Cicloviagem / Bike Touring – Dia 1 : Petrópolis,RJ – Simão Pereira, MG – Brasil

(ENGLISH VERSION SOON. STAY TUNED)

É bem difícil se considerar preparado para partir numa cicloviagem. Neste tipo de viagem você  (suas pernas) é o responsável também por todo o deslocamento.  Em nível físico e psicológico mas também em função dos equipamentos e acessórios que você é levado à achar necessários. Talvez, em função disso, muita gente acaba nunca realizando. Ficam adiando e esperando a situação ideal que, obviamente, nunca chega.

Bicicleta pronta pra partir

Bicicleta pronta pra partir

Eu decidi que, apesar de já estar pensando na viagem por seis meses e não me considerar pronto (principalmente em nível dos equipamentos e acessórios necessários), iria partir assim mesmo. E foi a melhor decisão. Já que esta, eu acho, é o primeira dica do que aprendi nessa viagem: parta. Você vai ver que, por mais preparado que você esteja, os imprevistos vão acontecer de qualquer maneira e você vai ser desafiado a resolve-los.

O roteiro – Petrópolis, RJ – Sul de Minas – Petrópolis, RJ -, foi escolhido em função do tempo que eu tinha de férias: 15 dias. E também porque gosto muito da região que eu visitei bastante na época da faculdade pra fazer trabalhos de campo. Lindas paisagens, ótimas cachoeiras, comida boa, povo hospitaleiro, tudo isto ficou nas minhas lembranças.

Aqui o mapa no Google de toda a rota: http://bit.ly/2IfZI3k

Petrópolis (RJ) - Sul de Minas - Petrópolis (RJ) - Mapa completo

Petrópolis (RJ) – Sul de Minas – Petrópolis (RJ) – Mapa completo

A ideia era sair e voltar pedalando.

Depois de arrumar tudo na bike, parti dia 26/12/2017, às 9h30, de Petrópolis. Pelo roteiro traçado o objetivo neste primeiro dia era chegar em Simão Pereira (MG). Em torno de 90 km de pedal., tudo no asfalto e muita descida. Era só o primeiro dia.

A rota deste primeiro dia de viagem no Google Maps esta aqui: http://bit.ly/2Fdq4ls

O objetivo das minhas viagens de bicicleta é estar o máximo possível na natureza. E isto ficou ainda mais claro ao longo deste primeiro dia de viagem já que o asfalto, apesar de ser um piso duro e liso, facilitando o deslocamento, oferece, no meu entender, muitas desvantagens: estresse dos carros passando, barulho, perigo, etc. Mas, muitas vezes o asfalto e as grande rodovias são inevitáveis pra acessar a natureza. Como nesta primeira etapa da viagem.

Petrópolis, RJ - Simão Pereira, MG

Petrópolis, RJ – Simão Pereira, MG

A saída de Petropolis, passagem por Itaipava, Pedro do Rio, pela Estrada União Industria foi tranquilo. Dia de sol. Um dos poucos que teria.
Depois do dia inteiro rodando no asfalto quente com muitas descidas e retas e poucas subidas, finalmente, depois de 90 km, cheguei em Simão Pereira, já em Minas Gerais. No viaduto de acesso à cidade, por volta das cinco da tarde, caiu num grande temporal com raios e trovões. Por sorte estava debaixo do  enorme viaduto e pude me abrigar sem me molhar.

Como depois de duas horas a chuva não passava, decidi ir me preparando pra dormir debaixo de um viaduto pela primeira vez.
Acho que foi a noite mais mal dormida de toda a viagem já que o barulho das carretas passando em cima (no primeiro momento que cheguei, talvez pelo forte barulho da chuva, não me dei conta disso) e o receio de ser avistado por quem passava bem ao lado da barraca no acesso de entrada da cidade, fizeram a noite ser de sono leve e cheia de sobressaltos.
Pelo primeiro dia, esta aventura prometia.

 

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Cicloviagem / Bike Touring – Dia 2 : Simão Pereira – Valadares, MG – Brasil

Assim que o dia clareou levantei e desarmei a barraca. A chuva havia finalmente passado apesar do céu ainda estar encoberto e bastante carregado. Tomei o café e parti rápido já que não tinha nada pra fazer ali naquele lugar cheio de concreto e barulho. Apesar da noite mal dormida estava bem disposto. Talvez pela ansiedade pra chegar logo em plena natureza.

Partindo do que foi minha "casa" por uma noite.

Partindo do que foi minha “casa” por uma noite.

