Galápagos: El Garrapatero (Ilha Santa Cruz)

(FOR ENGLSIH VERSION, PLEASE SCROLL DOWN)

Foi impossivel encontrar em Puerto Ayora aquela latinha de gás pra cozinhar no camping. Como é proibido levar no avião, deixo sempre pra comprar na cidade que chego. Mas em Galápagos não tem. Fogueira é terminantemente proibida no Parque Nacional. Me aconselharam então comprar e a levar carvão já que em Garrapatero havia caixas tipo churrasqueira e poderia, de alguma maneira, cozinhar nelas. Achei muito complicado e preferi comprar uns ótimos croissants e queijo maturado que tem no maior supermercado da Ilha Santa Cruz (no finalzinho do porto).

Eu tinha comigo também nozes, amêndoas, castanhas, granolas e frutas secas. Estava resolvido o farnel. E, de qualquer maneira, não ia acampar mais de dois dias em El Garrapatero já que meu tempo era curto pra explorar o arquipélago de Galápagos

Mapa informativo na chegada á El Garrapatero / Informative map at the entrance of El Garrapatero beach

Mapa informativo na chegada á El Garrapatero / Informative map at the entrance of El Garrapatero beach

Se vai acampar em algum canto do arquipélago, importante levar bastante água já que não tem nascentes de água doce nas ilhas. Toda água usada em Galápagos vem do mar e da chuva. Às vezes a água do mar é usada diretamente nos banheiros, como fiquei sabendo ser o caso de Garrapatero.

Vegetação costeira, seixos de pedra vulcanica e maré alta / Coastal vegetation, volcanic debris and high tide

Vegetação costeira, seixos de pedra vulcanica e maré alta / Coastal vegetation, volcanic debris and high tide

A água potável – achei muito saborosa – é tratada por osmose reversa. Comprei um galão e parti pra Garrapatero numa caminhonete-táxi com preço – barganhado –  de US$ 15 (normalmente custa US$ 20).
Não tinha tempo mas uma boa opção – apesar das subidas – é ir de bike . O caminho até Garrapatero atravessa pequenos povoados rurais. Aliás, praticamente todas as ruas e estradas em Santa Cruz tem uma ciclovia ampla e bem feita ao lado.

Cheguei no inicio da tarde em Garrapatero. Fui recebido pelo guarda-parques que me explicou tudo direitinho.
Com a maré alta, o visual da praia é maravilhoso. Areia branca, sol quente e mar cristalino, mais uma vez. Cercada por vegetação costeira e pequenas enseadas que escondem manguezais. Quando a maré baixa, revela uma outra praia. Cheia de pedras vulcânicas pretas por todos os lados o que dificulta um pouco as caminhadas para explorar os arredores, e até os mergulhos.

Casinha do Guarda-Parque / National Park´s  station

Casinha do Guarda-Parque / National Park´s station

Por outro lado eu compreendi em Galápagos que o período de marés baixas (quando eu estava lá era na parte da manhã até o meio da tarde) é o melhor para observação da Natureza. O recuo da água do mar revelava uma incrível explosão de vida costeira que fica submersa. É impressionante como esta micro-vida, quase invisível mas extraordinária e bela, passa despercebida aos turistas tradicionais que estão preocupados correndo para conhecer as “grandes atrações” oferecidas pelas agencias de turismo.

Caranguejo comum em Galápagos (Grapsus grapsus) / Crab of Galapagos (Grapsus grapsus)

Caranguejo muito comum em Galápagos (Grapsus grapsus) / Crab of Galapagos (Grapsus grapsus)

Haviam poucas pessoas na praia e logo percebi que eu seria o único a passar a noite ali.
O local reservado pra o camping fica no meio de um emaranhado de galhos e copas de manzanillo, uma arvore muito comum por lá . São baixas mas as copas se unem no alto formando uma espécie de túnel, praticamente não deixando passar a luz do Sol.
Tem avisos pedindo pra não tocar no manzanillo porque ele seria toxico. Mas eu, sinceramente, acho que é para que as pessoas não se pendurem nas arvores danificando-as. Porque é essa a vontade que dá (subir naqueles galhos tão baixos), mas com certeza iria causar degradação.

Marcas deixadas pelo recuo da maré / Structures left by the low tide transition

Marcas deixadas pelo recuo da maré / Structures left during high to low tide transition

Com o cair da noite os poucos turistas e o guarda-parque foram embora e eu fiquei, como previsto, completamente só. Como estava muito cansado fui dormir cedo, acho que umas 19h.
Despertei no meio da noite e olhei no relógio: passava um pouco da 1h da madrugada. De repente comecei a escutar alguns barulhos. Como passos de uma pessoa. Bem suaves e vagarosos mas eram passos por cima da folhas caídas das arvores. Lembrei que não havia uma viva alma num raio de, pelo menos, 15km.
Pensei no que fazer. A única coisa que me veio a cabeça era também me mexer e fazer barulho pra ver se o barulho vindo de fora cessava.
Tive a ideia também de abrir o bolso da mochila e pegar o canivete e a lanterna. Bati um no outro gerando um ruido metálico pra dar a entender que estava “preparado pra tudo”. Quando parava pra escutar, continuava a ouvir os passos vagarosos bem perto da barraca. Passaram-se uns quinze minutos de agonia mas pareciam bem mais.
Nem sei como, mas adormeci novamente e só acordei ao amanhecer. Estava inteiro. Foi quando entendi que não havia ninguém andando ao lado da barraca. Não passava de ruídos da floresta que nós associamos com outros que já conhecemos. Já tinha acontecido outras vezes em acampamentos, mas mesmo assim fiquei com muito medo. De novo.

Laguna costeira / Coastal lagune

Laguna costeira / Coastal lagune

A configuração da praia havia mudado completamente com o recuo de mar em mais de 50 metros. Isso expôs as pedras pretas por toda as partes mas foi perfeito pra explorar a fantástica explosão de vida que só Galápagos pode oferecer com a maré baixa. Pequenos peixes em poças de água do mar retidas,  caranguejos, milhares de ostras, mexilhões e tatuís e aves, muitas aves. Sem falar nas iguanas marinhas, pardais de Galápagos e pelicanos que estavam sempre por toda parte.

Contraste entre a rocha vulcanica e estruturas deixas na areia com a baixa da maré / Contrast between the volcanic rock and the sand structure due to the low tide

Contraste entre a rocha vulcanica e estruturas deixas na areia com a baixa da maré / Contrast between the volcanic rock and the sand structure due to tide regression

Foi em Garrapatero também que tive contato com uma mosca enorme. Deve ter quase 2 cm e ela gruda na pele e pica forte pra chupar sangue. Conversando com o guarda-parque (de novo no seu posto de controle) ele me disse que se chama “tábano” e que ataca mais no verão (estávamos no verão) e, principalmente, depois que saímos molhados da água (pode ser que seja atraida pelo brilho da pele molhada ao sol).
Não poder entrar na água naquele paraíso do Pacifico por causa daquela mosca seria demais.

 

(ENGLISH VERSION)

It was impossible to find in Puerto Ayora the small gas bottle to cook during camping time. As it is absolutelly forbidden to carry it in airplanes, i always buy it in the final destination town before the camping site. But in Galapagos, maybe because camping is not a trend, there is no. Wood camping fire is not allowed in the National Park. Then, someone advised me to bring coal because in Garrapatero they have these brick-boxes barbacue facilities.
I guessed it would be very complicated and i´ve decided to buy the very good croisssants available in town and some maturated cheese. I also brought from Brazil, nuts, muslies, dried fruits. Ready to eat. So, i thought i was more than enough for just two days i would like to spend in Garrapatero.

Uma Lagarta da Lava de Galapagos (Microlophus albemarlensis) / A Female of Lava Lizard of Galapagos (Microlophus albemarlensis)

Um Lagarto da Lava de Galápagos (Microlophus albemarlensis) / A Female of Lava Lizard of Galapagos (Microlophus albemarlensis)


It is very important to bring a lot of water because there is no fresh water springs in the islands. All fresh water used in
Galapagos come from the sea and from the rain. Sometimes sea salt water is directly used in the toilettes and, as i knew, it was the case of Garrapatero.

The fresh drinkable water – i found it very tasteful – is treated by reversed osmosis.
I bought one gallon (around 5 liters) and headed Garrapatero in a taxi that costed to me US$ 15 after some time of negotiation (normally it costs US$ 20).
I didn`t have much time for it but a very good option – in spite the hills – is to go by bike. The path till there cross small and cute country-side villages. By the way, almost all streets and main roads in Santa Cruz have well done and large bike lanes .

I arrived in El Garrapatero early afternoon. I was guested by the ranger that explained me everything about the rules.

 

With high tide the beach sightseeing is wonderful. White fine sand, hot sun and cristal clear sea once more. All surrounded by coastal vegetation, small coves hidden by manglars. When tide goes down, another beach is revealed. Full of volcanic rocks everywhere that before we couldn´t see. It makes hiking to explore a bit more difficult. Have to take care when diving as well.

A praia de Garrapatero com a maré baixa / The Garrapatero beach during low tide

A praia de Garrapatero com a maré baixa / The Garrapatero beach during low tide

On the other hand i understood that low tide period (when i was there it was from early morning till middle afternoon) is the best time for watching Nature. The sea water retreat reveals an amazing explosion of coastal life that is otherwise submersed. It is impressive how these microscopic and mesoscopic life, almost invisible but extraordinarly beautiful, will normally not be noticed by traditional tourists always hurried to get to know the “big atractions” offered by tourism agencies.

Explosão de microvida invisível em Galapagos / Explosion of invisible microlife in Galapagos

Explosão de microvida invisível em Galapagos / Explosion of invisible microlife in Galapagos

Not many people at Garrapatero´s beach and very soon i understood that i would be the only one there during the night. The camping site is in the middle of a forest of manzanillos,  a very commom tree in Galapagos. They are short but their top get together forming a kind of tunnel. From below you can barely see the sky

There are signs asking people to not touch the manzanillo trees because they are supposely toxic but i sincerely think they are really worried about degradation if people keep hanging on them.

Vegetação seca de Galapagos / Dried vegetation of Galapagos

Vegetação seca de Galapagos / Dried vegetation of Galapagos


With nightfall few tourists and the ranger that were there went away and i stayed completly alone. As i was very tired went to “bed” very early, around 7pm.

Suddenly i awake in the middle of the night. It was around 1am. Immediately after i started hearing some noises. They were like steps of a person. Very gentle and slowly but they were steps over the fallen tree leaves, Then i remembered that i was completely alone there and probably the nearest person would be around 15km away.

I planned what to do and the only thing that came to my mind was tho move myself as well making as much noise as possible expecting to “make that man afraid enough to escape”
I also had the idea to take off my knive and torch from backpack hit one against the other making a metallic noise that could be interpreted that i was “prepared for everything”.
I was still hearing the slow steps very close to the tent. The agony lasted for around 15 minutes but it seemed to be much more.
I dont know how but i fell asleep again and when i waked up in the morning i realised that i was still alive.
So, i understood that there was no perosn walking around the tent during the night. Those were noises from forest that we normally associate to other noises we already know . Maybe they were small animals walking around. I realised it already happened to me during other camping times but still i´ve got very scared.

Caranguejo vermelho muito comum em Galápagos / Red crab very common in Galapagos

Caranguejo vermelho muito comum em Galápagos / Red crab very common in Galapagos

Next day, early morning the beach landscape was completely different because sea level retreated more than 50 meters. It exposed volcanic black rocks everywhere but it was perfect to explore and observe the amazing crop of coastal life that only Galapagos could offer.

Small fishes in enclosed and new formed lagoons, crabs, oysters, different shell-like animals, birds, iguanas, Galapagos´pinchones (finches), pelicans and many other.

Pequenos peixes aprisionados numa poça deixada pela baixa da maré / Small fishes enclosed into a puddle during the low tide

Pequenos peixes aprisionados numa poça deixada pela baixa da maré / Small fishes enclosed into a puddle during the low tide


It was in
El Garrapatero i met a enormous fly (almost 2cm long) that sticks on your skin biting you hardly in order to suck your blood.
Talking with the ranger (once again at his checking point) he told me that fly is called “tábano”. They are more agressive during summer (and it was summer !!) and principally when people get off the sea after a bath. Maybe the shining wet skin attracts them.
I was thinking about have restriction to get into that wonderful sea in such paradisiac island of Pacific because of a fly would be a real torture.

