Cicloviagem / Bike Touring – Dia 1 : Petrópolis,RJ – Simão Pereira, MG – Brasil

É bem difícil se considerar preparado para partir numa cicloviagem. Neste tipo de viagem você  (suas pernas) é o responsável também por todo o deslocamento.  Em nível físico e psicológico mas também em função dos equipamentos e acessórios que você é levado à achar necessários. Talvez, em função disso, muita gente acaba nunca realizando. Ficam adiando e esperando a situação ideal que, obviamente, nunca chega.

Bicicleta pronta pra partir

Bicicleta pronta pra partir

Eu decidi que, apesar de já estar pensando na viagem por seis meses e não me considerar pronto (principalmente em nível dos equipamentos e acessórios necessários), iria partir assim mesmo. E foi a melhor decisão. Já que esta, eu acho, é o primeira dica do que aprendi nessa viagem: parta. Você vai ver que, por mais preparado que você esteja, os imprevistos vão acontecer de qualquer maneira e você vai ser desafiado a resolve-los.

O roteiro – Petrópolis, RJ – Sul de Minas – Petrópolis, RJ -, foi escolhido em função do tempo que eu tinha de férias: 15 dias. E também porque gosto muito da região que eu visitei bastante na época da faculdade pra fazer trabalhos de campo. Lindas paisagens, ótimas cachoeiras, comida boa, povo hospitaleiro, tudo isto ficou nas minhas lembranças.

A ideia era sair e voltar pedalando.

Depois de arrumar tudo na bike, parti dia 26/12/2017, às 9h30, de Petrópolis. Pelo roteiro traçado o objetivo neste primeiro dia era chegar em Simão Pereira (MG). Em torno de 90 km de pedal., tudo no asfalto e muita descida. Era só o primeiro dia.

A rota deste primeiro dia de viagem no google maps esta aqui: http://bit.ly/2Fdq4ls

O objetivo das minhas viagens de bicicleta é estar o máximo possível na natureza. E isto ficou ainda mais claro ao longo deste primeiro dia de viagem já que o asfalto, apesar de ser um piso duro e liso, facilitando o deslocamento, oferece, no meu entender, muitas desvantagens: estresse dos carros passando, barulho, perigo, etc. Mas, muitas vezes o asfalto e as grande rodovias são inevitáveis pra acessar a natureza. Como nesta primeira etapa da viagem.

Petrópolis, RJ - Simão Pereira, MG

Petrópolis, RJ – Simão Pereira, MG

A saída de Petropolis, passagem por Itaipava, Pedro do Rio, pela Estrada União Industria foi tranquilo. Dia de sol. Um dos poucos que teria.
Depois do dia inteiro rodando no asfalto quente com muitas descidas e retas e poucas subidas, finalmente, depois de 90 km, cheguei em Simão Pereira, já em Minas Gerais. No viaduto de acesso à cidade, por volta das cinco da tarde, caiu num grande temporal com raios e trovões. Por sorte estava debaixo do  enorme viaduto e pude me abrigar sem me molhar.

Como depois de duas horas a chuva não passava, decidi ir me preparando pra dormir debaixo de um viaduto pela primeira vez.
Acho que foi a noite mais mal dormida de toda a viagem já que o barulho das carretas passando em cima (no primeiro momento que cheguei, talvez pelo forte barulho da chuva, não me dei conta disso) e o receio de ser avistado por quem passava bem ao lado da barraca no acesso de entrada da cidade, fizeram a noite ser de sono leve e cheia de sobressaltos.
Pelo primeiro dia, esta aventura prometia.

