viagens de raiz, poder experimentá-lo era justamente a razão de tudo. É claro que muito da expectativa, medo e ansiedade são gerados por nossa própria imaginação que processa e aumenta as informações que chegam, às vezes distorcidas. Enfim, viver alguns dias “fora da zona de conforto” era o objetivo de nossa viagem.

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Espero que um dia minhas amigas possam se dar conta como estas pequenas adversidades e este mundo desconhecido e “fora do controle” contribuíram para um sutil aprendizado que vai estar com elas daqui pra frente.
Estava sendo uma verdadeira viagem de raiz já que em geral elas planejam e sabem muito bem onde vão dar cada passo. Desta vez era diferente e como soube, algum tempo depois, confiaram em mim para que tudo corresse bem. Ainda bem que não tive consciência de toda esta responsabilidade durante a viagem.

Como tínhamos levado apenas duas garrafinhas de água para os três, a cada córrego d´água que passávamos aproveitávamos pra beber bastante. Sempre com muito calor e sede, eu bebia muita agua. E de uma vez só. Galja me disse que deveria tomar a água devagar, em pequenos goles, dando tempo assim que o corpo absorvesse o liquido. Concordei e disse para mim mesmo que, a partir daquele momento, iria fazer daquela maneira.
Depois do dia todo caminhando, conversando e cantando, chegamos em Ponta Negra, talvez o vilarejo mais populoso da viagem. Em torno de 500 pessoas vivem lá. Era umas três horas de uma tarde ensolarada e as crianças se divertiam jogando bola na areia da praia. Estávamos muito cansados e com fome. Demos sorte de ter encontrado almoço na casa da Branca. Decidimos então comer e ficar por ali mesmo.

 

ENGLISH VERSION

(written by Anja and me)

After Martim de Sá, actually with the inseparable fellowship of our guide-dog, we reached Cairuçu das Pedras. It was almost 5pm and we decided to camp. After having pitched tents, we went to a narrow beach down the hill to enjoy our first night bathing in the rough sea. There, the coarse sand, easily saturated by the breaking waves, made us sink into it almost to the knees such as we were in a quicksand.


As the very name suggests,
Cairuçu das Pedras beach is plenty of huge blocks of rocks. The path to the beach is steepy and very wet by proximity with the forest. On our way back, Anja suddenly slipped and cut her arm and hip – we had to return to disinfect the bleed in the salty ocean. Afterwards, beside the tents, we ate, sang (girls) and slept (almost) totally happy. Pity we couldn´t make fire: the wood was wet after many days of intense rain

 

 

Casa de pau à pique em Cairuçu das Pedras / Mud House at Cairuçu das Pedras

Casa de pau à pique em Cairuçu das Pedras / Mud House in Cairuçu das Pedras

Next morning, the sunrise was wonderful.  It seemed we would finally have the first sunny day of our crossing. After enjoying breakfast and a shower in a small crystal-clear waterfall falling down directly into the sea, we went to get acquainted with the only Cairuçu´s inhabitants – the only family living there for decades in a simple mud house and surviving basically on fishing and growing own food.
The old fisherman was calmly weaving a “timbopeba” (a local vine) basket while his wife was hanging washed clothes on a clothesline and the son-in-law had just come back from an all-night-long fishing trip with dozens of fish.

By that time i had already regretted not having rubbed mosquito repellent on my body. I had huge bites everywhere altough they were not itching. Surely i was creating many different antibodies. 🙂 . Concerning my friends, before going to Brazil  they had taken few vaccines and pills against malaria, yellow fever, among others that i´ve never heard of. Most of them, as we know, are useless in this part of Brazil what made me think that- being abroad – our knowledge of the daily reality of other countries is usually scarce and distorted. Only travelling can fix it.

At around 10am we´ve pitchted tents down and left Cairuçu heading Ponta Negra. It was probably the most difficult part of all trekking. We had to struggle up a long and steep ascent. On the top of the mountain rainforest was dense and exuberant and at around 500m high – even in a hot sunny day – we had a fresh and wet weather inside the forest. Sun could barely pierce into the tight forest. As a result, the moment we stopped to rest, our sweaty and hot bodies immediately started to get cold. One of such stops was made at a cave formed by a huge and tilted block of rock.. The main room was quite impressive having around 60m2 and around 4m high at the highest point.

The tremendous physical effort we made to reach the highest point of this part of the trail – between Cairuçu das Pedras and Ponta Negra – was mitigated by Anja and Galja singing russian folk songs, among them canons and two-part melodies. But the effort climbing up the ascent from Cairuçu to Ponta Negra is nothing compared to the reverse route i.e., the final descent to Ponta Negra turned out to be almost vertical. It would have taken us ages to climb up that slope.

Whether for me that adventure was a such discovering trip -maybe because it was my first time there – let alone the two russian girls: first time outside from calm and well-known Europe in a magic and totally unknown country in terms of nature, insects, language, food, weather, culture and even air – hot and humid – adding to the confusion.