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Galápagos : Puerto Ayora – Tortuga Bay – Las Grietas (Santa Cruz)

(FOR ENGLSIH VERSION , SCROLL DOWN)

Galápagos é um arquipélago formado por dezenas de ilhas vulcânicas. Isto quer dizer que o fundo do aceano se abriu , começou a expelir tanta lava que foi se acumulando até chegar à superficie. E foram sendo formadas todas as ilhas. Umas pequenas e desabitadas, outras bem grandes, como Isabela por exemplo.

A Ilha Baltra é onde fica o aeroporto principal. Praticamente só tem isso.
A partir daí, e se quiser conhecer todo o arquipélago, vai começar uma peregrinação de vários modais entre ônibus, caminhonetes brancas (são os táxis), balsas (maiores, mais lentas levam muitas pessoas e até carros) para curtas distâncias e lanchas (menores e mais rápidas, para distancias maiores).

Opuntia - especie de cactos endêmica de Galapagos / Galpagos´ endemic specie of cactus

Opuntia – especie de cactos endêmica de Galápagos / Galapagos´ endemic specie of cactus

Há três ilhas principais e com melhor estrutura turística: Santa Cruz, Isabela e San Cristóbal. Estive nas duas primeiras e vocês, em breve, vão entender porquê.
A Ilha Santa Cruz é a mais desenvolvida,. Mais serviços e mais organizada pra receber os milhares de turistas que passam por lá todo ano.

Cem por cento da economia gira em torno do turismo. Por isso, criou-se uma industria em torno da atividade da qual, como vocês vão entender ao longo dos capítulos , tentei escapar à todo custo.

Puerto Ayora do alto / Puerto Ayora from above

Puerto Ayora do alto / Puerto Ayora from above

Assim que cheguei em Puerto Ayora – uma espécie de capital da Ilha Santa Cruz -, minha primeira preocupação foi ir à sede do Parque Nacional Galápagos pra requerer a autorização para acampar. Lá, fui muito bem recebido por Luis Fernando, que me explicou que em cada ilha eu deveria repetir o mesmo processo.

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Locais para Camping com autorização do Parque Nacional Galápagos
(US$ 10, cópia e original do passaporte para cada autorização)

Santa Cruz: El Garrapatero
San Cristobal: Puerto Chino / Puerto Grande / Manglesito
Isabela : Minas de Sufre e Volcan Chico (somente com guia de turismo)

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Pelicano / Pelican

Pelicano / Pelican


Estas áreas estão dentro do parque nacional que engloba 95% do arquipélago.
A principio, fora dele você pode acampar em qualquer área privada com autorização do proprietário como é o caso do El Ceibo ( na Ilha San Cristóbal).

Para quem vai ficar em pousadas tem muitas opções de todos os preços. As mais baratas ficam em torno de US$ 25 mas procurando bem dá pra achar por até US$ 17 ou US$ 15;

Um passeio bem interessante, e que fica perto do centro da cidade, é a própria Direção do Parque Nacional onde tem uma estação de pesquisa, um pequeno museu. Pode-se ter um primeiro contato com as tartarugas gigantes terrestres que em espanhol se chamam galápagos e deram nome ao arquipélago.

Na verdade o que mais se vê em Galápagos, são os cágados (termo correto em português, que vivem parte na água e parte na terra) e os jabutis (que vivem somente em terra). Tartarugas são os quelônios (repteis com carapaça) que vivem exclusivamente na água (no mar de Galápagos tem muito também). Mas neste blog, para melhor entendimento, vamos nos referir a todos eles com o nome genérico de “tartaruga”.

Outro lugar legal, no centro de Puerto Ayora, é a Laguna de Las Ninfas.
É uma laguna conectada ao mar, bem tranquila onde podemos observar, andando por uma passarela, vegetação e fauna de mangue.

O cais de Puerto Ayora é outra atração da cidade. Primeiro pela movimentação frenética de barcos. Mas também pelos lobos marinhos que sobem as rampas e ficam deitados nos tapetes e bancos do cais “uivando” pra quem chega muito perto. Os pelicanos estão sempre por perto também e, dentro d´agua, pode-se ver muitos peixes, entre eles filhotes de tubarão que se aproximam em busca de comida e também à noite atraídos pelas luzes.

Porto Ayora / Puerto Ayora

Porto Ayora / Puerto Ayora

É deste cais que sai as lanchas rápidas para as outras ilhas: Em geral entre 6 e 7 da manhã e entre 14 e 15h da tarde (verifique os horários no local).
As passagens pras ilhas Isabela e San Cristóbal tem preço fixo tabelado: US$ 30. Devem ser compradas – com antecedência – nas agencias de turismo da rua em frente.

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Lanchas entre as Ilhas

Santa Cruz – Isabela  – (entre 6-7h da manhã e 14h e 15h da tarde)
Santa Cruz – San Cristóbal – (entre 6-7h da manhã e 14h e 15h da tarde)
Isabela – San Cristóbal (não tem)

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O fato de não ter barco entre Isabela e San Cristóbal, possivelmente pela longa distancia entre elas, é uma das pequenas “armadilhas” intransponíveis de Galápagos pra quem vai com orçamento apertado. É necessário voltar para Santa Cruz e pegar outra lancha (mais US$ 30), ou, como eu fiz, simplesmente abstrair .

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No dia seguinte – ainda em Puerto Ayora – começou o grande desafio: descobrir e explorar as belezas naturais de Galápagos participando ao minimo da industria turística que não te dá liberdade, tempo e ainda te deixa sem dinheiro.

El Garrapatero fica a 20km de distancia. è preciso sair cedo, então decidi aproveitar o dia pra explorar trilhas mais perto de Puerto Ayora.

Os tours mais legais e que você pode fazer por conta própria, são:

– Tortuga Bay – Na terceira ou quarta rua paralela ao cais pegue à esquerda (direção oeste) e vá até a entrada do Parque Nacional – que fica no alto de uma escadaria – que leva à Tortuga Bay. Depois de registrar-se, é meia hora de trilha plana. No fim uma praia de mar aberto areia branca,  água azul e transparente (Playa Brava).
Foi onde eu vi as primeiras iguanas marinhas. Um pequeno dragão preto que busca o calor das rochas vulcânicas escuras. Não se assuste se você estiver dentro d´agua e um deles passar nadando ao seu lado, são completamente inofensivos.

Tortuga Bay (Santa Cruz)

Tortuga Bay (Santa Cruz)

Logo depois tem uma praia menor, mais calma e protegida (Tortuga Bay). Se tiver a mesma sorte que eu tive vai ver filhotes de tubarões nadando na beira da praia.
Nadar perto de tubarões em Galápagos não oferece qualquer risco. Acredito que seja porque a cadeia alimentar deles é bem preservada. Eles não tem porque atacar humanos pra comer.

– Las Grietas – uma “greta”, uma fenda, um canyon, com uns 100m de comprimento por uns 20 de largura. É uma fratura ou uma falha geológica bem profunda e que por isso, apesar da trilha ser uma subida,  tem alguma comunicação com o mar.
Assim acumula água salobra, numa espécie de grande piscina encravada na rocha. A água doce fria e transparente que vem das montanhas fica mais na parte de cima. E a água do mar, mais densa, na parte de baixo.

Poço de Las Grietas / Las Grietas pool

Poço de Las Grietas / Las Grietas` pool

Como tem ligação com o mar através das fendas na rocha, sofre influencia das marés.
Os grandes peixes (e eu vi vários) só aparecem, vindos do mar, na maré cheia.
Pra chegar lá pegue um taxi-aquático no cais de Puerto Ayora (US$ 1), seguindo depois pela trilha bem marcada. Tem uma prainha calma no caminho (Playa de los Allemanes).
É um lugar excelente pra fazer snorkeling. A profundidade é bem grande, algo em torno de 10 metros ou mais.
Na volta, pegue a trilha subindo à direita e vá até o Mirante do qual você pode ver Las Grietas de cima e Puerto Ayora de um angulo especial.

Vista do Mirante de Las Grietas / View from Las Grietas` belvedere

Vista do Mirante de Las Grietas / View from Las Grietas` belvedere

Se gosta de frutos do mar, Galápagos é o lugar ideal. Apesar de tudo ser mais caro em Galápagos, pode-se encontrar comida relativamente barata (quando comparada com o Rio de Janeiro, por exemplo). E o que mais tem por aqui é peixe e frutos do mar. Em torno de US$ 5 no almoço e US$ 10 no jantar o prato feito. Os veganos e vegetarianos terão dificuldades: Frutas, legumes e verduras são raros e caros.

Com a autorização para acampar em El Garrapatero nas mãos, fui dormir cedo.

 

(ENGLISH VERSION)

Galapagos is an archipelago formed by dozens of volcanic islands. That means that ocean floor opened and begun to expel really a lot of lava which accumulated gradually upwards till reaching the sea surface forming actual islands along millions of years. Some are small and inhabitated other are bigger featuring touristic structure, as Santa Cruz, Isabela and San Cristóbal among others.

Baltra Island pratically has only the main airport of Galapagos and nothing more. If you have the intention to know all archipelago you will start a pilgranage by many different modals of transport such as buses, white pickup trucks (all taxis in Galapagos are like this), ferries (bigger and slower boats that could carry more people and even cars) for short distances and fast boats (smaller, faster) for longer distances;

Iguana

Iguana

The main islands – Santa Cruz, Isabela and San Cristóbal – have the best touristic structure. I´ve been in two of them – Santa Cruz and Isabela – and you will soon understand why.

Santa Cruz Island is the most developed, more services are available and it is more organized to receive thousands of tourists that pass through Galapagos every year.

One hundred per cent of local economy is based on tourism. Because of that a tourism industry was formed and, you will understand as you read the text, i tried to escape from it.

Puerto Ayora tem muitas ciclovias / Puerto Ayora has many bike lanes

Puerto Ayora tem muitas ciclovias / Puerto Ayora has many bike lanes

As soon as i arrived in Puerto Ayora – a kind of capital of Santa Cruz island – my first mission was head to National Park headquarter in order to request an authorisation for camping. I was very well received by Luis Fernando whom explained to me that i´ve had to do the same procedure in each different island, separately.
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Camping sites (only with authorisation of Galapagos National Park Direction)
(US$ 10, copy and original passport for each authorisation)

Santa Cruz: El Garrapatero
San Cristóbal: Puerto Chino / Puerto Grande / Manglesito
Isabela : Minas de Sufre e Volcan Chico (only with a registered guide)

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These sites are inside the National Park whicj is 95% of the archipelago area.

Outside of the National Park area you can camp in private areas with authorisation of the owner as for example in El Ceibo (San Cristóbal island)

For those that will stay in a hostel there are many options for all budgets. The less expensives cost around US$ 25 but if you search and bargain you can get it for US$ 17 or even US$ 15 (outside high season and bank holidays)

A very interesting tour near the city is the Galapagos National Park itself where is located a research station and a small museum. It is possible to have a first contact with giant tortoises which are called, in spanish, galápagos. They named the archipelago.

Opuntia - especie de cactos endêmico de Galapagos / endemic specie of Galapagos

Opuntia – especie de cactos endêmico de Galapagos / endemic specie of Galapagos

Tortoises are reptiles that live part in the land part in the water, differently of turtles that live in the sea most of time.

Another very cool place to visit in Puerto Ayora´s downtown is Laguna de Las Ninfas.
It is a inner lagoon conneted to the sea. A very calm place where we can observe, walking through a wood catwalk, typical manglar vegetation and fauna .

The Puerto Ayora dock is certainly another atraction. First because frenetic traffic of boats but also because sea lions that apend all day long lying down on the dock´s seats and carpets howling for those that get closer. Pelicans are also always around. Inside the water we can see many different fishes as small sharks that approach searching for food and also, during the night, attracted  by lights.

Floresta de cactos / Cactus forest

Floresta de cactos / Cactus forest

From this dock fast-boats leave everyday morning and afternoon to other islands. Generally between 6 and 7 am and between 2 and 3 pm. Check the timetable in situ and do arrive 30 minutes prior the departure.

Boat tickets to Isabella and San Cristóbal has fixed price: US$ 30. Buy always in advance in the tourism agencies at the street in front of the dock.