 

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Galápagos: Rio-São Paulo-Bogotá-Quito-Ilha de Baltra

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Viagem de Raiz começa muito tempo antes de embarcar. Por exemplo, para Galápagos as passagens geralmente são caras. Então, quando surge uma promoção – e em geral ela aparece muitos meses antes – você tem que decidir imediatamente e comprar. Depois se vira pra poder ir. Foi isso que eu fiz. E pra garantir, escolhi a semana do Carnaval por que assim poderia ter certeza, antecipadamente, que estaria menos ocupado.
É sempre assim,  quando a data vai chegando vai dando aquela preguiça de arrumar as coisas sair da rotina e ir.
Lendo até o final sobre esta aventura em Galápagos vocês vão entender que esse sentimento de “preguiça de sair da rotina” é um completo absurdo. Então vamos lá.
Promoção de passagem aérea as vezes tem seus incovenientes. Desta vez foi o longo tempo de viagem e as diversas conexões: Rio-São Paulo-Bogotá-Quito-Ilha de Baltra (Galápagos). Tempo estimado: 36 horas que, com os atrasos, se tornaram quase 48 horas !

A preparação foi minima. Isto também vem se tornando uma rotina. Imprimi alguns mapas gerais e li alguns blogs e relatos de viagem com dicas. Uma coisa começou a me assustar: todos diziam que Galápagos é um turismo muito caro como, por exemplo, Punta Del Este, Gstaad, Ibiza ou Fernando de Noronha. Eu teria então mais um desafio de um viajante-raiz: Achar meios de viajar numa ilha altamente turística fora do circuito tradicional e tornar a viagem barata. Deveriam haver meios de viver como os locais de lá vivem e evitar as “grandes atrações” que sempre são mais caras devido à grande demanda.
Assim, levar a barraca e o material básico de camping foi parte do planejamento.
Galápagos é um patrimônio natural único no mundo. E o Equador leva isso muito a serio. Por isso, as restrições, normas e burocracias são muitas, o que aliás vem dando bons resultados. Neste sentido, acampar é permitido somente em algumas áreas e com autorização prévia do Parque Nacional (www.galapagos.gob.ec).
Tentei obter autorização ainda no Brasil pela internet mas meu amigo, muito simpático, Luis Fernando – que trabalha no Parque Nacional – me informou que isto só seria possível pessoalmente e, normalmente levariam 48 horas pra liberar.

Chegando no aeroporto em São Paulo, levei um tremendo susto. O gerente da Avianca veio me perguntar se eu tinha tomado vacina contra febre amarela há mais de 10 dias pois , caso contrario, não poderia viajar. Segundo ele, esta era uma recente determinação do governo de Quito e se a companhia aérea permitisse o embarque na origem sofreria penalidades.

Fiquei gelado só de pensar que teria que voltar e passar o carnaval no Rio de Janeiro !! Algo me ajudou e eu disse que não tinha tomado a vacina mas que Quito não seria meu destino final mas apenas uma conexão. Meu destino seria Galápagos. Ele, que parecia muito mais nervoso do que eu, disse que se era assim poderia me liberar se eu prometesse não sair da área interna de conexão do aeroporto. Me disse também que só desta maneira eu tinha “uma chance mínima de conseguir chegar ao meu destino”. Não entendi nada mas concordei com tudo e segui viagem, aliviado.

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Procurei não pensar muito mas quando fui chegando em Quito a possibilidade de ser barrado num país começou a me incomodar. Ainda mais pelo fato que fiquei pensando que tinha quase certeza que seria impossível cumprir minha promessa de ficar na parte interna reservada para as conexões já que estaria entrando no Equador em Quito portanto teria, obrigatoriamente, que passar pelo controle da imigração para, só depois, embarcar num voo nacional para Galápagos.
Não deu outra. Chegando em Quito, me direcionaram para o controle da Imigração. Conforme a longa fila andava fiquei pensando se falaria que não tinha a vacina ou que tinha apresentado o comprovante de vacinação ao funcionário da Avianca em São Paulo e ele, por esquecimento, “acabou não me devolvendo”. Levantei a possibilidade de mentir porque isto traria dificuldades para confirmação, duvidas e, talvez, me liberassem…
Mas, como sempre, decidi falar a verdade. Mas nem foi preciso. A funcionária, fez algumas perguntas (nada relacionado a vacinas), e me liberou.
Nossa imaginação as vezes é mais fértil do que a fria realidade.
De qualquer maneira se vocês não quiserem arriscar nada, melhor se informar e tomar as vacinas antes de viajar.