 

 

Momentos felizes / Happy moments

Momentos felizes / Happy moments


Only now i can understand why small and innofensive bugs seemed so scary to them. Wild cockroachs, beetles and small spiders were welcomed by several shouts in a row. They screamed so loud that – for instances –  I thought we were followed by a hungry jaguar or so.
I remember one of these occasions: we were walking peacefully when Galja suddenly saw a spider . She screamed so loud that “Our dog” – that was many meters ahead – raced back barking and kept running around us in circles because he obviously thought we were under attack. If only he knew it was just a tiny spider he was trying to defend us from…

Another night – if i am not wrong in Cairuçu das Pedras – the girls started shouting from inside their tent because there was a grasshopper there. I told them – from my tent – they had to manage on their own because i was already inside my sleeping bag and it was raining outside. A few minutes later, as the silence finally fell I assumed they dealt with it quite well. A Few weeks later they thanked me for leaving them to live that “strong experience” alone.

Fora da zona de conforto - mentes concentradas / Out of our comfort zone - concentred minds

Fora da zona de conforto – mentes concentradas / Out of our comfort zone – concentrated minds

I also had that kind of experience when travelling abroad on my own. And i know very well how an “unknown world” can be a challenge. Truly, “root-travelling” is an opportunity to experiment it. Discovering an unveil world is the reason of travelling. Of course, our expectations, fear and anxiety are mostly created by our own mind that makes them grow inside, especially when having received distorted information. Anyway, living a few days outside of our comfort zone was the main objective of our trip.


I hope one day in the near future my friends could realize how those difficulties, unknown world and out-of-control moments we lived together contributed with a subtle knowledge that will be with them forever. I think that was a real root travel for them because normally they plan and know very well in advance every step to be done. At this point that journey was different and they told me afterwards that it was me whom they had tacitly entrusted themselves to. Thankfully, I was not aware of all this responsibility during the trekking…

Back to our adventure, as we brought only two small bottles of water, we took advantage of every fresh and clean water river we crossed by, to stop on it and drink, filling the bottles afterwards. These days were hot and sunny so, at every stop i drank very fast – a few litres almost in one gulp – so Galja wisely pointed out that I should slow down to give time for every cell of my body to absorb the water. I agreed with her and decided that i would apply that principle in my life.
After the whole day of hiking, talking and singing, we reached Ponta Negra, maybe the most densely populated village of all; I guess there were around 500 inhabitants living there. It was a sunny and beautiful winter afternoon and kids were having fun playing football on the beach. We were very tired and hungry. We were lucky to still find lunch at a sort of Café. It was Branca´s house on the top the hill. So, we´ve decided to eat and camp there.

 

Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Ponta Negra – Antigos – Praia do Sono

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Na casa da Branca, conhecemos a familia. A encantadora Jaciara e o menino Ian. Enquanto comíamos arroz, feijão salada e ovo caipira, brincamos com eles. Galja preparou o trigo sarraceno para o dia seguinte. Desta vez cozinhando à moda antiga: colocou água fervendo numa panela com o trigo, tampou e embrulhou com um pano.

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Café da Manhã / Having breakfast

No outro dia não só estava pronto, como estava delicioso e ainda morno. E que economia de energia!! Eu estava muito grato de estar aprendendo tanto da cultura e hábitos do povo russo com as duas.

Casa típica da região / Local house built with natural materials

Uma Escola, casa típica da região / A school, local house built with natural materials

Apareceu o dono do “nosso cachorro” na casa da Branca. Era da Praia do Sono, o ponto de chegada no dia seguinte. E como o cachorro não quis ir com ele, preferindo ficar com a gente, prometemos levá-lo até em casa.

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Detalhe de uma pedra entalhada provavelmente por povos antigos que habitaram a região / A stone probably carved by the ancient local people

No outro dia pegamos a trilha – que fica atrás da casa da Branca – e logo depois paramos num rio encachoeirado e aproveitamos um pouco, antes de atravessá-lo e seguir viagem.

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Despedida de Ponta Negra / Ponta Negra´s farewell

Chegamos em Antigos uma hora depois. Praia exuberante e deserta. Paramos, mergulhamos e curtimos por algumas horas.
Quando estávamos prontos para partir, “nosso cachorro” saiu da mata em alta velocidade perseguindo um lagarto Teiú . Foram quase meia hora de briga pela vida entre os dois. No final da historia acreditamos que o lagarto tenha se afogado, pois sumiu no mar. Talvez tenha visto como unica maneira de tentar se livrar do cão-caçador. O rabo do lagarto, arrancado com uma mordida, ainda se mexia na areia. O cachorro também tinha levado uma mordida pois o focinho sangrava. Que dia agitado!!