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Fast boats linking the islands

Santa Cruz – Isabela  – (between 6 and 7am and between 2 and 3pm)
Santa Cruz – San Cristóbal – (between 6 and 7am and between 2 and 3pm)
Isabela – San Cristóbal (there is no boat)

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There is no direct boat linking Isabela and San Cristobal  maybe because of long distance between them. But this is one of the few “traps” impossible to avoid for those whom go to Galapagos with a limited budget. It is necessary to come back to Santa Cruz and take another boat (paying more US$ 30) or, as i did, just forget it.
Next day, still in Puerto Ayora, i begun my challenge: find and explore natural spots in Galapagos which i could reach and enjoy by myself not participating in the tourism industry that leaves you without time, freedom and money.

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El Garrapatero is located 20km away from Puerto Ayora. Yo go there better to leave early. So that day i spent hiking around Puerto Ayora.

In Santa Cruz , the coolest tours you can do by yourself are:

– Tortuga Bay –  Get the third or fourth street parallel to dock (west direction) and reach the entrance of the National Park that is located up the hill. After register, a 30 minute trail will bring you to Tortuga Bay. First stop is a crystal clear water, open sea, white sand and wide beach called Playa Brava.

There i saw first sea iguanas. A small black “dragoon” that search for the warm of dark volcanic rocks along beaches (they also like to swim). Don´t be afraid if you are inside the water and one of them pass just beside of you swimming. They are completely innofensive in spite of their terrible scaring appearance.

Playa Brava (Santa Cruz)

Playa Brava (Santa Cruz)

Just after you will find a smaller, protected and quite beach that is Tortuga Bay itself. If you are lucky as i was you´ll see small sharks swimming around in the very shallow part of the beach. By the way, swimming with sharks at Galapagos has no risk. I guess it is because their food chain is preserved . Therefore they don´t have any interest in attacking human beings in order to eat.

– Las Grietas – a canyon with approximately 100m long and 20m wide. It is a deep geologic fracture or fault and in spite the way till there is slightly upwards there is a link with the sea by underneath the rocks. The water is brackish water in this kind of big pool carved into the rock. The cooler and fresh water that comes from the hills stays upside instead the sea water, more dense, stays downside of the pool.
Las Grietas is linked somehow with the sea down the hill and is influenced by tide. Big fishes (from the sea) could be observed when tide is high.

Las Grietas (Santa Cruz)

Las Grietas (Santa Cruz)

To get Las Grietas, take a boat-taxi at Puerto Ayora´s dock (US$ 1) and then hike by the trail for around 30 minutes. On the way you will also find a quite small beach called
Playa de los Allemanes (German´s Beach).
Las Grietas
is very good for snorkeling. It is around 10 meters deep.

On your way back take the trail up the hill and go till the small belvedere (Mirante) form where one can see Las Grietas from above and also Puerto Ayora by a different angle.

If you like to eat sea food, Galapagos is paradise. Eventhough everything is quite expensive in Galapagos, it is relatively easy to find cheap food. And the most common dishes are based on fishes and sea food. Around US$ 5 for lunch and US$ 10 for dinner. Vegans and vegetarians will find difficulties because fruits, leaves and legumes are a rare and expensive.

With finally the authorisation for camping next days in El Garrapatero on hands, i went to bed early that night.

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Galápagos: Rio-São Paulo-Bogotá-Quito-Ilha de Baltra

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Viagem de Raiz começa muito tempo antes de embarcar. Por exemplo, para Galápagos as passagens geralmente são caras. Então, quando surge uma promoção – e em geral ela aparece muitos meses antes – você tem que decidir imediatamente e comprar. Depois se vira pra poder ir. Foi isso que eu fiz. E pra garantir, escolhi a semana do Carnaval por que assim poderia ter certeza, antecipadamente, que estaria menos ocupado.
É sempre assim,  quando a data vai chegando vai dando aquela preguiça de arrumar as coisas sair da rotina e ir.
Lendo até o final sobre esta aventura em Galápagos vocês vão entender que esse sentimento de “preguiça de sair da rotina” é um completo absurdo. Então vamos lá.
Promoção de passagem aérea as vezes tem seus incovenientes. Desta vez foi o longo tempo de viagem e as diversas conexões: Rio-São Paulo-Bogotá-Quito-Ilha de Baltra (Galápagos). Tempo estimado: 36 horas que, com os atrasos, se tornaram quase 48 horas !

A preparação foi minima. Isto também vem se tornando uma rotina. Imprimi alguns mapas gerais e li alguns blogs e relatos de viagem com dicas. Uma coisa começou a me assustar: todos diziam que Galápagos é um turismo muito caro como, por exemplo, Punta Del Este, Gstaad, Ibiza ou Fernando de Noronha. Eu teria então mais um desafio de um viajante-raiz: Achar meios de viajar numa ilha altamente turística fora do circuito tradicional e tornar a viagem barata. Deveriam haver meios de viver como os locais de lá vivem e evitar as “grandes atrações” que sempre são mais caras devido à grande demanda.
Assim, levar a barraca e o material básico de camping foi parte do planejamento.
Galápagos é um patrimônio natural único no mundo. E o Equador leva isso muito a serio. Por isso, as restrições, normas e burocracias são muitas, o que aliás vem dando bons resultados. Neste sentido, acampar é permitido somente em algumas áreas e com autorização prévia do Parque Nacional (www.galapagos.gob.ec).
Tentei obter autorização ainda no Brasil pela internet mas meu amigo, muito simpático, Luis Fernando – que trabalha no Parque Nacional – me informou que isto só seria possível pessoalmente e, normalmente levariam 48 horas pra liberar.

Chegando no aeroporto em São Paulo, levei um tremendo susto. O gerente da Avianca veio me perguntar se eu tinha tomado vacina contra febre amarela há mais de 10 dias pois , caso contrario, não poderia viajar. Segundo ele, esta era uma recente determinação do governo de Quito e se a companhia aérea permitisse o embarque na origem sofreria penalidades.

Fiquei gelado só de pensar que teria que voltar e passar o carnaval no Rio de Janeiro !! Algo me ajudou e eu disse que não tinha tomado a vacina mas que Quito não seria meu destino final mas apenas uma conexão. Meu destino seria Galápagos. Ele, que parecia muito mais nervoso do que eu, disse que se era assim poderia me liberar se eu prometesse não sair da área interna de conexão do aeroporto. Me disse também que só desta maneira eu tinha “uma chance mínima de conseguir chegar ao meu destino”. Não entendi nada mas concordei com tudo e segui viagem, aliviado.

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Procurei não pensar muito mas quando fui chegando em Quito a possibilidade de ser barrado num país começou a me incomodar. Ainda mais pelo fato que fiquei pensando que tinha quase certeza que seria impossível cumprir minha promessa de ficar na parte interna reservada para as conexões já que estaria entrando no Equador em Quito portanto teria, obrigatoriamente, que passar pelo controle da imigração para, só depois, embarcar num voo nacional para Galápagos.
Não deu outra. Chegando em Quito, me direcionaram para o controle da Imigração. Conforme a longa fila andava fiquei pensando se falaria que não tinha a vacina ou que tinha apresentado o comprovante de vacinação ao funcionário da Avianca em São Paulo e ele, por esquecimento, “acabou não me devolvendo”. Levantei a possibilidade de mentir porque isto traria dificuldades para confirmação, duvidas e, talvez, me liberassem…
Mas, como sempre, decidi falar a verdade. Mas nem foi preciso. A funcionária, fez algumas perguntas (nada relacionado a vacinas), e me liberou.
Nossa imaginação as vezes é mais fértil do que a fria realidade.
De qualquer maneira se vocês não quiserem arriscar nada, melhor se informar e tomar as vacinas antes de viajar.

Planejando explorar o centro histórico / Planning to explore historical center

Planejando explorar o centro histórico (com Ana Maria ao fundo) / Planning to explore historical center (with Ana Maria behind)

Já que tinha passado pela imigração – “descumprindo minha promessa” – e fui informado no check-in pra Galápagos que o voo estava atrasado varias horas, resolvi explorar mais e ir até ao centro histórico de Quito que foi, em 1978, a primeira cidade do mundo declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela ONU.

Centro Histórico de Quito / Historical Center of Quito

Centro Histórico de Quito / Historical Center of Quito

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Para chegar ao Centro Histórico de Quito de maneira barata:

– Piso térreo: Onibus Rio Coca (até ponto final)
– Atravesse a rua até o outro Terminal: Onibus articulado (até Plaza Marin)
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Obs: O Aeroporto Mariscal Sucre fica longe do centro. Estas duas viagens de onibus podem levar quase duas horas. Portanto só vá se tiver disposição e mais de seis horas disponível pra explorar Quito entre os voos.

Quito foi a primeira cidade declarada Patrimonio Histórico e Cultural da Humanidade / Quito was the  first city declared World´s Cultural and Historical Heritage

Quito foi a primeira cidade declarada Patrimonio Histórico e Cultural da Humanidade / Quito was the  first city declared World´s Cultural and Historical Heritage

Estava com disposição e só tive a informação do longo trajeto conversando com a trocadora Maria. Vivendo e aprendendo.. Mesmo assim tive umas duas hora e pude aproveitar e conhecer mais do charmoso e preservado centro histórico de Quito. Esqueça os mapas, os nomes (quase sempre de santos) e as datas. Relaxe. Basta ir andando e virando o pescoço de um lado pro outro. É história e cultura por toda a parte. Destaque, claro, pra arquitetura colonial com interiores magníficos esculpidos em madeira e folhados a ouro das igrejas como a Iglesia de San Francisco. Iglesia de La Compañia, La Catedral e para a monumental Basílica.

Apesar do verão estava frio. Não é pra menos  já que a cidade fica a 2850m acima do nível do mar.

Centro histórico restaurado e preservado / Historical downtown restored and preserved

Centro histórico restaurado e preservado / Historical downtown restored and preserved

Como disse, ao embarcar pra Galápagos deve-se mostrar toda bagagem que é depois lacrada. Me antecipei e mostrei os alimentos desidratados que estava levando para acampar (seguindo orientação do Parque Nacional). Existe uma longa lista de restrições mas basicamente poderíamos resumir em: Não pode-se levar alimentos frescos nem com sementes férteis. Isto pra evitar a entrada e disseminação de espécies invasoras que poderiam colocar em risco o frágil equilíbrio de espécie únicas e endêmicas do arquipélago.
Prepare-se para pagar US$ 20 de taxa no aeroporto antes de embarcar e mais US$100 para o Parque Nacional ao chegar na arquipélago (para nós do Mercosul esta ultima cai para US$ 50);

ENGLISH VERSION

A Root Travel´s planning begins far before boarding. For example, normally air tickets to Galapagos are really expensive but when you get a sale, and in general they appears several months before the flight, you have to decide immediately and buy it.
I did so and choosed to fly just before the beginning the Carnival because as it is a national holiday certainly i would be less occupied with my work and could arrange all in order to travel.

But in general when boarding date approaches i get a kind of lazyness in pack and arrange all to get off routine and go.

Many disadvantages in finding less expensive air tickets indeed. In this case it was several connections i would have to do: Rio- Sao Paulo – Bogotá – Quito – Ilha de Baltra (Galapagos). Including several hours in each airport. Estimated total time : 36hours . In practice, after all, it became almost 48h.

Prior preparation was minimal. It is becoming a routine as well. I´ve printed few maps of different islands of the archipel, read some blogs and stories. I took notes of the most important tips and information. As i was doing this task i started being kind of frightened: everybody was saying that toursim in Galapagos was quite expensive as, for example, Punta Del Este, Ibiza, Fernando de Noronha (an island in Brazil) and other fancy spots.
So, i would have one more challenge as a roottraveller: find ways to travel trough a very touristic island being off-the-grid and doing my trip as cheap as possible. It should have ways to live as the locals do, avoiding “great attractions” and fancy places that are always more expensive because of high demand.
With this purpose in the mind packing basic camping stuff was, of course, part of preparation. Galapagos is a unique world heritage. And Ecuador has always took it very seriously. Therefore, there are many restrictions, rules and burocracy which are working very well. Camping is permitted but only in few areas and only with previous authorisation of the National Park of Galapagos
(www.galapagos.gob.ec).

I´ve tried to get the authorisation for camping from the National Park previously in Brazil but they said that all procedures should be done personally and normally it would take 48h to be ready :-O

Arriving at the Guarulhos International Airport in São Paulo, i´ve got really scared. Avianca´s manager came to me asking if i´d taken Yellow Fever´s vaccine, because it is a new requirement from Quito´s government. Air companies were instructed to not allow people board if they don´t have taken the vaccine dose at least ten days before the trip.