Continuei pela movimentada BR-040 e quando passava por Três Rios já fazia sol e muito calor. Parei num posto de serviços depois de uma longa subida. Tinha aqueles suco de uva natural do Sul do Brasil vendido em maquinas. Não entendo ainda muito bem o fenômeno fisiológico mas meu corpo estava cansado e pedia desesperadamente por açúcar (energia) devido ao esforço e, apesar do preço salgado, aquele suco desceu muito bem. Logo depois de beber e comer, me deu sono. Acredito que tenha dormido um pouco sentado numa mesa do restaurante com ar-condicionado. Estava sendo realmente o primeiro dia de maior esforço físico, com sol e subidas.

E o ônibus não passou..

E o ônibus não passou..

Quando passei por Juiz de Fora, outro desafio pra um marinheiro de primeira viagem: um grande temporal desabou. E desta vez não teve abrigo. Ou melhor, teve sim. Parei com a bicicleta debaixo de um pequeno ponto de ônibus bem na entrada da BR-267 (logo depois de Juiz de Fora, MG), onde já estavam algumas pessoas que tentavam se proteger e chegar em casa depois do trabalho. Mas não teve jeito e não adiantou muito tal o volume da chuva e a força do vento. Esperei diminuir um pouco e fui. Naquele momento entendi que a chuva ia fazer parte da minha rotina na viagem. Era melhor me acostumar com ela e seguir pedalando já que poderia chover por horas seguidas, então não dava pra ficar esperando “passar”…
Se no primeiro dia cumpri a quilometragem que havia programado (90km), muito graças ao fato de ter rodado no asfalto e também num trecho com muitas descidas e áreas planas já no segundo dia, devido aos contratempos, rodei bem menos: 62km.

Simao Pereira- Valadares (MG)

Simão Pereira- Valadares (MG), com Juiz de Fora na parte superior

Aqui está o link da rota : http://bit.ly/2FjVVAY

Quando estava chegando a Valadares, MG (não é Governador Valadares), resolvi buscar lugar pra passar a noite já que pra chegar em Lima Duarte faltavam ainda 30 km.
Parei na cidadezinha de Valadares que só tinha uma pousada. Estava lotada e com donos nada simpáticos. Ainda assim consegui arrancar a informação que deveria ir até um posto, 2 km além.
Apesar que no posto de serviços não tinha hotel, foi bom parar ali porque tinha banheiro e ducha gratuitos e comida farta e barata (R$ 12/prato feito). Alem disso, varias amplas áreas gramadas com arvores, o que me animou à acampar. O problema é que ainda eram 18 h, estava claro com mais de duas horas de dia pela frente. Fui fazendo tudo que precisava bem devagar, deixando o tempo passar.

Tinha um segurança armado no posto. Percebi porque ele estava todo de preto e, às vezes, me olhava , já desconfiando que eu, com aquela tralha toda, tava querendo dormir ali.  Pensei: “uma hora ele vai ter que ir embora, ai eu armo a barraca”.
Não poderia imaginar o que estava por acontecer.
Lá pelas nove horas da noite, fui pra um local mais isolado, atrás do posto, onde havia um gramado e árvores., Quando olhei pro lado vi uma lanterna piscando e se aproximando. Era o segurança. Tinha me seguido. Eu tinha sido descoberto.

Acampamento no parquinho das crianças

Acampamento no parquinho das crianças

 

Ele se aproximou e disse:

– Você pretende dormir aqui ?

– É, estava pensando nesta possibilidade

– Eu não aconselho: Temos aqui três cães rottweillers e daqui a pouco o posto fecha e eu solto eles. Eles vão te “pertubar” durante a noite. Olha, temos aquele parquinho de crianças , porque você não sobe lá no deck e dorme lá em cima porque lá não tem como eles subirem

– Nossa, posso mesmo? Obrigado pela dica.

E assim, o que parecia ser um problema (o segurança) , se tornou a solução. Alias, fiquei muito grato dele ter vindo me avisar sobre os cães. Se não tivesse feito isso, não sei o que poderia ter acontecido . Acho que aquela noite poderia sido mais longa do que de costume.

 

Cicloviagem / Bike Touring – Dia 3 : Valadares – Conceição de Ibitipoca, MG – Brasil

 

O terceiro dia começou com eu tendo que resolver o primeiro problema “mecânico”. Na verdade foi num dos alforges. Um daqueles elásticos usados pra prender coisas no bagageiros agarrou na roda e, ao empurrar a bike, dentro do posto forçou a presilha de fixação do alforge no bagageiro, quebrando-a.

Levantando "acampamento"

Levantando “acampamento”

Pra consertar, tinha a abraçadeira de nailon que quebrou um galho servindo pra fixar o alforge no bagageiro. O único inconveniente era que a cada vez que eu quisesse retirar o alforge teria que cortar a abraçadeira e colocar outra pra fixar de novo. E não tinha

 

Toquei em frente. E logo depois cheguei em Lima Duarte. Terminava ali o asfalto “duro” e começavam as estradas secundarias junto à Natureza, de terra, buracos e paralelepípedo. As subidas de Lima Duarte à Ibitipoca são fortes. Na verdade são mais de 20 km alternando subidas suaves e mais fortes. Os piores trechos estão logo depois de Lima Duarte e antes de chegar à Ibitipoca onde são vários quilômetros de subida realmente muito forte. Com o peso que eu estava empurrei quase todo este ultimo trecho. E mesmo assim foi difícil.