Planejando explorar o centro histórico / Planning to explore historical center

Planejando explorar o centro histórico (com Ana Maria ao fundo) / Planning to explore historical center (with Ana Maria behind)

Já que tinha passado pela imigração – “descumprindo minha promessa” – e fui informado no check-in pra Galápagos que o voo estava atrasado varias horas, resolvi explorar mais e ir até ao centro histórico de Quito que foi, em 1978, a primeira cidade do mundo declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela ONU.

Centro Histórico de Quito / Historical Center of Quito

Centro Histórico de Quito / Historical Center of Quito

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Para chegar ao Centro Histórico de Quito de maneira barata:

– Piso térreo: Onibus Rio Coca (até ponto final)
– Atravesse a rua até o outro Terminal: Onibus articulado (até Plaza Marin)
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Obs: O Aeroporto Mariscal Sucre fica longe do centro. Estas duas viagens de onibus podem levar quase duas horas. Portanto só vá se tiver disposição e mais de seis horas disponível pra explorar Quito entre os voos.

Quito foi a primeira cidade declarada Patrimonio Histórico e Cultural da Humanidade / Quito was the  first city declared World´s Cultural and Historical Heritage

Quito foi a primeira cidade declarada Patrimonio Histórico e Cultural da Humanidade / Quito was the  first city declared World´s Cultural and Historical Heritage

Estava com disposição e só tive a informação do longo trajeto conversando com a trocadora Maria. Vivendo e aprendendo.. Mesmo assim tive umas duas hora e pude aproveitar e conhecer mais do charmoso e preservado centro histórico de Quito. Esqueça os mapas, os nomes (quase sempre de santos) e as datas. Relaxe. Basta ir andando e virando o pescoço de um lado pro outro. É história e cultura por toda a parte. Destaque, claro, pra arquitetura colonial com interiores magníficos esculpidos em madeira e folhados a ouro das igrejas como a Iglesia de San Francisco. Iglesia de La Compañia, La Catedral e para a monumental Basílica.

Apesar do verão estava frio. Não é pra menos  já que a cidade fica a 2850m acima do nível do mar.

Centro histórico restaurado e preservado / Historical downtown restored and preserved

Centro histórico restaurado e preservado / Historical downtown restored and preserved

Como disse, ao embarcar pra Galápagos deve-se mostrar toda bagagem que é depois lacrada. Me antecipei e mostrei os alimentos desidratados que estava levando para acampar (seguindo orientação do Parque Nacional). Existe uma longa lista de restrições mas basicamente poderíamos resumir em: Não pode-se levar alimentos frescos nem com sementes férteis. Isto pra evitar a entrada e disseminação de espécies invasoras que poderiam colocar em risco o frágil equilíbrio de espécie únicas e endêmicas do arquipélago.
Prepare-se para pagar US$ 20 de taxa no aeroporto antes de embarcar e mais US$100 para o Parque Nacional ao chegar na arquipélago (para nós do Mercosul esta ultima cai para US$ 50);

ENGLISH VERSION

A Root Travel´s planning begins far before boarding. For example, normally air tickets to Galapagos are really expensive but when you get a sale, and in general they appears several months before the flight, you have to decide immediately and buy it.
I did so and choosed to fly just before the beginning the Carnival because as it is a national holiday certainly i would be less occupied with my work and could arrange all in order to travel.

But in general when boarding date approaches i get a kind of lazyness in pack and arrange all to get off routine and go.

Many disadvantages in finding less expensive air tickets indeed. In this case it was several connections i would have to do: Rio- Sao Paulo – Bogotá – Quito – Ilha de Baltra (Galapagos). Including several hours in each airport. Estimated total time : 36hours . In practice, after all, it became almost 48h.