I was really frightened just thinking that i could have to come back and spend my Carnival holiday in Rio de Janeiro´s Schools of Samba!! Something happened and suddenly i said that i didn´t take the vaccine but Quito would not be my final destination but just a connection to Galapagos. He, that seemed to be more nervous than me, said in this case he could allow me to embark. But he asked me to promise that i will not get off from the internal connection area of the Quito´s airport. He also said that was “the only way for me to get a chance to arrive to Galapagos. I didn´t understand anything but i was really relieved and could continue my travel.

 

Of course i´ve tried to not think about this question but as i was closer to Quito the possibility of being deported started bothering me.
Even more because i thought it would be maybe impossible to stay inside the connection area because i would be entering in Ecuador so, i was quite sure that would have to pass through immigration control and only afterwards it would be possible to board in a national flight to Galapagos.

Aeroporto de Quito Mariscal Sucre / Mariscal Sucre Quito´s airport

Aeroporto de Quito Mariscal Sucre / Mariscal Sucre Quito´s airport

And i was right. Arriving to Quito, everybody that was in the plane had to register passing through customs. While in the long line i´ve been wondering if i should tell the truth  about Yellow fever vaccine or not. Maybe i could tell them that i had the vaccination card in Sâo Paulo´s airport and that i gave it to the Avianca´s employee. I´ve just realised he forgot to give me back when i was already in the plane. Eventually it could generate doubts and difficulties in checking it and maybe they could finally let me go.

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But, as usual i´ve decided to tell the truth. However, it was not necessary neither tell truth nor lie because the immigration officer didn´t ask me anything related to Yellow Fever vaccine. However, if you don´t want to risk your whole trip, please inform yourself and get all the necessary vaccines before travelling abroad.

Since  i was free of immigration requirements and inside Ecuatorian territory and i was informed in check-in booth to Galapagos that the flight was late several hours, i decided to explore more and go visit Quito´s historical downtown. The city was, in 1978, the first one in the world declared World´s Heritage by UN. it should be interesting indeed.

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How to reach Quito´s historical downtown in a cheap way:

– Airport´s Basement floor: Bus Rio Coca (till the final bus stop)
– Cross the street to the other Bus Station: take an articulated bus till Plaza Marin;

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Obs: The Mariscal Sucre airport in Quito is far from downtown. These two buses trips will take around two hours. So, go if you have time enough between connections. Around six hours at least is necessary to enjoy the historical center of the city.

I was up to make this visit and was informed about the long distance till downtown only when i was talking with the women ticket collector inside the bus .

Pegando onibus pro Centro / Taking a bus to downtown

Pegando onibus pro Centro / Taking a bus to downtown

Eventhough i had around two hours to enjoy the charming and preserved historical center of Quito. Forget about maps, names (almost always refering to catholic saints) and dates. Just relax, walk and turn your neck around. It is culture and history everywhere.
Highlights for colonial architecture and magnificent churches´ interiors carved in wood and gold such as Iglesia San Francisco, Iglesia de La Compañia, La Catedral and La Basilica.
It was summer time but it was chilly. The city is located at 2850m above sea level.

Centro Histórico de Quito / Quito´s Historical Center

Centro Histórico de Quito / Quito´s Historical Center

As i told, in order to embark to Galapagos it is necessary to show up all your lugagge for control, which is sealed afterwards.

I´ve shown anticipatedly dried food, cereals and nuts i was bringing from Brazil to cook during camping time following instructions i had from the National Park Direction.

There is a long list of restrictions but basically we could say shortly: it is forbidden to bring fresh food and those with fertile seeds. The measures is to avoid entrance and spreading of invasive species that could put in risk the unique and fragile equilibrium between endemic species of the archipelago.

Get ready to pay US$ 20 of airport tax before boarding and US$ 100 as National Park´s fee when arriving in Galapagos. Those that are Mercosur citizens have 50% of discount in the last one.

Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Paraty – Pouso da Cajaiba – Martim de Sá

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Depois de muito convidá-la, minha amiga Galja disse que viria passar férias no Brasil com sua irmã, Anja. Como o tempo seria curto, achei que seria uma boa oportunidade para levá-las numa viagem de raiz aqui por perto do Rio de Janeiro mesmo. Temos ainda alguns paraísos bastante preservados como áreas de reserva.

Anja e Galja na rodoviária / Galja and Anja at bus station

Anja e Galja na rodoviária / Galja and Anja at bus station

Escolhi a Reserva Ecologica da Ponta da Juatinga, perto de Paraty. Há pouco tempo, tinha visto umas fotos belissimas feitas pelo meu amigo trilheiro Cristiano Sato. Achei que aquilo era um sinal e pedi umas dicas pra ele alguns dias antes. Não disse nada à Galja sobre pra onde iriamos, ela só sabia que íamos acampar. Acredito que isso tenha aumentado a curiosidade e a expectativa delas;

Mapa Travessia Ponta da Juatinga
O lugar é uma trilha de 3-4 dias onde atravessamos morros cobertos por Mata Atlantica intercalados com praias selvagens de água cristalina e areia amarelada grossa. Apesar de bem proximo do mar, chegamos atingir altitudes em torno de 500m, mas no parque há picos de mais de 1000m de altitude.

Barraco onde ficamos em Paraty / Shed where we stayed in Paraty

Barraco onde ficamos em Paraty / Shed we occupied in Paraty

Depois de alguns dias com muita chuva em Paraty durante os quais ficamos jogando sinuca no camping e aproveitando as delicias da gastronomia da cidade histórica, finalmente decidimos sair pro mato e enfrentar a trilha de qualquer maneira.

Aproveitando o Centro Histórico de Paraty / Enjoying in Paraty old town

Aproveitando o Centro Histórico de Paraty / Enjoying Paraty old town

Se pra mim seria frustante voltar ao Rio sem ter cumprido o objetivo da viagem, imagina pra elas que vieram lá de Saint Petersburgh !!

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Parece que nossa atitude fez a chuva diminuir e o tempo foi secando aos poucos nos dias seguintes.
Embarcamos no Cais dos Pescadores, na Ilha das Cobras, com Mestre Dito. Depois de mais de duas horas navegando ele nos levaria à Pouso de Cajaíba, algumas milhas depois de seu vilarejo natal, Calhau.

No Porto de Paraty / At Paraty port

No Porto de Paraty / At Paraty port

A primeira surpresa da viagem foi, depois de alguns minutos de mar tranquilo na baía de Paraty, enfrentar um mar bastante agitado assim que o barco contornou o Saco de Mamanguá rumando em direção à Pouso de Cajaiba (direção SE). Foi quase uma hora de mar agitado,  ondas grandes e chuva fina. Pelos gritinhos, imagino o que tenha passado nos pensamentos de Anja e Galja. Acho que até aquele momento elas deveriam estar se perguntando se não teria sido melhor ir para a Sibéria mesmo.

Ao chegar na praia de Pouso de Cajaíba, a segunda surpresa: acostumados com os confortos da cidade, talvez não esperávamos que tivessémos que pular do barco com as bagagens a uns 15 metros da areia. Água pela cintura, roupas molhadas. A viagem começava ali.
Depois de rir bastante preparamos tudo e metemos o pé na trilha. Logo nos primeiros quilometros me dei conta do quanto aquela viagem seria uma descoberta para elas já que tudo era tão novo, original, genuino: elas pararam gritando e tirando fotos de um simples cacho de banana verde;

Pouso da Cajaíba

Pouso da Cajaíba

O destino era Martim de Sá e lá chegamos depois de uma hora e meia de caminhada. Apesar do dia cinza a praia surpeendeu a todos pela beleza. Tivemos o primeiro contato com a paisagem que iria nos acompanhar durante toda a viagem: rios encachoeirados vindos das montanhas serpenteando pela areia até chegar ao mar. A permamente troca de águas do rio com o oceano é realmente uma dinâmica extraordinária.

Martim de Sá com

Martim de Sá com “nosso cachorro” / In Martin de Sá with “our dog”

Ali, conhecemos “nosso cachorro” que, anônimo, viria a ser nosso guia fiel em troca de torradas e algumas colheres de trigo sarraceno cozido.

(no próximo capítulo a trilha de Martim de Sá à Cairuçu das Pedras, inscreva-se no blog – página inicial no alto à direita – pra não perder)

ENGLISH VERSION
(written by me and Anja)

After inviting her many times, I finally had my Russian friend Galja coming to Brazil during holidays with her sister, Anja. As we would not have much time i thought it could be a good idea to let them experience a bit of “root travelling” somewhere nearby in the Rio de Janeiro state. We still have a few preserved paradise areas.

I chose Ponta da Juatinga Ecological Reserve, southern part of Rio de Janeiro state, close to Paraty. Not much time ago i´d seen awesome pictures made by my friend and hiker Cristiano Sato. I thought it might be a sign. I asked him for some tips a few days before leaving, and that was it: travelling without a lot of planning could be more exciting. To raise the adventure degree of the trip, i did not tell anything to Galja & Anja about our destination. I believe that also increased their expectations and curiosity.

The ultimate goal turned out to be a 3-4 days’ trail through wet rainforest mountains changing to wild sandy beaches with crystal green seawater. Although being very close to the ocean, we reached some points of 500m high and in the park there are peaks of more than 1000m high;

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

After a few rainy days in Paraty, where we stayed playing snooker and tasting delicious dishes of the gastronomy in the historical part of town, finally we decided to get into woods and face the trail whatever the weather. I guess, my disappointment in case of giving up would be nothing compared to the feelings of my friends who’d covered more than 11000 km from Saint Petersburgh !!

 

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

It seemed that our decision made the rain finally abate and the weather started to get drier during the next days. We embarked at Cais dos Pescadores, in the Ilha das Cobras neighborhood, on a boat of a fisherman named Dito. After more than 2,5 hours he would bring us to Pouso da Cajaíba(SE direction), a few miles away from his home town, Calhau.

Esperando a chuva passar no camping de Paraty / Waiting for a less rainy day for leaving the camping area in Paraty

Esperando a chuva passar no camping de Paraty / Waiting for a better day to leave the camping area in Paraty

Then we faced the first surprise of the trip – after a few minutes of a calm sea at Paraty´s bay – a very agitated ocean just after our small boat passed Saco de Mamanguá. Big waves and fine raining for more than one hour. It made the girls scream every now and then and I could imagine what was going on in their heads, something like: why have we left our home land ??

The second surprise was waiting at the shore: used to the comfort of the city, we didn´t expect to disembark 15 meters away from the beach simply by jumping right into the sea with all the luggage on. Water at waistline, all clothes wet. The journey had begun.

Chegando em Pouso da Cajaíba / Arriving in Pouso da Cajaíba

Chegando em Pouso da Cajaíba / Arriving in Pouso da Cajaíba

After laughing a lot at ourselves, we started our trek. Just a few kilometers of walking – and i realised what a discovery this trip would be for the girls since everything was so unknown, original and genuine: they stopped shouting and taking pictures in front of an ordinary (for me) banana tree.

Destination was Martim de Sá where we came after walking for an hour and a half. In spite of a cloudy day, the beauty of the beach amazed us all. It was our first contact with a landscape that would follow us during the hike: rivers coming from the mountains, meandering through the beach sand and meeting the sea. The constant water exchange between the rivers and the sea had an extraordinary dynamics.

Martim de Sá

Martim de Sá

 

There we met “our dog” that anonymously became our trekking guide in exchange for some toasts and a few full spoons of cooked buckwheat.

 (next chapter trekking from Martim de Sá to Cairuçu das Pedras. Subscribe the blog – home page right up side – and don´t miss it)

Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Martim de Sá-Cairuçu das Pedras-Ponta Negra

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Depois de Martim de Sá, agora já com a companhia inseparável do nosso cão-guia, chegamos em Cairuçu das Pedras. Já eram quase cinco da tarde e decidimos acampar. Depois de montar as barracas fomos rapidamente dar nosso primeiro mergulho à noite na estreita e agitada praia de Cairuçu das Pedras que, como o nome diz, é cheia de enormes blocos de pedra. Com os grosseiros grãos da areia da praia, quando a onda vem encharcando-os, nós afundamos até quase os joelhos devido a grande quantidade d´água intersticial e a baixa coesão entre eles.