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Antigos

Depois da situaçao se acalmar e do cão finalmente desistir de caçar o lagarto que desaparecera no mar, partimos para a Praia do Sono. Quando paramos na borda de um riacho para descansar, conversar e beber agua, pude ter certeza que o maior ensinamento é o experimental: quando me dei conta, já tinha bebido toda a garrafa que havia enchido. E praticamente de um gole só. Apesar de ter comigo o ensinamento de Galja sobre o porque beber água devagar, ele era ainda só intelectual e teórico. Meu hábito continuava o mesmo e o condicionamento agia mais rápido não dando tempo de pensar. Era preciso mudá-lo devagar, praticando. Isso leva tempo.

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Chegamos no Sono por volta das 3h da tarde. Mais uma praia linda com lagunas interiores e, logo na chegada, um rio desaguando água doce no mar. O rio tem bom volume d´água tanto que foi impossível atravessá-lo sem tirar as botas.

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Praia do Sono

É uma praia bem longa (talvez 3km) e bastante povoada com vários bares e restaurantes à beira mar. Num deles, é possivel ver um gigantesco osso da cabeça de uma baleia que encalhou na Praia de Antigos e foi trazido pelos pescadores.

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Parte do esqueleto de uma baleia / Together with a whale´s head bone

Como queríamos chegar no Rio de Janeiro ainda no mesmo dia á noite, atravessamos direto a praia e continuamos a trilha rumo à Vila de Laranjeiras de onde íriamos pegar ônibus para Paraty.
De repente percebemos que “nosso cão” havia sumido. Então estava provado que a Praia do Sono era mesmo sua casa. E ele nos deixou. Sem despedidas. Era amor e fidelidade, sem apegos. Quando chegou o momento, encarou e realidade e foi tranquilamente. Nem vimos. Quando nos demos conta, ficamos um olhando pra cara do outro com um leve sorriso nos lábios. Quem sabe um dia vamos nos reencontrar…

 

 

 

ENGLISH VERSION
(written by me and Anja)

In the Café belonging to a woman named Branca we met her family: the enchanting Jaciara and her cousin, Ian. While eating a delicious dish prepared by Branca, we played with the children.

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Camping & Café

 

Galja also prepared buckwheat for the next day´s breakfast, following the old-world recipe: pouring boiling water in a pot with buckwheat and then wrapping it in a cloth. The next day the buckwheat was perfectly cooked, still both hot and delicious. What a bright example of energy efficiency!! It was amazing to learn so much from russian culture and habits.

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The real owner of “our dog” appeared unexpectedly. He told us that he lives with the dog at Praia do Sono. As the dog didn´t want to come with him preferring to stay with us, we promised him to bring it home since that was our final destination.
Next day we got the trail – that is exactly behind Branca´s house – and a few minutes later we stopped at an amazing river with waterfalls, which we enjoyed for a few moments before crossing it to keep hiking.

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Antigo´s beach

We reached Antigos one hour later. A wonderful and deserted beach indeed. We took a break for bathing and enjoying it. We were about to leave when out of the forest there suddenly appeared “our dog” running at a very high speed chasing a lizard. They fought during several minutes at the shoreline. Finally we believed the lizard drowned : have disappeared in the ocean (i don´t know if this species can stay underwater without breathing for several minutes). Maybe it was the only hope it had to get free from the hunting dog. The lizard´s tail – bitten off by the dog – was still moving on the sand. The dog was also bitten in the muzzle that was bleeding. What day !!

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Anna mostrando coragem / Anna´s bravery

When our dog finally gave up hunting the lizard in the ocean, the calm of Antigos was restored and we left through a forest trail heading Praia do Sono. After some walk we stopped at a small river to rest, talk and drink water, and there i could realize – once more – that the best wisdom is the experimental one. Once again, i drank the entire bottle of water in just one gulp. Even though having Galja´s teaching about drinking water slowly, this knowledge was still only intellectual and theoretical for me. My habit is still the same and the conditioned mind acts faster than intellectual thoughts. It is necessary to change it slowly, practicing.

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We arrived at Sono at around 3pm. Once more a wonderful beach with inner lagoons and a fast flowing river bringing fresh water to the sea. The river is quite wide and we could not cross it without taking our boots off. Sono is a long beach , maybe 3km, with many bars and hostels including the one where we could see a huge whale´s head bone that grounded at Praia de Antigos and was brought there by fishermen.

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Um rio logo na chegada da Praia do Sono / A river bringing fresh water to Sono beach

As we would like to arrive in Rio de Janeiro that night, we crossed the beach and continued the trail with many stairs up to Vila de Laranjeiras from where we could take a bus to Paraty.

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Igreja no Sono / A church at Sono

Suddenly we noticed that “our dog” had disappeared. We concluded Praia do Sono was really his home beach. He left us. No farewell. It was real love and fidelity, with no attachments. When the moment to leave came, he faced the reality and went away quietly. We didn´t see him and it was better like that. We just looked at each other smiling. Who knows, one day we may see each other again…

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Na parte final da trilha para Vila Laranjeiras / Last part of the crossing heading Vila Laranjeiras