Prior preparation was minimal. It is becoming a routine as well. I´ve printed few maps of different islands of the archipel, read some blogs and stories. I took notes of the most important tips and information. As i was doing this task i started being kind of frightened: everybody was saying that toursim in Galapagos was quite expensive as, for example, Punta Del Este, Ibiza, Fernando de Noronha (an island in Brazil) and other fancy spots.
So, i would have one more challenge as a roottraveller: find ways to travel trough a very touristic island being off-the-grid and doing my trip as cheap as possible. It should have ways to live as the locals do, avoiding “great attractions” and fancy places that are always more expensive because of high demand.
With this purpose in the mind packing basic camping stuff was, of course, part of preparation. Galapagos is a unique world heritage. And Ecuador has always took it very seriously. Therefore, there are many restrictions, rules and burocracy which are working very well. Camping is permitted but only in few areas and only with previous authorisation of the National Park of Galapagos
(www.galapagos.gob.ec).

I´ve tried to get the authorisation for camping from the National Park previously in Brazil but they said that all procedures should be done personally and normally it would take 48h to be ready :-O

Arriving at the Guarulhos International Airport in São Paulo, i´ve got really scared. Avianca´s manager came to me asking if i´d taken Yellow Fever´s vaccine, because it is a new requirement from Quito´s government. Air companies were instructed to not allow people board if they don´t have taken the vaccine dose at least ten days before the trip.

I was really frightened just thinking that i could have to come back and spend my Carnival holiday in Rio de Janeiro´s Schools of Samba!! Something happened and suddenly i said that i didn´t take the vaccine but Quito would not be my final destination but just a connection to Galapagos. He, that seemed to be more nervous than me, said in this case he could allow me to embark. But he asked me to promise that i will not get off from the internal connection area of the Quito´s airport. He also said that was “the only way for me to get a chance to arrive to Galapagos. I didn´t understand anything but i was really relieved and could continue my travel.

 

Of course i´ve tried to not think about this question but as i was closer to Quito the possibility of being deported started bothering me.
Even more because i thought it would be maybe impossible to stay inside the connection area because i would be entering in Ecuador so, i was quite sure that would have to pass through immigration control and only afterwards it would be possible to board in a national flight to Galapagos.

Aeroporto de Quito Mariscal Sucre / Mariscal Sucre Quito´s airport

Aeroporto de Quito Mariscal Sucre / Mariscal Sucre Quito´s airport

And i was right. Arriving to Quito, everybody that was in the plane had to register passing through customs. While in the long line i´ve been wondering if i should tell the truth  about Yellow fever vaccine or not. Maybe i could tell them that i had the vaccination card in Sâo Paulo´s airport and that i gave it to the Avianca´s employee. I´ve just realised he forgot to give me back when i was already in the plane. Eventually it could generate doubts and difficulties in checking it and maybe they could finally let me go.

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But, as usual i´ve decided to tell the truth. However, it was not necessary neither tell truth nor lie because the immigration officer didn´t ask me anything related to Yellow Fever vaccine. However, if you don´t want to risk your whole trip, please inform yourself and get all the necessary vaccines before travelling abroad.

Since  i was free of immigration requirements and inside Ecuatorian territory and i was informed in check-in booth to Galapagos that the flight was late several hours, i decided to explore more and go visit Quito´s historical downtown. The city was, in 1978, the first one in the world declared World´s Heritage by UN. it should be interesting indeed.

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How to reach Quito´s historical downtown in a cheap way:

– Airport´s Basement floor: Bus Rio Coca (till the final bus stop)
– Cross the street to the other Bus Station: take an articulated bus till Plaza Marin;

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Obs: The Mariscal Sucre airport in Quito is far from downtown. These two buses trips will take around two hours. So, go if you have time enough between connections. Around six hours at least is necessary to enjoy the historical center of the city.

I was up to make this visit and was informed about the long distance till downtown only when i was talking with the women ticket collector inside the bus .

Pegando onibus pro Centro / Taking a bus to downtown

Pegando onibus pro Centro / Taking a bus to downtown

Eventhough i had around two hours to enjoy the charming and preserved historical center of Quito. Forget about maps, names (almost always refering to catholic saints) and dates. Just relax, walk and turn your neck around. It is culture and history everywhere.
Highlights for colonial architecture and magnificent churches´ interiors carved in wood and gold such as Iglesia San Francisco, Iglesia de La Compañia, La Catedral and La Basilica.
It was summer time but it was chilly. The city is located at 2850m above sea level.