Acampando em Cairuçu das Pedras / Camping at Cairuçu das Pedras

Acampando em Cairuçu das Pedras / Camping in Cairuçu das Pedras

O caminho até a praia é ingreme e, pela proximidade da mata, muito úmido. Quando voltávamos, Anja caiu e cortou o braço. Então fomos lavar o sangramento na água salgada do mar. Depois, ao lado das barracas, comemos, cantamos (elas) e dormimos (quase) totalmente felizes. Não pudemos fazer uma fogueira já que tudo estava bastante molhado depois de vários dias chovendo.

Na manhã seguinte aproveitamos a cachoeira de água cristalina que cai na areia da praia. Conhecemos a única familia que mora ali, numa casa de taipa simples, sobrevivendo há décadas da pesca e da agricultura.
O velho pescador fazia tranquilamente um cesto com um cipó da região chamado “timbopeba” enquanto sua esposa estendia a roupa no varal e o genro chegava da pescaria com uma dúzia de peixes.

Naquele momento já me arrependia de não ter passado repelente. Tinha enormes picadas de mosquito pelo corpo apesar de que, não coçavam. Com certeza estava criando muitos diferentes anticorpos 🙂 .
Já minhas amigas tomaram, antes de embarcar para o Brasil, várias vacinas e remédios contra malária, febre amarela, dengue entre outras que não sei. Isto me fez chegar a conclusão que, em geral, estando no estrangeiro conhecemos muito pouco sobre a verdadeira realidade de outros países e, buscando informações, em geral elas vão se perdendo e se modificando pelo caminho, chegando até nós, finalmente, distorcidas.

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Partimos para Ponta Negra. Talvez a parte mais difícil de toda travessia já que há uma longa distancia a percorrer em subida forte. Mas, no topo, a Mata Atlantica é exuberante e, com quase 500m de altitude, apresentava uma grande umidade e frescor apesar do sol forte e ceu sem nuvens. Quando parávamos de andar para descansar rapidamente o corpo, todo suado, começava a esfriar e sentíamos muito frio já que o sol não conseguia atravessar a floresta densa. Passamos por uma impressionante gruta formada por um gigantesco bloco de rocha inclinado. O anfiteatro deve ter algo em torno de 60m2 e uns 4 m de altura na sua parte mais alta.
O grande esforço fisico que tivemos que fazer para vencer a subida de Cairuçu das Pedras rumo à Ponta Negra, foi amenizado pelos cantos de musica foclórica russa de Galja e Anja. Principalmente quando cantavam em canon à duas vozes. Mas este esforço da subida não era nada se comparado àquele que fariamos se estivéssemos fazendo a travessia no sentido inverso. A descida final pra Ponta Negra é muito ingreme e se tivéssemos que subi-la certamente levariamos muito tempo.

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Se para mim estava sendo uma aventura reveladora aquela Travessia, já que nunca a tinha feito, imagino para as duas russas que, pela primeira vez, estavam viajando fora da Europa. O Brasil era para elas um país mágico mas totalmente desconhecido quanto à natureza, língua, comida, clima, cultura. Até o ar úmido e quente deveria estar fazendo muita diferença. Posso entender como insetos pequenos e inofensivos para nós, foram tão assustadores para elas. Baratas do mato, besouros e pequenas aranhas eram recepcionadas por gritos. Quando eu as ouvia parecia que estávamos sendo seguidos talvez uma onça parda faminta. Em um destes episódios, estávamos andando tranquilamente quando Galja avistou uma aranha e gritou alto. “Nosso cão”, que estava muitos metros à frente, voltou em disparada latindo muito. E prosseguiu – pensando que estávamos sendo atacados – correndo em círculo numa maneira de nos proteger. Ainda bem que ele não sabe que foi só uma pequena aranha.

Uma noite, se não me engano em Cairuçu das Pedras, elas começaram a gritar de dentro da barraca porque havia um Louva-Deus lá. Eu disse pra elas se virassem porque já estava dentro do saco de dormir e estava chovendo do lado de fora. Depois de alguns minutos de muita gritaria, acho que passaram no teste. Depois me agradeceram por tê-las deixado viver sozinhas esta “experiência forte” .
Já passei por isso em outros paises e sabia como todo este mundo desconhecido faz muita diferença nos nosso pensamentos. Na verdade, nas viagens de raiz, poder experimentá-lo era justamente a razão de tudo. É claro que muito da expectativa, medo e ansiedade são gerados por nossa própria imaginação que processa e aumenta as informações que chegam, às vezes distorcidas. Enfim, viver alguns dias “fora da zona de conforto” era o objetivo de nossa viagem.

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Espero que um dia minhas amigas possam se dar conta como estas pequenas adversidades e este mundo desconhecido e “fora do controle” contribuíram para um sutil aprendizado que vai estar com elas daqui pra frente.
Estava sendo uma verdadeira viagem de raiz já que em geral elas planejam e sabem muito bem onde vão dar cada passo. Desta vez era diferente e como soube, algum tempo depois, confiaram em mim para que tudo corresse bem. Ainda bem que não tive consciência de toda esta responsabilidade durante a viagem.

Como tínhamos levado apenas duas garrafinhas de água para os três, a cada córrego d´água que passávamos aproveitávamos pra beber bastante. Sempre com muito calor e sede, eu bebia muita agua. E de uma vez só. Galja me disse que deveria tomar a água devagar, em pequenos goles, dando tempo assim que o corpo absorvesse o liquido. Concordei e disse para mim mesmo que, a partir daquele momento, iria fazer daquela maneira.
Depois do dia todo caminhando, conversando e cantando, chegamos em Ponta Negra, talvez o vilarejo mais populoso da viagem. Em torno de 500 pessoas vivem lá. Era umas três horas de uma tarde ensolarada e as crianças se divertiam jogando bola na areia da praia. Estávamos muito cansados e com fome. Demos sorte de ter encontrado almoço na casa da Branca. Decidimos então comer e ficar por ali mesmo.

 

ENGLISH VERSION

(written by Anja and me)

After Martim de Sá, actually with the inseparable fellowship of our guide-dog, we reached Cairuçu das Pedras. It was almost 5pm and we decided to camp. After having pitched tents, we went to a narrow beach down the hill to enjoy our first night bathing in the rough sea. There, the coarse sand, easily saturated by the breaking waves, made us sink into it almost to the knees such as we were in a quicksand.


As the very name suggests,
Cairuçu das Pedras beach is plenty of huge blocks of rocks. The path to the beach is steepy and very wet by proximity with the forest. On our way back, Anja suddenly slipped and cut her arm and hip – we had to return to disinfect the bleed in the salty ocean. Afterwards, beside the tents, we ate, sang (girls) and slept (almost) totally happy. Pity we couldn´t make fire: the wood was wet after many days of intense rain

 

 

Casa de pau à pique em Cairuçu das Pedras / Mud House at Cairuçu das Pedras

Casa de pau à pique em Cairuçu das Pedras / Mud House in Cairuçu das Pedras

Next morning, the sunrise was wonderful.  It seemed we would finally have the first sunny day of our crossing. After enjoying breakfast and a shower in a small crystal-clear waterfall falling down directly into the sea, we went to get acquainted with the only Cairuçu´s inhabitants – the only family living there for decades in a simple mud house and surviving basically on fishing and growing own food.
The old fisherman was calmly weaving a “timbopeba” (a local vine) basket while his wife was hanging washed clothes on a clothesline and the son-in-law had just come back from an all-night-long fishing trip with dozens of fish.

By that time i had already regretted not having rubbed mosquito repellent on my body. I had huge bites everywhere altough they were not itching. Surely i was creating many different antibodies. 🙂 . Concerning my friends, before going to Brazil  they had taken few vaccines and pills against malaria, yellow fever, among others that i´ve never heard of. Most of them, as we know, are useless in this part of Brazil what made me think that- being abroad – our knowledge of the daily reality of other countries is usually scarce and distorted. Only travelling can fix it.

At around 10am we´ve pitchted tents down and left Cairuçu heading Ponta Negra. It was probably the most difficult part of all trekking. We had to struggle up a long and steep ascent. On the top of the mountain rainforest was dense and exuberant and at around 500m high – even in a hot sunny day – we had a fresh and wet weather inside the forest. Sun could barely pierce into the tight forest. As a result, the moment we stopped to rest, our sweaty and hot bodies immediately started to get cold. One of such stops was made at a cave formed by a huge and tilted block of rock.. The main room was quite impressive having around 60m2 and around 4m high at the highest point.

The tremendous physical effort we made to reach the highest point of this part of the trail – between Cairuçu das Pedras and Ponta Negra – was mitigated by Anja and Galja singing russian folk songs, among them canons and two-part melodies. But the effort climbing up the ascent from Cairuçu to Ponta Negra is nothing compared to the reverse route i.e., the final descent to Ponta Negra turned out to be almost vertical. It would have taken us ages to climb up that slope.

Whether for me that adventure was a such discovering trip -maybe because it was my first time there – let alone the two russian girls: first time outside from calm and well-known Europe in a magic and totally unknown country in terms of nature, insects, language, food, weather, culture and even air – hot and humid – adding to the confusion.

 

 

Momentos felizes / Happy moments

Momentos felizes / Happy moments


Only now i can understand why small and innofensive bugs seemed so scary to them. Wild cockroachs, beetles and small spiders were welcomed by several shouts in a row. They screamed so loud that – for instances –  I thought we were followed by a hungry jaguar or so.
I remember one of these occasions: we were walking peacefully when Galja suddenly saw a spider . She screamed so loud that “Our dog” – that was many meters ahead – raced back barking and kept running around us in circles because he obviously thought we were under attack. If only he knew it was just a tiny spider he was trying to defend us from…

Another night – if i am not wrong in Cairuçu das Pedras – the girls started shouting from inside their tent because there was a grasshopper there. I told them – from my tent – they had to manage on their own because i was already inside my sleeping bag and it was raining outside. A few minutes later, as the silence finally fell I assumed they dealt with it quite well. A Few weeks later they thanked me for leaving them to live that “strong experience” alone.

Fora da zona de conforto - mentes concentradas / Out of our comfort zone - concentred minds

Fora da zona de conforto – mentes concentradas / Out of our comfort zone – concentrated minds

I also had that kind of experience when travelling abroad on my own. And i know very well how an “unknown world” can be a challenge. Truly, “root-travelling” is an opportunity to experiment it. Discovering an unveil world is the reason of travelling. Of course, our expectations, fear and anxiety are mostly created by our own mind that makes them grow inside, especially when having received distorted information. Anyway, living a few days outside of our comfort zone was the main objective of our trip.


I hope one day in the near future my friends could realize how those difficulties, unknown world and out-of-control moments we lived together contributed with a subtle knowledge that will be with them forever. I think that was a real root travel for them because normally they plan and know very well in advance every step to be done. At this point that journey was different and they told me afterwards that it was me whom they had tacitly entrusted themselves to. Thankfully, I was not aware of all this responsibility during the trekking…

Back to our adventure, as we brought only two small bottles of water, we took advantage of every fresh and clean water river we crossed by, to stop on it and drink, filling the bottles afterwards. These days were hot and sunny so, at every stop i drank very fast – a few litres almost in one gulp – so Galja wisely pointed out that I should slow down to give time for every cell of my body to absorb the water. I agreed with her and decided that i would apply that principle in my life.
After the whole day of hiking, talking and singing, we reached Ponta Negra, maybe the most densely populated village of all; I guess there were around 500 inhabitants living there. It was a sunny and beautiful winter afternoon and kids were having fun playing football on the beach. We were very tired and hungry. We were lucky to still find lunch at a sort of Café. It was Branca´s house on the top the hill. So, we´ve decided to eat and camp there.

 

Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Ponta Negra – Antigos – Praia do Sono

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Na casa da Branca, conhecemos a familia. A encantadora Jaciara e o menino Ian. Enquanto comíamos arroz, feijão salada e ovo caipira, brincamos com eles. Galja preparou o trigo sarraceno para o dia seguinte. Desta vez cozinhando à moda antiga: colocou água fervendo numa panela com o trigo, tampou e embrulhou com um pano.

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Café da Manhã / Having breakfast

No outro dia não só estava pronto, como estava delicioso e ainda morno. E que economia de energia!! Eu estava muito grato de estar aprendendo tanto da cultura e hábitos do povo russo com as duas.