Rota Valadares- Ibitipoca (MG)

Rota Valadares- Ibitipoca (MG)

O link da rota : http://bit.ly/2F4HlQb

Cheguei no final da tarde em Ibitipoca. E como soube que o camping dentro do Parque (que fica a 3 km depois da cidade) estava cheio, resolvi ficar num perto da cidade mesmo. Logo depois do pequeno centro, seguindo pela Estrada do Parque Ibitipoca, tem vários. Comi um pouco e rumei pra lá com a perna bamba.

Lojinha da estrada de barro

Lojinha da estrada de barro

Estava tão cansado que entrei logo no primeiro que encontrei: “Tô em Casa” (da Letícia e da Vanessa). Depois conheci outro muito bom, já mais perto da entrada do Parque, que é o do Mariano onde tem um amplo gramado com mais natureza e um bar que vende os pães, café e rosquinhas deliciosas da D. Carmem.
Percebi que o pneu estava furado, mas ia deixei o conserto pro dia seguinte. Ainda tive tempo de visitar o milharal perto do camping do Mariano onde aprendi com Sr. Antonio alguns segredos:

Sr. Antonio trabalhando na roça de milho

Sr. Antonio trabalhando na roça de milho

  • os nutrientes do solo das partes mais altas escoam pras partes mais baixas onde os pés são bem maiores e produtivos;
  • é preciso capinar em volta dos pés porque  senão o a espiga não sai (competição entre as plantas)
  • eles plantam o milho pra alimentar os animais (porcos e galinhas). Uma parte é pra fazer silagem: todo o pé do milho moído é coberto, guardado e fermentado até o período em que o pasto fica mais escasso (inverno), servindo de alimentação para o rebanho bovino;
  • disseram que o milho é hibrido e que não compram as sementes (guardam de um ano pro outro); Mas ate onde eu sei semente de milho hibrido não rebrota. Não seria milho crioulo ?

 

 

Cicloviagem/Bike Touring – Dia 4 : Parque Estadual de Ibitipoca, MG – Brasil

Agora que tinha me recuperado um pouco de toda aquela subida do dia anterior estava muito contente de ter chegado até ali de bike. Mesmo empurrando, aqueles vários quilômetros de subida eram insanos e foi o primeiro grande desafio da viagem, dentre os muitos que, com certeza, viriam.

Neblina

Neblina

O pneu tinha furado apesar da fita anti-furo e, ao desmontar, a roda achei a causa: aquelas malhas finas de metal dos pneus dos carros que estouram que ficam pelo acostamento. Maldito asfalto !! Mas tive sorte que apesar do asfalto ter ficado mais de 20 km pra trás o pneu só veio a furar mesmo quando já estava em Ibitipoca evitando assim, que tivesse que conserta-lo durante a subida.

Construção do interior de Minas

Construção do interior de Minas

Era dia de explorar o Parque Estadual de Ibitipoca. Todos falam em três dias mas chegando cedo é possível conhecer tudo em um ou dois dias. E eu estava entrando em forma depois de dias pedalando sem parar.

Ponte de Pedra - Parque Estadual de Ibitipoca

Ponte de Pedra – Parque Estadual de Ibitipoca

Varias grutas, picos, vegetação e fauna de altitude únicas, cachoeiras de água ferruginosa cor de vinho rosé com destaque para a Ponte de Pedra, Janela do Céu, Cachoeira dos Macacos, Ducha e Pico do Pião.

Paisagem

Paisagem

A altitude acima dos 1200 m gera um clima agradável. As rochas são quartzitos esbranquiçados, antigas areias (fundo de oceanos, desertos?) que se transformaram em rochas quando foram prensadas em direção profundidades da crosta terrestre.  Depois de milhões de anos viraram rochas (arenitos).

Parque Estadual de Ibitipoca

Parque Estadual de Ibitipoca

E depois de outros milhões de anos foram submetidas a mais um fenômeno geológico: o metamorfismo, que é o aumento da pressão e temperatura em profundidade. Foram então metamorfizadas, isto é transformadas em quartzitos além de serem falhadas e dobradas. Pode-se perceber nas camadas de rochas inclinadas no parque. Nos primórdios quando elas eram sedimentares, estavam na horizontal.

Água ferruginosa

Água ferruginosa

Um aspecto interessante é que as diversas cavernas e grutas, foram esculpidas pelas águas nos quartzitos. Normalmente isto acontece com rocha calcária que se dissolve mais facilmente com água.