Centro Histórico de Quito / Quito´s Historical Center

Centro Histórico de Quito / Quito´s Historical Center

As i told, in order to embark to Galapagos it is necessary to show up all your lugagge for control, which is sealed afterwards.

I´ve shown anticipatedly dried food, cereals and nuts i was bringing from Brazil to cook during camping time following instructions i had from the National Park Direction.

There is a long list of restrictions but basically we could say shortly: it is forbidden to bring fresh food and those with fertile seeds. The measures is to avoid entrance and spreading of invasive species that could put in risk the unique and fragile equilibrium between endemic species of the archipelago.

Get ready to pay US$ 20 of airport tax before boarding and US$ 100 as National Park´s fee when arriving in Galapagos. Those that are Mercosur citizens have 50% of discount in the last one.

Galápagos : Puerto Ayora – Tortuga Bay – Las Grietas (Santa Cruz)

(FOR ENGLSIH VERSION , SCROLL DOWN)

Galápagos é um arquipélago formado por dezenas de ilhas vulcânicas. Isto quer dizer que o fundo do aceano se abriu , começou a expelir tanta lava que foi se acumulando até chegar à superficie. E foram sendo formadas todas as ilhas. Umas pequenas e desabitadas, outras bem grandes, como Isabela por exemplo.

A Ilha Baltra é onde fica o aeroporto principal. Praticamente só tem isso.
A partir daí, e se quiser conhecer todo o arquipélago, vai começar uma peregrinação de vários modais entre ônibus, caminhonetes brancas (são os táxis), balsas (maiores, mais lentas levam muitas pessoas e até carros) para curtas distâncias e lanchas (menores e mais rápidas, para distancias maiores).

Opuntia - especie de cactos endêmica de Galapagos / Galpagos´ endemic specie of cactus

Opuntia – especie de cactos endêmica de Galápagos / Galapagos´ endemic specie of cactus

Há três ilhas principais e com melhor estrutura turística: Santa Cruz, Isabela e San Cristóbal. Estive nas duas primeiras e vocês, em breve, vão entender porquê.
A Ilha Santa Cruz é a mais desenvolvida,. Mais serviços e mais organizada pra receber os milhares de turistas que passam por lá todo ano.

Cem por cento da economia gira em torno do turismo. Por isso, criou-se uma industria em torno da atividade da qual, como vocês vão entender ao longo dos capítulos , tentei escapar à todo custo.

Puerto Ayora do alto / Puerto Ayora from above

Puerto Ayora do alto / Puerto Ayora from above

Assim que cheguei em Puerto Ayora – uma espécie de capital da Ilha Santa Cruz -, minha primeira preocupação foi ir à sede do Parque Nacional Galápagos pra requerer a autorização para acampar. Lá, fui muito bem recebido por Luis Fernando, que me explicou que em cada ilha eu deveria repetir o mesmo processo.

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Locais para Camping com autorização do Parque Nacional Galápagos
(US$ 10, cópia e original do passaporte para cada autorização)

Santa Cruz: El Garrapatero
San Cristobal: Puerto Chino / Puerto Grande / Manglesito
Isabela : Minas de Sufre e Volcan Chico (somente com guia de turismo)

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Pelicano / Pelican

Pelicano / Pelican


Estas áreas estão dentro do parque nacional que engloba 95% do arquipélago.
A principio, fora dele você pode acampar em qualquer área privada com autorização do proprietário como é o caso do El Ceibo ( na Ilha San Cristóbal).

Para quem vai ficar em pousadas tem muitas opções de todos os preços. As mais baratas ficam em torno de US$ 25 mas procurando bem dá pra achar por até US$ 17 ou US$ 15;

Um passeio bem interessante, e que fica perto do centro da cidade, é a própria Direção do Parque Nacional onde tem uma estação de pesquisa, um pequeno museu. Pode-se ter um primeiro contato com as tartarugas gigantes terrestres que em espanhol se chamam galápagos e deram nome ao arquipélago.