Casa típica da região / Local house built with natural materials

Uma Escola, casa típica da região / A school, local house built with natural materials

Apareceu o dono do “nosso cachorro” na casa da Branca. Era da Praia do Sono, o ponto de chegada no dia seguinte. E como o cachorro não quis ir com ele, preferindo ficar com a gente, prometemos levá-lo até em casa.

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Detalhe de uma pedra entalhada provavelmente por povos antigos que habitaram a região / A stone probably carved by the ancient local people

No outro dia pegamos a trilha – que fica atrás da casa da Branca – e logo depois paramos num rio encachoeirado e aproveitamos um pouco, antes de atravessá-lo e seguir viagem.

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Despedida de Ponta Negra / Ponta Negra´s farewell

Chegamos em Antigos uma hora depois. Praia exuberante e deserta. Paramos, mergulhamos e curtimos por algumas horas.
Quando estávamos prontos para partir, “nosso cachorro” saiu da mata em alta velocidade perseguindo um lagarto Teiú . Foram quase meia hora de briga pela vida entre os dois. No final da historia acreditamos que o lagarto tenha se afogado, pois sumiu no mar. Talvez tenha visto como unica maneira de tentar se livrar do cão-caçador. O rabo do lagarto, arrancado com uma mordida, ainda se mexia na areia. O cachorro também tinha levado uma mordida pois o focinho sangrava. Que dia agitado!!

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Antigos

Depois da situaçao se acalmar e do cão finalmente desistir de caçar o lagarto que desaparecera no mar, partimos para a Praia do Sono. Quando paramos na borda de um riacho para descansar, conversar e beber agua, pude ter certeza que o maior ensinamento é o experimental: quando me dei conta, já tinha bebido toda a garrafa que havia enchido. E praticamente de um gole só. Apesar de ter comigo o ensinamento de Galja sobre o porque beber água devagar, ele era ainda só intelectual e teórico. Meu hábito continuava o mesmo e o condicionamento agia mais rápido não dando tempo de pensar. Era preciso mudá-lo devagar, praticando. Isso leva tempo.

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Chegamos no Sono por volta das 3h da tarde. Mais uma praia linda com lagunas interiores e, logo na chegada, um rio desaguando água doce no mar. O rio tem bom volume d´água tanto que foi impossível atravessá-lo sem tirar as botas.

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Praia do Sono

É uma praia bem longa (talvez 3km) e bastante povoada com vários bares e restaurantes à beira mar. Num deles, é possivel ver um gigantesco osso da cabeça de uma baleia que encalhou na Praia de Antigos e foi trazido pelos pescadores.

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Parte do esqueleto de uma baleia / Together with a whale´s head bone

Como queríamos chegar no Rio de Janeiro ainda no mesmo dia á noite, atravessamos direto a praia e continuamos a trilha rumo à Vila de Laranjeiras de onde íriamos pegar ônibus para Paraty.
De repente percebemos que “nosso cão” havia sumido. Então estava provado que a Praia do Sono era mesmo sua casa. E ele nos deixou. Sem despedidas. Era amor e fidelidade, sem apegos. Quando chegou o momento, encarou e realidade e foi tranquilamente. Nem vimos. Quando nos demos conta, ficamos um olhando pra cara do outro com um leve sorriso nos lábios. Quem sabe um dia vamos nos reencontrar…

 

 

 

ENGLISH VERSION
(written by me and Anja)

In the Café belonging to a woman named Branca we met her family: the enchanting Jaciara and her cousin, Ian. While eating a delicious dish prepared by Branca, we played with the children.

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Camping & Café

 

Galja also prepared buckwheat for the next day´s breakfast, following the old-world recipe: pouring boiling water in a pot with buckwheat and then wrapping it in a cloth. The next day the buckwheat was perfectly cooked, still both hot and delicious. What a bright example of energy efficiency!! It was amazing to learn so much from russian culture and habits.

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The real owner of “our dog” appeared unexpectedly. He told us that he lives with the dog at Praia do Sono. As the dog didn´t want to come with him preferring to stay with us, we promised him to bring it home since that was our final destination.
Next day we got the trail – that is exactly behind Branca´s house – and a few minutes later we stopped at an amazing river with waterfalls, which we enjoyed for a few moments before crossing it to keep hiking.

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Antigo´s beach

We reached Antigos one hour later. A wonderful and deserted beach indeed. We took a break for bathing and enjoying it. We were about to leave when out of the forest there suddenly appeared “our dog” running at a very high speed chasing a lizard. They fought during several minutes at the shoreline. Finally we believed the lizard drowned : have disappeared in the ocean (i don´t know if this species can stay underwater without breathing for several minutes). Maybe it was the only hope it had to get free from the hunting dog. The lizard´s tail – bitten off by the dog – was still moving on the sand. The dog was also bitten in the muzzle that was bleeding. What day !!

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Anna mostrando coragem / Anna´s bravery

When our dog finally gave up hunting the lizard in the ocean, the calm of Antigos was restored and we left through a forest trail heading Praia do Sono. After some walk we stopped at a small river to rest, talk and drink water, and there i could realize – once more – that the best wisdom is the experimental one. Once again, i drank the entire bottle of water in just one gulp. Even though having Galja´s teaching about drinking water slowly, this knowledge was still only intellectual and theoretical for me. My habit is still the same and the conditioned mind acts faster than intellectual thoughts. It is necessary to change it slowly, practicing.

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We arrived at Sono at around 3pm. Once more a wonderful beach with inner lagoons and a fast flowing river bringing fresh water to the sea. The river is quite wide and we could not cross it without taking our boots off. Sono is a long beach , maybe 3km, with many bars and hostels including the one where we could see a huge whale´s head bone that grounded at Praia de Antigos and was brought there by fishermen.

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Um rio logo na chegada da Praia do Sono / A river bringing fresh water to Sono beach

As we would like to arrive in Rio de Janeiro that night, we crossed the beach and continued the trail with many stairs up to Vila de Laranjeiras from where we could take a bus to Paraty.

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Igreja no Sono / A church at Sono

Suddenly we noticed that “our dog” had disappeared. We concluded Praia do Sono was really his home beach. He left us. No farewell. It was real love and fidelity, with no attachments. When the moment to leave came, he faced the reality and went away quietly. We didn´t see him and it was better like that. We just looked at each other smiling. Who knows, one day we may see each other again…

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Na parte final da trilha para Vila Laranjeiras / Last part of the crossing heading Vila Laranjeiras

Bolivia 2014 – 2015 – La Paz – Day 2

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Muita gente acha que La Paz é a capital da Bolivia. Mas não. Na verdade, é Sucre.

La Paz está entre as dez cidades mais altas do mundo com seus 3650m de altitude. A campeã mundial,  com 4150m, é El Alto, vizinha a poucos quilômetros de La Paz.

Venda de pãos tipicos (sarnita) nas ruas / Typical bread (sarnita)

Venda de pãos tipicos (sarnita) nas ruas / Typical bread (sarnita)

Andar por La Paz, apesar da dificuldade devido à altitude, é muito interessante já que durante o governo socialista de Evo Morales que, quando eu cheguei na Bolívia tinha acabado de ganhar sua terceira eleição seguida para presidente, houve um empoderamento geral da população de baixa renda e indígena. Ela toma diariamente as ruas da parte Norte (Noroeste) e vende para garantir sua sobrevivência, em lonas espalhadas pelas calçadas, todo tipo de produtos. Desde os excedentes da produção agrícola de subsistencia no campo até artigos que as familias compram pra revender. Uma grande festa que só é interrompida pelas pancadas de chuva do verão do altiplano. Encontra-se de tudo: comida tipica feita na hora, frutas diversas, ervas, legumes, pães, artesanatos, artigos importados, roupas, réplicas de marcas famosas e bugingangas eletronicas.

Talvez esta não seja a solução definitiva, empurrar o povo para o consumo, o crédito e a dívida mas é vista como um primeiro passo para garantir renda mínima à todo este povo indígena das montanhas. A pergunta deve ser: o que fazer alem disso para libertar a população e lhe dar real melhor qualidade de vida ?

É interessante ver, nas ruas de La Paz, profissões que pareciam extintas como sapateiro e datilógrafo;

Chuño / batata desidratada / sundried potatoes

Chuño / batata desidratada / Sundried potatoes

Esta grande festa popular de rua proporciona para o turista uma imersão total na cultura boliviana. Aproveite para conhecer o chuño, batata seca que dura longos períodos, provar cerejas e mini-peras super doces. Ou a sarnita, pão redondo típico da região com casca grossa e pouco miolo. Se for fazer trilha um item indispensável é um saquinho com folhas de coca pra mascar no caminho e fazer como os campesinos das montanhas. O chocolate embrulhado em folha de bananeira seca é completamente amargo, não tem uma grama de açucar. Compre sementes de milhos originários, cada vez mais raros e que você só encontra nos Andes.

Iglesia de San Francisco

Iglesia de San Francisco

Quem carrega os grande e pesados fardos nas costas trazendo as mercadorias são os homens mas quem senta nas calçadas o dia todo para vender em geral são as cholas (as mulheres indígenas bolivianas);
Interessante ver nas ruas de La Paz profissões que eu pensava extintas como sapateiros e datilógrafos.

Na parte Norte da cidade, que fica nas ladeiras em torno da belíssima Igreja de San Francisco com seu altar todo folheado a ouro, os mercados de rua são a grande atração. Mas tambem é interessante visitar os mercados “mais formais” como o Mercado Uruguay que fica a algumas quadras subindo a partir da Plaza Eguino. Ou o Mercado Sopocachi, já na mais organizada parte Sul da cidade, ao longo da Avenida Arce. Nestes mercados pode-se encontrar desde sementes de milho crioulo boliviano até alimentos em geral. Os restaurantes populares também estão aí e pode-se almoçar um chairo (sopa típica do altiplano boliviano) e um segundo prato por apenas 12 Bs. (R$ 4).

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Também partindo da Plaza Eguino fica a calle Llampu onde pode-se encontrar roupas esportivas e equipamento para praticar o montanhismo. Ali voce encontra, nas calçadas e nas lojas, algumas peças originais e muitas “réplicas” quase perfeitas por um terço do preço. Cortando a calle Llampu, está a calle Sagárnaga e tambem a calle Linares onde estão as tiendas (pequenas lojas) de roupas para o frio típicas andinas, ponches, gorros, meias etc. Algumas poucas de verdadeira lã de llama. Encontra-se também artesanatos e instrumentos musicais.

Vista noturna de La Paz / Night view of La Paz

Vista noturna de La Paz / Night view of La Paz

Um passeio que pode te levar a ver La Paz do alto é o moderno e seguro teleférico. Na Plaza España  (bairro Sopocachi) você tem uma estação da linha amarela do teleférico de onde você pode partir até ao alto tendo uma visão completa de toda a cidade e também das montanhas nevadas ao redor.

(ENGLISH VERSION)

A lot of people think La Paz is the capital of Bolivia. But the real capital is Sucre.

La Paz is one of ten highest cities in the world with its 3650 m (11000 ft.) high. The world champion with 4150m (12450 ft.) high is few miles away neighbour, El Alto.

construções nas colinas de La Paz / house made up the hills in La Paz

construções nas colinas de La Paz / house made up the hills in La Paz

Walking in La Paz, in spite of expected difficult because of altitude, is very interesting because with Evo Morales socialist government – when i arrived to Bolivia he has just won presidential elections for third time in a row – low social class and indigeneous people have got empowered and everyday they occupy streets and sidewalks of the nothern (actually northwestern) part of the city in order to sell all kind of products. It is the right to work in order to get minimum income. From excess of subsistence crop production untill goods that people buy to resell, we can find everything: typical “home-made” fresh food, fruits, herbs (including coca leaves), vegetables, bread, handcraft, imported goods, clothes, famous brand marks replicas and electronic stuff. A big street party that is only interrupted for a while when a highland summer storm falls down.

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Maybe it is not the ultimate solution pushing poor people for consumption, credit and debt but could be considered first step in order to guarantee minimum income and work to all the indigeneous people from highlands. The question should be: what to do further to really liberate that people ??

Interesting to see in La Paz streets professions i thought were extinct such as shoemarker and typewriter.

Crianças indígenas de La Paz / La Paz indigeneous children

Crianças indígenas de La Paz / La Paz indigeneous children

This huge popular street party drive the tourist to a total immersion into culture of the country. Enjoy it seeing chuño, a sun-dried potato that last longer. Taste the very sweet cherishes and small pears. Don´t forget the sarnita, a round typical bread with thick shell and little loaf.