Aproveitando na Ducha

Aproveitando na Ducha

Mesmo sendo muito antigas (mais de 2 bilhões de anos) esta cadeia de montanhas ainda tem altitudes de mais de 1500 m !! Pode-se concluir que ela foi bem mais alta devendo ter atingido vários milhares de metros de altitude. Como hoje é o Himalaia ou os Andes, já que, depois do soerguimento atingir o seu ápice, durante todo este enorme tempo geológico posterior, só tem sofrido continuamente o desgaste do vento e das águas (erosão). O resultado é este belíssimo entalhe que forma o conjunto de rochas natural único e harmonioso do parque.

Rochas esculpidas pelas forças da Natureza

Rochas esculpidas pelas forças da Natureza

Me apressei em voltar da Janela do Céu o ponto alto da subida já que tinham me avisado que  portão do parque fechava as 18 h (o que não é verdade, é possível sair ate bem mais tarde).

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De volta à cidade, ainda deu tempo de voltar pro camping, tomar uma ducha e ir explorar a mais animada noite até agora. O centrinho de Ibitipoca alguns dias antes do reveillon com feirinha hippie, música ao vivo na rua, pão de queijo canastra e uma deliciosa pizza me fizeram relaxar e esquecer completamente as “dificuldades” até então. E recuperar forças pra continuar no outro dia bem cedo.

 

 

Cicloviagem / Bike Touring – Dia 5 : Conceição de Ibitipoca – Santana do Garambéu, MG – Brasil

Me despedindo de Ibitipoca passei pela Igrejinha mais antiga (e que leva o nome) da cidade no alto do morro e segui pela estrada que me levaria à Santa do Garambéu. Neste trecho comecei a enfrentar o que seria o cotidiano da viagem a partir dali: estradas de barro e lama em péssimas condições devido às fortes chuvas que caíam varias vezes ao dia durante as ultimas semanas.

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca

Este foi um trecho especialmente difícil. E com a corrente, e rodas cobertas com uma crosta de lama a quilometragem caiu bastante: se estava em 50-60 km por dia , passou a ser 20-30 km/dia. Sem problemas. Já que estava claro que, pra mim, o mais importante dessa viagem e de qualquer outra no cicloturismo era aproveitar e curtir o percurso, cada momento, e não a velocidade, a distancia percorrida ou a performance.

Por isso também, sem me preocupar com a distancia ou o tempo, fazia questão de parar a cada vez que avistava uma flora endêmica, uma cena original ou um personagem local que me chamava atenção e que se mostrasse aberto em trocar algumas palavras.
Foi num desses momentos que cruzei com um carro de boi com quatro animais que parecia ter vindo diretamente do seculo passado. Ele carregava vários latões de leite e era tocado por um vaqueiro que ia a pé emitindo sons que pareciam controlar os bois naquela estrada difícil. Peguei indicação com o vaqueiro qual era a melhor rota até Santana do Garambéu e continuei.

Carro de Boi

Carro de Boi

Nessa altura tendo atravessado tantos quilômetros de barro e poças de lama, não conseguia enxergar nem mesmo através da garrafa transparente de água. Interessante é que mesmo fechada o barro conseguia entrar e ao beber a água sentia alguns grãos de areia nos dentes. Deixei aquela garrafa que ficava na caramanhola de lado e comecei a usar a que ficava (protegida) dentro do alforge.

muita lama

muita lama

Mais à frente cruzei com um grupo de cavaleiros que estava fazendo uma espécie de cavalgada tropeira que acontecia entre amigos todos anos. Durante 3 ou quatro dias eles andavam de cavalo de dia passando por fazendas onde se alimentavam e dormiam. Alguns, que não tinham cavalo, iam de carro ou moto. Estavam com dificuldade de avançar num ponto porque os carros atolavam na estrada. Num ponto de subida de lama forte tive que parar ate que conseguissem tirar um carro atolado e eu pudesse passar empurrando a bicicleta morro acima. Impossível pedalar ali.

Cavalgada Tropeira finalizando em Santana do Garambéu

Cavalgada Tropeira finalizando em Santana do Garambéu

No final do dia cheguei à Santana do Garambéu. estava tão esgotado que resolvi ficar, pela primeira vez, numa pousada. A unica mais acessível é a que fica em cima do bar do Zé Manoel. Aliás que personagem!! Vale a pena conhecê-lo. Você pode encontrá-lo ao lado da mesa de sinuca fica na parte de trás do bar onde ele vai vencendo um a um os adversários, que parecem não acreditar nos lances que assistem. Quando passar por lá, tente ganhar uma partida de sinuca dele pelo menos.