Na verdade o que mais se vê em Galápagos, são os cágados (termo correto em português, que vivem parte na água e parte na terra) e os jabutis (que vivem somente em terra). Tartarugas são os quelônios (repteis com carapaça) que vivem exclusivamente na água (no mar de Galápagos tem muito também). Mas neste blog, para melhor entendimento, vamos nos referir a todos eles com o nome genérico de “tartaruga”.

Outro lugar legal, no centro de Puerto Ayora, é a Laguna de Las Ninfas.
É uma laguna conectada ao mar, bem tranquila onde podemos observar, andando por uma passarela, vegetação e fauna de mangue.

O cais de Puerto Ayora é outra atração da cidade. Primeiro pela movimentação frenética de barcos. Mas também pelos lobos marinhos que sobem as rampas e ficam deitados nos tapetes e bancos do cais “uivando” pra quem chega muito perto. Os pelicanos estão sempre por perto também e, dentro d´agua, pode-se ver muitos peixes, entre eles filhotes de tubarão que se aproximam em busca de comida e também à noite atraídos pelas luzes.

Porto Ayora / Puerto Ayora

Porto Ayora / Puerto Ayora

É deste cais que sai as lanchas rápidas para as outras ilhas: Em geral entre 6 e 7 da manhã e entre 14 e 15h da tarde (verifique os horários no local).
As passagens pras ilhas Isabela e San Cristóbal tem preço fixo tabelado: US$ 30. Devem ser compradas – com antecedência – nas agencias de turismo da rua em frente.

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Lanchas entre as Ilhas

Santa Cruz – Isabela  – (entre 6-7h da manhã e 14h e 15h da tarde)
Santa Cruz – San Cristóbal – (entre 6-7h da manhã e 14h e 15h da tarde)
Isabela – San Cristóbal (não tem)

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O fato de não ter barco entre Isabela e San Cristóbal, possivelmente pela longa distancia entre elas, é uma das pequenas “armadilhas” intransponíveis de Galápagos pra quem vai com orçamento apertado. É necessário voltar para Santa Cruz e pegar outra lancha (mais US$ 30), ou, como eu fiz, simplesmente abstrair .

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No dia seguinte – ainda em Puerto Ayora – começou o grande desafio: descobrir e explorar as belezas naturais de Galápagos participando ao minimo da industria turística que não te dá liberdade, tempo e ainda te deixa sem dinheiro.

El Garrapatero fica a 20km de distancia. è preciso sair cedo, então decidi aproveitar o dia pra explorar trilhas mais perto de Puerto Ayora.

Os tours mais legais e que você pode fazer por conta própria, são:

– Tortuga Bay – Na terceira ou quarta rua paralela ao cais pegue à esquerda (direção oeste) e vá até a entrada do Parque Nacional – que fica no alto de uma escadaria – que leva à Tortuga Bay. Depois de registrar-se, é meia hora de trilha plana. No fim uma praia de mar aberto areia branca,  água azul e transparente (Playa Brava).
Foi onde eu vi as primeiras iguanas marinhas. Um pequeno dragão preto que busca o calor das rochas vulcânicas escuras. Não se assuste se você estiver dentro d´agua e um deles passar nadando ao seu lado, são completamente inofensivos.

Tortuga Bay (Santa Cruz)

Tortuga Bay (Santa Cruz)

Logo depois tem uma praia menor, mais calma e protegida (Tortuga Bay). Se tiver a mesma sorte que eu tive vai ver filhotes de tubarões nadando na beira da praia.
Nadar perto de tubarões em Galápagos não oferece qualquer risco. Acredito que seja porque a cadeia alimentar deles é bem preservada. Eles não tem porque atacar humanos pra comer.

– Las Grietas – uma “greta”, uma fenda, um canyon, com uns 100m de comprimento por uns 20 de largura. É uma fratura ou uma falha geológica bem profunda e que por isso, apesar da trilha ser uma subida,  tem alguma comunicação com o mar.
Assim acumula água salobra, numa espécie de grande piscina encravada na rocha. A água doce fria e transparente que vem das montanhas fica mais na parte de cima. E a água do mar, mais densa, na parte de baixo.