If you are going to mountain adventures take a small packet of coca leaves and spend your journeys as local highland people do: walking and chewing coca leaves. Chocolate wrapped in banana tree leave is completely bitter. No sugar or milk in it at all. Buy corn heirloom seeds, they are very rare nowadays and many of them you can only find in Andes

Chola vendendo banana chips / Chola selling chips of banana

Chola vendendo banana chips / Chola selling chips of banana

Bolivian men carry big and heavy backpacks loaded with goods to sell. However, the cholas (indigeneous bolivian women) are the ones who sit on the street all day long selling the products.

It´s amazing seeing along La Paz streets professionals i belived were extinct such as shoemakers and typewriters.

In the northern part of the city – streets around the wonderful San Francisco church with its all-in-gold altar – street markets are the best spots . Visit also more formal markets such as Mercado Uruguay few blocks far walking up from Plaza Eguino or Mercado Sopocachi located in the more organized southern part of the city, walking down through Avenida Arce. At these markets you can find heirloom seeds of andean vegetables and corns and typical homemade food ready to eat. The popular restaurants are there and it is possible to taste, for example, Chairo (typical soup of Bolivia´s highlands) and a second dish for only 12 Bs. (US$ 2).

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Near from Plaza Eguino, calle Llampu is where you can find sport and adventure gear and clothes to pratice moutaineering. On the sidewalks and shops, some original products are together with many almost perfect replicas sold by a third of the normal price. Further, in calle Sagárnaga and calle Linares small shops sell regional handcraft, musical instruments and cold weather bolivian typical clothes. Be aware that very few are original llama wool.

A tour that seems to be very touristic but allows you seeing La Paz from above is the modern and secure cable car. In Plaza España (Sopocachi neighbour) there is a yellow line cable car station from where you can start and reach the top of the city from where you have a full view of the city and snowy mountains around.

Bolivia 2014 – 2015 – El Choro trek – Day 1: La Paz – La Cumbre – Chukura

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Ao chegar em La Paz entendi porque havia tão poucas informações quando tentei pesquisar, ainda no Brasil, sobre o acesso aos locais onde começaria a fazer as trilhas. A cidade é um verdadeiro caos no que se refere ao transporte público. Cada cidadão pode colocar uma van (“minibus”) na rua e fazer transporte alternativo pra qualquer lugar que bem entenda. E parece que todos decidiram fazer isso!! Então, organizaram-se várias pequenos terminais (também na rua), onde as vans ficam e seus donos anunciam os trajetos e destinos no grito. O resultado é que ninguém sabe ao certo de qual terminal sai transporte pra qual destino. Alem disso não existe certeza que vai sair e em que horário.

Vans no terminal Minasa / Minasa terminal of vans

Vans no terminal Minasa / Minasa terminal of vans

 

Mas existe também outro motivo: os povoados onde iniciam-se as trilhas são muito pequenos, então realmente não há transporte. Uma solução é chegar o mais próximo possível e depois pegar um táxi já que a Bolívia é um país muito barato.
A ideia inicial era fazer primeiro uma travessia chamada Apolobamba mas depois de um dia de “caça” de informações na cidade, soube que a viagem pra lá desde Nossa Senhora de La Paz (este é o nome oficial da cidade) demorava 11h e que a van saía as 6h da manhã em El Alto , que é uma cidade vizinha à La Paz. Mas que não havia nenhuma garantia que, chegando lá, o van estaria e partiria. De qualquer maneira deixo aqui as informações que consegui (devem ser checadas):

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Apolobamba Trek

Minibus para Pelechuco ou Curva – Sai de El Alto – Av. Juan Pablo II (final) – Entre Carretera A Laja y Ex Tranca Rio Seco
tels: 680-74905 / 238-2239 / 719-53252

Outra ótima fonte de informações é o Escritório de Turismo do “Terminal de Buses” (Central). Procure as simpáticas Roxana Caro e Guelli Terrazas (segunda à sabado).

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Parti então pra segunda opção que era a Travessia El Choro. Esta muito mais conhecida e perto de La Paz. Aqui as dicas de como chegar ao início da trilha:

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Terminal Minasa (bairro Vila Fatima) . Minibus para “Coroico” (cada 30 min.). Desça em “La Cumbre”.

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Em La Cumbre (4800m de altitude) inicia-se a trilha de 71km, onde 90% são descida, até Chairo (1600m de altitude). É uma travessia para 2 noites/3 dias com muitas fontes d´água. Existem alguns povoados pelo caminho onde pode-se encontrar abrigo e comida. Os locais falam língua aymara. Entendem e falam muito pouco espanhol.

 

Paisagem em La Cumbre / La Cumbre landscape

Paisagem em La Cumbre / La Cumbre landscape

 

 

Os primeiros quilômetros são deslumbrantes pois ao mesmo tempo encontramos paisagens de alta montanha e vales profundos, llamas e trilhas de pedras feitas pelos Incas entre 500 e 1000 anos atrás. Os bolivianos chamam trilhas como estas de “Caminos Pré-Colombinos” justamente porque foram muito usadas pelas civilizações andinas antes da chegada de Colombo em 1492.

Pausa na trilha de pedras / A break in the stony trail

Pausa na trilha de pedras / A break in the stony trail

 

Aliás todo ao longo desta travessia “El Choro” observa-se quilômetros de caminhos feitos pelos Incas. Lindamente construídos. Muito mais impressionantes do que eu vi, por exemplo, no Peru. Quando comecei escrever este blog: (https://roottravel.wordpress.com/category/choquequirao-peru-20092010/);

Caminos Pré-Colombinos preservados

Caminos Pré-Colombinos preservados

 

Chukura é o povoado mais “desenvolvido” com, provavelmente, algumas centenas de habitantes, onde há uma escola e outras facilidades como “tienda” (armazém) pra comprar comida. Alguns moradores podem cobrar “pedágio” de 20 Bs (bolivianos) o que equivale a R$ 10. Alegam que é para manutenção dos caminhos.

Mapa El Choro final

Percebe-se que na região de Chukura, e de outros pequenos povoados que passei, a população local se reuniu e realmente restaurou os vestígios de trilhas incas que existiam. Elas estão muito novas e bem conservadas, não podem ter sido construidas entre 500 e 1000 anos atrás e ter permanecido daquela maneira por tanto tempo. Na medida que distancia-se dos povoados voltamos a ver os caminhos como foram feito originalmente, quando os Incas passavam por ali.

Llamas no caminho / Llamas on the way

Llamas no caminho / Llamas on the way

 

Quase no final do primeiro dia percebi que havia torcido o joelho esquerdo na descida pois ele começou a doer muito. Cada passo se tornou uma tortura. Havia passado uns quilômetros do povoado de Chukura e devia ter feito no total, até ali, entre 15 e 20 km. Isto foi me acontecer logo no primeiro dia?!? Como faria pra continuar já que a dor era insuportavel ? Voltar ?

Decidi então parar mais cedo e montar acampamento. Poderia descansar mais tempo e ter esperanças que, no outro dia, a dor teria passado e, assim, continuar. Faltavam mais de 50km até o final !!

 

 

ENGLISH VERSION

Arriving in La Paz i could understand why i´ve found so poor information, still in Brazil, about the access to localities where treks start in Bolivia. La Paz is a chaos regarding to public transportation. Each citizen can buy a van (“minibus”) and start a service of alternative transportation of people to wherever he wants. And it seems everyone decided to do it !! Then they also self organized several van´s street terminals where the owners announce shouting the itinerary and destination. So, nobody knows exactly from which van station transportation leaves to a specific destination and the schedule.

But there is another reason as well: settlements where treks start are often really small, so there are no transportation at all to there. A solution is to get as close as possible by public transportation and then rent a taxi since Bolivia is a really cheap country.

Casas provavelmente no mesmo estilo de séculos atrás / Local house probably built the same way for centuries

Casas de pedra e palha provavelmente no mesmo estilo de séculos atrás / Local houses made by stone and straw probably built the same way for centuries

 

The initial plan was trekking in Apolobamba range but after one day in La Paz searching for official info i knew that a trip to there from Nuestra Señora de La Paz (that´s official city name) lasts eleven hours and the van leaves at 6 am from El Alto, a  city next to La Paz. But it was not sure at all that van would be there and leave… Anyway, i write here below the information i´ve got (it must be checked):

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Apolobamba Trek

Van to the villages “Pelechuco” or “Curva” – leaves from El AltoAv. Juan Pablo II (final) – Between Carretera A Laja y Ex Tranca Rio Seco
tels: 680-74905 / 238-2239 / 719-53252

Another great information source is the Tourism Office inside “Terminal de Buses” (Central Bus Station). Ask for the charming Roxana Caro or Guelli Terrazas (Monday to Saturday).

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I decided for my second option that was El Choro trek. It is a better known trek and easier access from La Paz. Here tips how to get close to the beginning of the trail:

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Terminal Minasa (neighborhood Vila Fatima) . Van to “Coroico” (each 30 min.). Get off at “La Cumbre”.

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At La Cumbre (4800m high) starts the path of 71km (44 miles) – where 90% is descent – till Chairo (1600m high) . It is a 2 night/3 days trekking with plenty of fresh water sources. Even if you can walk for days without seeing a single person there are few villages on the way where you can find lodge and food. Local people speak aymara language. They understand and barely speak spanish.

Lago de alta montanha em La Cumbre / Highland lake in La Cumbre

Lago de alta montanha em La Cumbre / Highland lake in La Cumbre

 

First miles are astonishing. Wonderful highland landscapes, deep valleys, llamas and stony Inca trails made between 500 and 1000 years ago. Bolivians call them “Caminos Pré-Colombinos” because they were built and used by andean people before Christopher Columbus arriving in 1492.

Paisagens deslumbrantes / Amazing landscapes

Paisagens deslumbrantes / Amazing landscapes

 

In fact, all along El Choro trek there are many miles of Inca´s paths greatly built. More impressive than those i saw, for example, in Peru when i started writing the blog, here: (https://roottravel.wordpress.com/category/choquequirao-peru-20092010/);

Chukura is the more “developed” village with , probably, hundreds of people living where there is a school and other facilities such small shops at locals´ homes to buy food.

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Certains inhabitants could ask you a “toll” of 20Bs.(bolivianos, is the bolivia currency). It is around US$ 3. They say that will be used for trails maintenance.

Around Chukura and other small settlements we can really notice that local people have got together and restaured Incas´trails because they are really like new. Very well conserved for a 500-1000 years old construction. Since we get far from villages we notice original paths as they were built when Incas passed by.

Caminhos Incas provavelmente restaurados por moradores / Incas´trails probably restaured by inhabitants

Caminhos Incas provavelmente restaurados por moradores / Incas´trails probably restaured by inhabitants

 

In the end of first day i´ve notice i´ve got my left knee torsioned somewhere in the descent because he started hurting a lot. Each step seemed to be a torture. I´ve passed few miles of Chukura and probably walked between 9-12 miles. It happened in the first day ?!? How to continue since pain was unbearable ?? Come back ?

I decided then stop earlier, camp and rest longer hoping next day pain would be gone and then i could persist. I had around 30 miles ahead !!

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Bolivia 2014 – 2015 – El Choro trek – Day 2: Chukura – Choro

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

 No segundo dia comecei a andar cedo e logo a dor no joelho esquerdo voltou. E aumentou. Percebi que estava numa situação dificil. Depois de quase um dia e meio não tinha visto praticamente ninguém. Somente poucos moradores locais. E mesmo que falassem espanhol, ou que eu estivesse acompanhado, o que poderiam fazer ? Me carregar ? Sim, porque não havia estradas, carros ou hospitais. Por algumas horas pensei que toda a viagem estava acabada. Como iria completar aquela travessia ? E fazer as outras ? Como cada passo era penoso demais, calculei que poderia levar muito mais tempo do que o previsto pra chegar ao final. Talvez 6 ou 7 dias. Mas não pensei em voltar.

Vegetação de alta montanha / High mountain vegetation

Vegetação de alta montanha / High mountain vegetation

Ao poucos fui entendendo que aquele era o aprendizado da viagem. Instintivamente percebi que tinha que ir em frente e chegar até o final mesmo sabendo que faltavam…  50km!! Se voltasse seriam em torno de 20km de subidas. Mas percebi, aos poucos, que passar por aquela experiencia estava me trazendo algumas coisas boas. Como cada passo que dava, devido a dor, parecia um quilometro, fui desenvolvendo dentro de mim sentimentos como paciência, persistência, equilíbrio, concentração. Aprendi, através da experiencia própria, como conviver com o sofrimento sem potencializa-lo criando mais estresse mental.