O link da rota no Google Maps: http://bit.ly/2F3nKN1

 

Ibitipoca- Santana do Garambéu

Ibitipoca- Santana do Garambéu

Foi em Santana do Garambéu também que tive a exata noção de como vivo numa cidade cara. Sai à noite pra comer um sanduíche num daqueles trailers de lanches. O cara vendia hambúrgueres variados a R$ 6,00. O pão de hambúrguer era do grande. Pedi um mas ao invés da carne pedi com queijo, ovo, tomate e alface. Ele ainda sugeriu, batata palha. ervilha e milho. Custou inacreditáveis R$ 3,00 !!

 

Cicloviagem / Bike Touring – Dia 6 : Santana do Garambéu – Andrelândia, MG – Brasil

Na saída de Santana do Garambéu, fiz a primeira modificação no roteiro. E foi absolutamente por acaso. Meu destino seria Madre Deus de Minas mas quando estava saindo da cidade vi a placa : Andrelândia, que seria um dos próximos destinos. Parei pra perguntar e um grupo de moradores foi categórico: “Vá pra Andrelândia direto. O caminho é mas plano e bonito, e a estrada pra Madre Deus está muito ruim depois das chuvas”.
O trajeto: http://bit.ly/2Fes1R6

Longas retas, subidas e descidas na estrada até Andrelândia

Longas retas, subidas e descidas na estrada até Andrelândia

 

Como estava atrasado na programação da viagem,  decidi seguir os conselhos e ir direto pra Andrelândia. Realmente a estrada era bem mais plana, principalmente se comparada ao trecho anterior. E estava em boas condições, com a terra batida. Parecia ser mais arenosa também e, por isso, a água infiltrava melhor e não havia acumulação de lama.

Paisagem do Sul de Minas: "Mar de Morros"

Paisagem do Sul de Minas: “Mar de Morros”

Apesar disso as tempestades de chuva e vento continuavam. Várias vezes ao dia caíam impiedosamente. Nestes momentos colocava uma capa impermeável. Quando a chuva parava tirava a capa e guardava já que começava a fazer calor e eu suava muito à medida que pedalava. Este tira e põe acontecida varias vezes ao dia. As vezes com intervalos de poucos minutos.

Minas e sua fé e religiosidade

Minas e sua fé e religiosidade

Naquele momento estava ficando sem freios. Quando me aproximei de Andrelândia tive que descer e ir andando segurando a bike ladeira à baixo porque ela já não parava. Mais um desafio mecânico por dia seguinte: conseguir regular os freios e fazer com que eles voltassem a funcionar. Mas isso era importante por que nas áreas planas e descidas a pedalada rendia mais do que nas subidas, onde muitas vezes tinha até que empurrar.

Tempo fechado

Tempo fechado

Andrelândia, cidadezinha histórica em plena Estrada Real, cheia de casas, que pareciam desenhadas, do período colonial quando servia de rota pros viajantes do ciclo do ouro.
Era dia 31/12.  A cidade lotada pra missa e pra festa de revéillon que é famosa na região e até em outros estados (encontrei uma garotada do Rio de Janeiro).

Uma das muitas construções históricas de Andrelândia, MG

Uma das muitas construções históricas de Andrelândia, MG

Os funcionários da recepção de um dos únicos hotéis da cidade, talvez percebendo minha vulnerabilidade de viajante de bicicleta, foram muito atenciosos comigo e me deram a ultima vaga disponível. O supermercado ainda estava aberto me reabasteci de água que ali custava R$ 2,15, bem diferentes dos R$ 5,00/litro que já havia pago em alguns trechos.

Andrelândia, MG

Andrelândia, MG

Lavei e coloquei toda roupa pra secar, já que estava encharcada e enlameada. Depois fui  pra praça principal aproveitar um pouco da festa de revéillon lotada. Depois de pouco tempo lá percebi o que interessava de verdade era dormir cedo e poder descansar já que no outro dia tinha mais estrada pela frente.

 

 

Cicloviagem / Bike Touring – Dia 7 : Andrelândia – São Vicente de Minas , MG – Brasil

Depois de regular o freio na pracinha central de Andrelândia, parti por volta de 11 h da manhã. Como já era tarde optei em pegar o asfalto da BR-494 em direção a São Vicente de Minas, que ficava  a pouco mais de 30 km, ao invés de seguir o que estava programado: ir pra Serranos, o que seria três vezes mais distante, e pela terra.

Deixando Andrelândia (ao fundo)

Deixando Andrelândia (ao fundo)

Apesar de ser estrada de asfalto em mão dupla, o trafego esteve muito tranquilo durante todo o trajeto já que era feriado, dia 1º de janeiro de 2018. Foram poucas subidas também. O único imprevisto foi uma arvore caída na estrada, que de longe pensei que fosse um acidente envolvendo os dois carros da policia que estavam parados para removê-la.
O dia de sol fez a paisagem verde ficar incrivelmente linda. Era somente o segundo dia (o primeiro junto à Natureza) que fazia sol.