Poço de Las Grietas / Las Grietas pool

Poço de Las Grietas / Las Grietas` pool

Como tem ligação com o mar através das fendas na rocha, sofre influencia das marés.
Os grandes peixes (e eu vi vários) só aparecem, vindos do mar, na maré cheia.
Pra chegar lá pegue um taxi-aquático no cais de Puerto Ayora (US$ 1), seguindo depois pela trilha bem marcada. Tem uma prainha calma no caminho (Playa de los Allemanes).
É um lugar excelente pra fazer snorkeling. A profundidade é bem grande, algo em torno de 10 metros ou mais.
Na volta, pegue a trilha subindo à direita e vá até o Mirante do qual você pode ver Las Grietas de cima e Puerto Ayora de um angulo especial.

Vista do Mirante de Las Grietas / View from Las Grietas` belvedere

Vista do Mirante de Las Grietas / View from Las Grietas` belvedere

Se gosta de frutos do mar, Galápagos é o lugar ideal. Apesar de tudo ser mais caro em Galápagos, pode-se encontrar comida relativamente barata (quando comparada com o Rio de Janeiro, por exemplo). E o que mais tem por aqui é peixe e frutos do mar. Em torno de US$ 5 no almoço e US$ 10 no jantar o prato feito. Os veganos e vegetarianos terão dificuldades: Frutas, legumes e verduras são raros e caros.

Com a autorização para acampar em El Garrapatero nas mãos, fui dormir cedo.

 

(ENGLISH VERSION)

Galapagos is an archipelago formed by dozens of volcanic islands. That means that ocean floor opened and begun to expel really a lot of lava which accumulated gradually upwards till reaching the sea surface forming actual islands along millions of years. Some are small and inhabitated other are bigger featuring touristic structure, as Santa Cruz, Isabela and San Cristóbal among others.

Baltra Island pratically has only the main airport of Galapagos and nothing more. If you have the intention to know all archipelago you will start a pilgranage by many different modals of transport such as buses, white pickup trucks (all taxis in Galapagos are like this), ferries (bigger and slower boats that could carry more people and even cars) for short distances and fast boats (smaller, faster) for longer distances;

Iguana

Iguana

The main islands – Santa Cruz, Isabela and San Cristóbal – have the best touristic structure. I´ve been in two of them – Santa Cruz and Isabela – and you will soon understand why.

Santa Cruz Island is the most developed, more services are available and it is more organized to receive thousands of tourists that pass through Galapagos every year.

One hundred per cent of local economy is based on tourism. Because of that a tourism industry was formed and, you will understand as you read the text, i tried to escape from it.

Puerto Ayora tem muitas ciclovias / Puerto Ayora has many bike lanes

Puerto Ayora tem muitas ciclovias / Puerto Ayora has many bike lanes

As soon as i arrived in Puerto Ayora – a kind of capital of Santa Cruz island – my first mission was head to National Park headquarter in order to request an authorisation for camping. I was very well received by Luis Fernando whom explained to me that i´ve had to do the same procedure in each different island, separately.
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Camping sites (only with authorisation of Galapagos National Park Direction)
(US$ 10, copy and original passport for each authorisation)

Santa Cruz: El Garrapatero
San Cristóbal: Puerto Chino / Puerto Grande / Manglesito
Isabela : Minas de Sufre e Volcan Chico (only with a registered guide)

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These sites are inside the National Park whicj is 95% of the archipelago area.

Outside of the National Park area you can camp in private areas with authorisation of the owner as for example in El Ceibo (San Cristóbal island)

For those that will stay in a hostel there are many options for all budgets. The less expensives cost around US$ 25 but if you search and bargain you can get it for US$ 17 or even US$ 15 (outside high season and bank holidays)

A very interesting tour near the city is the Galapagos National Park itself where is located a research station and a small museum. It is possible to have a first contact with giant tortoises which are called, in spanish, galápagos. They named the archipelago.

Opuntia - especie de cactos endêmico de Galapagos / endemic specie of Galapagos

Opuntia – especie de cactos endêmico de Galapagos / endemic specie of Galapagos

Tortoises are reptiles that live part in the land part in the water, differently of turtles that live in the sea most of time.