Fui entendendo também, mais uma vez de uma maneira vivencial, no proprio corpo, que aquilo era passageiro e que era preciso diminuir a ansiedade de chegar, respeitando o tempo – e o limite – do proprio corpo. Pode parecer bobagem mas foi um grande momento de apredizado os dias que passei nesta travessia. Acho que não poderia ter tido uma experiencia melhor. Afinal de contas esta é a filosofia roottravel (pra quem ainda não fez, leia –  Meaning / O que é – na pagina inicial );

muitas pontes pra atravessar / many bridges to cross

muitas pontes pra atravessar / many bridges to cross

Segui em frente e, a medida que descia em altitude, entrei na yunga boliviana que é uma floresta tropical de altitude. O clima é um pouco mais quente e úmido do que o frio-seco da alta montanha do início da trilha. Era verão e fazia, durante o dia de 15-20ºC. Tive idéia de entrar nas cachoeiras pelas quais passava para que a água gelada no joelho aliviasse a dor. E realmente funcionava. Pelo menos na primeira hora seguinte. Apesar de não ter passado a dor completamente, fiquei muito contente de ter aprendido lidar com aquela situação com os poucos recursos que tinha.

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Interessante observar, conforme ia entrando no bioma yunga, que algumas plantas alimentícias não convencionais que conhecia do Rio de Janeiro (ao nivel do mar) como Tansagem (plantago major), Dente de Leão (taraxacum officinale), Tiririca (cyperus rotundus), Capuchinha ( tropaeolum majus) e outras que nasciam espontaneamente ali também (> 2000m de altitude).

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Este dia atravessei várias pontes legais. Pontes supensas, de madeira e todas balancavam muito conforme andava. Mas não haveria outra maneira de atravessar tantos rios, e com tanto volume de água. Como estava descendo mais e mais os rios ficavam cada vez mais caudalosos já que toda água do degelo da neve dos cumes das montanhas vinham pelos afluentes e iam se juntando à medida que desciam.

Ponte suspensa / Suspension bridge

Ponte suspensa / Suspension bridge

Finalmente depois de oito horas caminhando cheguei ao camping de Choro onde há uma cachoeira e um rio de fácil acesso. Tem uma familia simpática tomando conta. Paga-se 10 Bs. (R$ 5) para acampar. No outro dia descobri que descendo mais 20 minutos depois deste ponto há um lugar ainda melhor para acampar. Perto de mais uma “puente colgante” (ponte pênsil), este seria o verdadeiro Choro do mapa.

ENGLISH VERSION

Second day started early and pain in the left knee either. And the pain grew. I realised that i was passing by a very difficult situation. After one day and half walking i haven´t seen almost anyone. Only few local inhabitants. And even if they could speak spanish, or if i had travel buddies with me, what could they do ?? Carry me?? It would be useless because there weren´t any road, cars or hospitals along the way. During few hours i thought all the trip was ruined. How could i complete that trek? And how could i do the other as planned in advance ? As every step was so painful, i estimated that i could spend much more time to complete it. Maybe 6 or 7 days instead of 2 or 3.
But i´ve never thought in coming back.

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Little by little i realised that was the real learning of the trip. Instinctively i understood that i had to go ahead and get to the end of the trail even knowing it was lacking … 30 miles !! If i decided to come back it would be around 12 miles going up the hill.

Bioma yunga / Highland rainforest bioma

Bioma yunga / Highland rainforest bioma

I progressively understood that living such experience was bringing me good things as well. As every step, because of pain, seemed to be one mile, i was developing nice feelings inside me such as: patience, persistence, equilibrium, concentration, learning how to live with suffering and how to ease it not creating more mental torment.

Rios com alta vazão devido às águas de degelo dos picos nevados / River with high volume due to slush

Rios com alta vazão devido às águas de degelo dos picos nevados / River with high volume due to slush

I also learned, once more in a experimental way, in my own body, that all is fleeting and i had to slow down the anxiety of arriving to the end, respecting time – and limit – of my own body. Would seems to be foolish but they were great moments of learning those days i was living in that trek. I guess the experience couldn´t be better since that is the roottravel outlook (to those who never did, read –  Meaning / O que é – at the initial page);

Ponte rústica / Rough bridge

Ponte rústica / Rough bridge

Going further and down the hill i was entering in the bolivian yunga, a highland rainforest (>2000m above sea level). The weather is hotter and humid if compared with cold-dry of high mountain in the beginning of trekking. It was summer and temperature was around 15-20ºC. I ´ve got idea to go into waterfalls along the way thinking cold water could make less severe pain on the knee. It worked very well. At least during the following hour. Even if the pain was not gone completely, i was very happy because i learned how to deal with the situation having very few resources available.

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Amazing becoming aware, as i came deeper into yunga biome, of some wild edible plants that i knew from Rio de Janeiro (at the sea level), such as “Tansagem” (plantago major), Dandelion (taraxacum officinale), Nut Grass (cyperus rotundus), Indian Cress (tropaeolum majus) among others that grow spontaneously there too (more than 6000 ft. high).

That day i´ve crossed few cute bridges. Suspension bridges (“puente colgante”), made by wood, rough bridges and all shaked a lot when someone decided walking through. But no other way to pass by all those rivers with huge amount of water due to slush coming directly from the peaks of the range. So, as much as we go down the range greater the volume of water coming from all tributaries rivers.


Camping in Choro

Camping in Choro


Finally after eight hours walking i´ve got the camping site of Choro where there is a river and a nice waterfall with easy access. A pleasant aymara family takes care. Fee to camping is 10Bs. (around US$ 2). Next day i found, walking 20 min. down the hill a better place to camp just beside the river and near to a huge “puente colgante” (suspension bridge). Probably it is the real Choro village marked in the map.

Bolivia 2014 – 2015 – El Choro trek / day 3 : Choro – Buena Vista – Bella Vista

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Depois de três dias cruzei, pela primeira vez, com um grupo. Eram estudantes bolivianos que estavam fazendo a trilha também. Logo após Choro, atravessei mais uma ponte suspensa e, logo após, começou a primeira subida da travessia. Como disse, somente aproximadamente 10% do percurso são subidas.  Para mim foi uma alegria já que meu joelho praticamente parava de doer nas subidas.

A mesma cachoeira de varias distancias no meio da yunga / Same waterfall from different  distances in the middle of rainforest

A mesma cachoeira de varias distancias no meio da yunga / Same waterfall from different distances in the middle of rainforest

As trilhas de pedras tão belamente construidas pelos Incas continuavam lá me acompanhando. Surgiam por centenas de metros e depois desapareciam outra vez. E assim fui entrando cada vez mais na yunga boliviana marcada ao longe, vez por outra, por cachoeiras maravilhosas que rasgavam a mata. As vezes com centenas de metros de altura de queda d´agua, eu pensava admirado: “nunca ninguém chegou até a base dessas cachoeiras envolvidas por tantos quilômetros de mata fechada”;

Caminhos Incas feitos de pedra há pelo menos 500 anos / Inca trails made by stone at least 500 years ago

Caminhos Incas feitos de pedra há pelo menos 500 anos / Inca trails made by stone at least 500 years ago

Passei por pequenas localidades como San Francisco e Buena Vista sempre com pouquissimas pessoas morando (talvez cinco ou dez no maximo). Em Buena Vista a família secava carne de llama ainda bem fresca, ao sol. Estava impregnada de moscas pousadas.

Yunga Boliviana / Bolivian highland rainforest called Yunga

Yunga Boliviana / Bolivian highland rainforest called Yunga

No meio da tarde cheguei em Bella Vista onde mora Sr. Francisco com a familia. Como o lugar me parecia agradável e a chuva ameaçava cair, preferi parar por ali do que continuar por mais duas horas até Sandilani.
Conversei bastante com o Sr. Francisco e ele me falou da sua propriedade e de como viviam. Ele nasceu ali, viveu um peirodo na cidade e depois decidiu voltar para junto da Natureza. Sua mãe está sepuldata em Bella Vista;

Casas ao longo da trilha El Choro / Local houses along El Choro trek

Casas ao longo da trilha El Choro / Local houses along El Choro trek

Por sorte, e por ser final de ano, todos seus sete filhos estavam em casa e pude conhecê-los. A maioria estudava num pequeno vilarejo – Chairo – que ficava a seis horas caminhando dali. Seria a primeira localidade, depois de La Cumbre onde eu havia começado a travessia, que tinha ruas e carros. Somente em Chairo as familias que viviam ao longo da trilha de El Choro podiam pegar uma van e duas horas mais tarde estariam em La Paz. Este era o trajeto que Sr. Francisco fazia, carregado, quando tinha que vender o excedente de sua produção desde que o “puma” (onça parda) atacou e comeu a mula que o ajudava a carregar as mercadorias.

É uma familia praticamente autossuficiente. Produzem batatas, pepino, verduras, tomates, frutas diversas, mandioca (farinhas), feijão, ovos, bananas, galinhas (carne), etc. Eles tem até um pequeno campo de futebol !!

Pedi a esposa de Sr. Francisco se podia preparar algo pra comer e, uma hora depois, ela veio com o que acho que foi o melhor prato-feito da minha vida. Me disseram que as únicas coisas que estavam no prato e que não produziam era o arroz, o óleo e o sal.
Eles produzem flores pra velório (palavras deles) também. E as vendem no mercado de flores em La Paz nos meses de maio, junho e julho. Não sem antes fazer as seis horas de caminhada pela trilha até  Chairo e mais duas horas de van (Chairo-La Paz);

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 ENGLISH VERSION

Finally after three days walking, i´ve crossed a group. Bolivian students were doing the trekking as well. Little after Choro camping site, i passed through another supension bridge and then the path started to ascent for the first time. As i said, only around 10% of all trek are ascents. For myself it was great since my knee almost refused to hurt when going up the hill.

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The Inca´s trails, so beautifully made by stones, were still there following me. Unexpectly they appeared by hundreds of feet and then desapeared again. More and more going into the bolivian yunga marked here and there by astonishing waterfalls ripping dense rainforest. Some of them with hundreds of feet high. I thought to myself: ” maybe never someone reached the base of those waterfalls so far they are involved by miles of thick forest”

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I passed by small villages such as San Francisco and Buena Vista. There are actually very few people living, maybe five or maximum ten. One or two famillies in each. In Buena Vista people were drying llama meat, still very fresh, in the sun. It was full of flies landing on it.

Rio rasgando o vale / River ripping the valley

Rio rasgando o vale / River ripping the valley

Half afternoon i arrived at Bella Vista, where Mr. Francisco lives with his familly. It seemed to be a nice place and rain was up to falls down so I´ve decided to camp there that night instead of walking more two hours untill Sandilani. I had enough time to talk with Mr. Francisco. He told me about his land and how they live there. In fact he was born there, lived for a while in the city and then finally decided to come back close to nature. His mother is buried in Bella Vista;

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By chance, and also because it was Christmas´ holiday, all Mr. Francisco´s seven sons were at home in Bella Vista and i could met them. Most of them study in the next small village – Chairo – six hours walking from there. It is the first locality after La Cumbre (where i´ve started the trek) with engine transportation, streets, cars and vans to La Paz. Families living along El Choro trek could then get a van in Chairo and after two hours reach La Paz. That´s the itinerary of Mr. Francisco when he goes loaded to La Paz, for example, in order to sell excess of his crop since a puma hunted and devored his only mule that helped him to transport goods.

É surpreendente encontrar um campo de futebol / Surprising find a footbal camp in such place

É surpreendente encontrar um campo de futebol / Surprising find a footbal camp in such place

It is almost a self-sufficient family. The plant potatoes, cumcumbers, greens, tomatoes, many different fruits, cassava, beans, eggs, bananas, chicken (meat), etc. They even have a footbal (soccer) camp.

I asked Mrs Francisco´s wife if she could prepare something to eat and, one hour later, she came and i maybe ate the best dish in my whole life. They told me the only food in the dish they didn´t produce in the property were rice, cooking oil and salt.
They also plant flowers. Vigil flowers. They sell them in La Paz during May, June and July months. Not before walking six hours to Chairo and more two hours by van to La Paz.