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Com um trajeto tão tranquilo (asfalto e sem chuva) Cheguei bem cedo à São Vicente de Minas. Parei logo num bar na entrada da cidade que achei bem antigo e acolhedor. Era o bar do Sr. Chico, um senhor de mais de 80 anos que, apesar de traços asiáticos, acho que foi imigrante português da Ilha de Faial, nos Açores já que, pregado na parede do seu bar tinha uma arvores genealógica desde os primeiros imigrantes desta Ilha pro Sul de Minas.

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Ali conheci alguns moradores locais que ficaram espantados ao saber que estava vindo de tão longe de bicicleta. Assim como a Vanessa, uma gaucha que mora em São Paulo e que estava de passagem. Ela dizia que acha interessante conhecer pessoas que tem esse tipo de projeto na cabeça.
Parou também o Sr. José. ciclista (de capacete e tudo) com uma mountain bike com motor adaptado 🙂

Construções históricas presentes em toda Estrada Real

Construções históricas presentes em toda Estrada Real

Provei um Guaraná Mantiqueira, marca pequena do interior de MG segue no mercado resistindo e que me acompanhou pelo resto da viagem no Estado. Em Santana do Garambéu tinha provado outra marca de guaraná, ainda menor e que nunca tinha visto: o Príncipe Negro.

A rota do trecho é essa: http://bit.ly/2HS8TXv

Andrelandia - Sao Vicente de Minas

Andrelandia – Sao Vicente de Minas

Chegando ao centro, pude aproveitar  e curtir os moradores locais passeando pela pracinha principal no fim de tarde preguiçoso do feriado. Fiquei aproveitando um dos raros momentos de wi-fi sentado num dos animados bares da praça.

 

Trailer de lanches em São Vicente de Minas

Trailer de lanches em São Vicente de Minas

 

Duas crianças me chamaram atenção. O Rafael, um garoto ciclista que adaptou um copo de plastico da roda de trás e conforme pedalava o copo gerava um som motorizado na bicicleta.
A outra foi a menina Sofia que com seus 10-12 anos estava sentada num banco da praça com uma mesinha vendendo “perfumes” que ela mesma fazia. Em copos de plastico cheios de água ela jogava pétalas de uma determinada flor e e elas perfumavam incrivelmente a água do copo.

Com estas inspirações terminava meu sétimo dia de viagem no calmo e ensolarado fim de tarde de São Vicente de Minas.

Cicloviagem / Bike Touring – Dia 8 : São Vicente de Minas – Carvalhos , MG – Brasil

Como havia pedalado só 30 km no dia anterior, decidi ir um pouco mais alem. Fiz em torno de 50 km, passando por Seritinga e Serranos, antes de finalmente chegar em Carvalhos. Até porque no final do dia tive que sair novamente da estrada principal. A cidade de Carvalhos fica há alguns quilômetros do trevo rodoviário principal. Mas vale à pena conhecer. Um dos trechos mais bonitos até agora.

Paisagem peculiar

Paisagem peculiar

Choveu pouco. Alás, se por um lado estava tendo que desbravar estradas completamente enlameadas com pedras, buracos e com muita chuva por outro lado, isso foi bom porque a temperatura estava muito agradável, sem o forte calor habitual no verão. Imagino o que seria pedalar o dia todo com sol escaldante.

Estrada que leva à Carvalhos

Estrada que leva à Carvalhos

Desde que entrei em Minas a paisagem verde era quase sempre de pasto. Alás tudo no Sul de Minas gira em torno da vaca e de outros animais, como o porco. A vaca exige muito espaço e pasto.  Um criador que conheci na viagem, e que tem 250 cabeças de gado, me disseque precisava ter 400 hectares pra ter pasto suficiente no inverno quando chove pouco. Talvez seja uma das razões porque no Sul de Minas não se encontre verduras, legumes e frutas disponíveis nas refeições e lanches.

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Tudo é pra o animal, criações e rebanhos : o milho, por exemplo, é exclusivamente plantando pra alimentar os animais. Os rebanhos são pra carne e também grande parte pra produzir leite pra fabricação de laticínios.

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Encontrei alguns ciclistas locais voltando do trabalho em suas barra-fortes e me chamou a atenção que assim que a subida começa eles descem e imediatamente começam a empurrar as magrelas.

Descansando e fazendo selfie

Descansando e fazendo selfie

Chegando na cidade me esbaldei na padaria. É incrivel mas todas as cidades de Minas que passei, em qualquer boteco ou padaria, o pão de queijo é muito bom. Muito melhor do que comemos no Rio de Janeiro. E grande. Nesta padaria haviam variações dele, e ainda biscoitos, bolos, rosquinhas, etc. Tudo acompanhado com um café com leite com direito à nata. Há tempos que não tomava um assim.

Sao Vicente de Minas- Carvalhos

São Vicente de Minas- Carvalhos

O trecho: http://bit.ly/2HVyVJz

Me abasteci também de água mineral para o dia seguinte, já que o supermercado ainda estava aberto e pude encontrar a R$ 2,30/litro. Água mineral pro cicloturista é um dos itens mais importantes que nunca pode faltar.

Antiga estação de trem de Carvalhos

Antiga estação de trem de Carvalhos

No restinho de tarde aproveitei também pra localizar no GPS aonde era a saída da cidade, em direção à Liberdade, meu próximo destino do dia seguinte. E conversando com uns senhores na pracinha me aconselharam a, ao invés de ir pela estrada de terra normal, pegar a via alternativa que era a antiga linha do trem. Me indicaram por onde deveria ir pra encontrá-la-la à uns 3 km da cidade.

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Fiquei muito satisfeito porque há algumas semanas tinha acompanhado um debate num grupo de cicloturismo sobre o aproveitamento das antigas estradas de ferro pra trilhas de cicloviagem. No dia seguinte ia ter a oportunidade de experimentar como seria viajar numa dessas. E ainda, admirando a bela paisagem de Minas.

 

Cicloviagem / Bike Touring – Dia 9 (parte 1): Carvalhos – Liberdade , MG – Brasil

Indo pra Liberdade, peguei a direção que tinham me indicado pra sair da cidade de Carvalhos,  e que confirmei pelo GPS.

Pedalei alguns poucos quilômetros e encontrei com Sr. Hermes, criador de vaca leiteira. Ele estava descarregando dois tonéis de leite que eram levados por seu cavalo como se fossem os dois alforges na bicicleta.

 

Fazenda antiga, provavelmente anos 70

Fazenda antiga, provavelmente anos 70

 

Deixava na beira da estrada pro caminhão da industria de laticínios pegar. Disse que, acordava cedo e fazia isso todos os dias. O laticínios pagava R$ 0,90/litro de leite (janeiro 2018) e ali estava com 60 litros, a produção diária das seis vacas que tinha. Quando é inverno e a oferta de leite cai, o preço sobe mas não muito. No máximo, pra R$1,20/litro.

Nos últimos anos tem se desenvolvido nesta região a fabricação de queijos artesanais de qualidade.  Como já disse, quase toda cidade tem pequenas indústria de laticínios que estão produzindo não só o queijo Minas Padrão e manteiga mas também queijos curados como o Canastra e muitos outros inclusive de inspiração européia como o Gorgonzola, Gouda, etc.

 

É difícil pro cicloviajante poder comprar já que em geral só vendem inteiros ou metades. O que é muito pra quem tá sozinho e de bike e acampando, portanto sem refrigeração.

O que ele ganha com o leite não é muito depois me falaram que famílias como a dele moravam no sítio e produziam praticamente tudo que precisavam. Então, apesar do pouco faturamento eles não gastavam com nada!! E vão guardando o dinheiro…

Perguntei à Sr. Hermes se ia chover. Ele olhou pro céu negro carregado e disse que achava que não porque estava frio e as nuvens pareciam estar “esparramando”.

Estrada da linha do trem

Estrada da linha do trem

Confirmei o caminho da “linha” com ele e parti. A antiga estrada de ferro que hoje aterrada virou uma estradinha local é ótima pra cicloturismo na natureza apesar das pedras e buracos. É muito tranquila e praticamente não tem trafego, Além disso as subidas são suaves. Fiquei pensando que isto talvez seja pelo fato dos trens que passavam na época por ali não tinham muita potencia então não poderiam enfrentar subidas ingrimes como são as rodovias atuais, feitas pros carros e caminhões modernos e potentes. Estas antigas linhas de trem praticamente seguem as curvas de nível, vão pelas beiras dos rios e fundos dos vales na maior parte do trajeto.

Antiga estação de Silviano Brandão

Antiga estação de Silviano Brandão

Os trilhos estão completamente encobertos. Os únicos vestígios que vemos das antigas estradas de ferros, são as antigas estações quase abandonadas, como a de Silviano Brandão que passei, algumas poucas casas em vilas que deviam servir de moradia para os antigos funcionários. Além dos cortes estreitos nos morros e pedras por onde as estradas passam.

Carvalhos - Liberdade

Carvalhos – Liberdade

Como em geral estas estradinhas não são indicadas o único meio de acessá-las é conversando com os moradores e procurando saber onde estão exatamente.

A rota do trecho: http://bit.ly/2FeosLv

Depois muitos quilômetros de subidas e descidas suaves, uma viagem tranquila sem trafego algum e com lindas paisagens cheguei no asfalto, na MG-814, onde pega-se à direita, subindo pra mais 1 km até chegar em Liberdade.

Cheguei por volta de 13 h e tomei logo um caldo de cana de um senhor com o carrinho parado na rua.

Foi lá também que visitei uma queijaria no centro com todos os queijos artesanais da região,  mas como disse a maioria dos queijos são vendidos inteiros então é difícil pra um cicloviajante levar. Mas fui num supermercado e o mesmo queijo parmesão poderia ser vendido em pedaços menores. Comprei umas 150 g, fiz um sanduíche e embrulhei o pouco que sobrou pra levar.
Como ainda era cedo, parti em direção à Taboão.

Cicloviagem / Bike Touring – Dia 9 (parte 2): Liberdade – Taboão , MG – Brasil

Saindo de Liberdade, resolvi continuar a pedalar pelo resto da tarde com objetivo de chegar em Bom Jardim de Minas e depois, Taboão. Até Bom Jardim de Minas fui pela mesma estrada da linha do trem. Paisagem linda e relevo suave.
Nos últimos dois dias o esforço estava sendo um pouco menor em função do fato que essas estradas da linha do trem seguem praticamente as curvas de nivel.

Saindo de Liberdade

Saindo de Liberdade

 

O esforço da viagem como um todo é ficar longas horas pedalando em terreno irregular, subindo ladeiras de vários quilômetros, com concentração da mente no corpo, nos músculos que eram exigidos durante esses longos períodos de resistência e força, e na estrada já que o cicloviajante está permanentemente decidindo qual o melhor caminho no segundo seguinte ajeitando a posição do guidão, tomando a melhor direção que depende de como a estrada se apresenta à sua frente (buracos, pedras, poças).

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Este estado de esforço e concentração durante horas seguidas produz um fenômeno físico de liberação de hormônios como a endorfina e uma espécie de estado mental de sublimação. Um “pequeno nirvana”. Não sei se é exatamente esta a palavra. Só mesmo quem passa pela situação pode entender. Nada demais, mas o fato é que, pelo menos aconteceu comigo, você começa a fazer as coisas acontecerem, tomar decisões rápidas e certeiras, ter visão clara, parece que tudo no “universo conspira a seu favor”.

 

A gente começa também a desenvolver a equanimidade. Sim, senti o mesmo realizando retiros longos de meditação, onde justamente trabalhamos durante horas o esforço e a concentração.

Ninho

Ninho

 

As dificuldades passam a ser encaradas de outra maneira. Mais suave. Você desenvolve tolerância, paciência, sabe que aquilo (qualquer coisa que acontece) não é nada, vai passar. Talvez seja o fato de você estar passando por tanta dificuldade na viagem, a começar pelo esforço e a resistência, e vem superando um quilômetro após o outro.

Mais à frente vou contar algumas coisas impressionantes que aconteceram comigo que, acho, estavam relacionadas à este fenômeno empoderador.

Bom Jardim de Minas é uma cidade um pouquinho maior e tive um pouco mais de dificuldade de encontrar a estrada da linha do trem que leva à Taboão. Estava marcada no GPS que ao que parece através, do app GPX Viewer, busca a melhor rota pro ciclista, tendo em vista a menor distancia e declive. Mas não tinha muita pratica em como localizar no mundo real o que indicava o GPS (foi minha primeira viagem com ele). E também só ligava ele no momento de bifurcações pra economizar a bateria do celular.

A rota do trecho: http://bit.ly/2G4fIoy

Liberdade - Tabuão

Ao perguntar aos moradores, estes raramente vão indicar uma estrada de terra de pouco movimento e sim, sempre aquela estrada de asfalto por onde os carros vão. O que nem sempre é a melhor opção pro ciclista.
Como já eram 16 h, e depois de quase uma hora procurando, decidi pegar, nesta etapa final do dia, os quase 20 km de asfalto (BR 267, veja a rota no google maps acima), que faltavam pra chegar em Taboão. Não preciso nem dizer de como me arrependi, não é ? Subidas fortes, barulho, poluição. Que contraste !!

Taboão

Taboão

Cheguei a pequenina Taboão no fim da tarde. Tinha pedalado uma longa distancia e tava bem cansado. Até ali, estava confirmada a previsão do Sr. Hermes que, lá na saída de Carvalhos de manhã cedinho, previu que não iria chover apesar do céu carregado.

Em Taboão não tinha pousada nem restaurante. E logo depois começou uma chuva forte. Temporal. Como não sabia onde ia ficar pedi a um senhor que estava na varanda da sua casa conversando comigo se ele podia carregar o meu celular até no outro dia quando passaria pra buscar. A resposta foi NÃO. Talvez pela idade dele e por estar assustado com toda violência que a TV se ocupa em mostrar a cada dia .

Debaixo daquele temporal procurei um lugar pra acampar e achei um quase perfeito. O campo de futebol na saída da cidade !! Os vestiários estavam abertos e tinha água e luz. Ali, pude recarregar o celular, tomar banho, cozinhar e dormir. E de graça !! Tudo isso bem protegido da tempestade que caía lá fora.