Another very cool place to visit in Puerto Ayora´s downtown is Laguna de Las Ninfas.
It is a inner lagoon conneted to the sea. A very calm place where we can observe, walking through a wood catwalk, typical manglar vegetation and fauna .

The Puerto Ayora dock is certainly another atraction. First because frenetic traffic of boats but also because sea lions that apend all day long lying down on the dock´s seats and carpets howling for those that get closer. Pelicans are also always around. Inside the water we can see many different fishes as small sharks that approach searching for food and also, during the night, attracted  by lights.

Floresta de cactos / Cactus forest

Floresta de cactos / Cactus forest

From this dock fast-boats leave everyday morning and afternoon to other islands. Generally between 6 and 7 am and between 2 and 3 pm. Check the timetable in situ and do arrive 30 minutes prior the departure.

Boat tickets to Isabella and San Cristóbal has fixed price: US$ 30. Buy always in advance in the tourism agencies at the street in front of the dock.

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Fast boats linking the islands

Santa Cruz – Isabela  – (between 6 and 7am and between 2 and 3pm)
Santa Cruz – San Cristóbal – (between 6 and 7am and between 2 and 3pm)
Isabela – San Cristóbal (there is no boat)

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There is no direct boat linking Isabela and San Cristobal  maybe because of long distance between them. But this is one of the few “traps” impossible to avoid for those whom go to Galapagos with a limited budget. It is necessary to come back to Santa Cruz and take another boat (paying more US$ 30) or, as i did, just forget it.
Next day, still in Puerto Ayora, i begun my challenge: find and explore natural spots in Galapagos which i could reach and enjoy by myself not participating in the tourism industry that leaves you without time, freedom and money.

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El Garrapatero is located 20km away from Puerto Ayora. Yo go there better to leave early. So that day i spent hiking around Puerto Ayora.

In Santa Cruz , the coolest tours you can do by yourself are:

– Tortuga Bay –  Get the third or fourth street parallel to dock (west direction) and reach the entrance of the National Park that is located up the hill. After register, a 30 minute trail will bring you to Tortuga Bay. First stop is a crystal clear water, open sea, white sand and wide beach called Playa Brava.

There i saw first sea iguanas. A small black “dragoon” that search for the warm of dark volcanic rocks along beaches (they also like to swim). Don´t be afraid if you are inside the water and one of them pass just beside of you swimming. They are completely innofensive in spite of their terrible scaring appearance.

Playa Brava (Santa Cruz)

Playa Brava (Santa Cruz)

Just after you will find a smaller, protected and quite beach that is Tortuga Bay itself. If you are lucky as i was you´ll see small sharks swimming around in the very shallow part of the beach. By the way, swimming with sharks at Galapagos has no risk. I guess it is because their food chain is preserved . Therefore they don´t have any interest in attacking human beings in order to eat.

– Las Grietas – a canyon with approximately 100m long and 20m wide. It is a deep geologic fracture or fault and in spite the way till there is slightly upwards there is a link with the sea by underneath the rocks. The water is brackish water in this kind of big pool carved into the rock. The cooler and fresh water that comes from the hills stays upside instead the sea water, more dense, stays downside of the pool.
Las Grietas is linked somehow with the sea down the hill and is influenced by tide. Big fishes (from the sea) could be observed when tide is high.

Las Grietas (Santa Cruz)

Las Grietas (Santa Cruz)

To get Las Grietas, take a boat-taxi at Puerto Ayora´s dock (US$ 1) and then hike by the trail for around 30 minutes. On the way you will also find a quite small beach called
Playa de los Allemanes (German´s Beach).
Las Grietas
is very good for snorkeling. It is around 10 meters deep.

On your way back take the trail up the hill and go till the small belvedere (Mirante) form where one can see Las Grietas from above and also Puerto Ayora by a different angle.

If you like to eat sea food, Galapagos is paradise. Eventhough everything is quite expensive in Galapagos, it is relatively easy to find cheap food. And the most common dishes are based on fishes and sea food. Around US$ 5 for lunch and US$ 10 for dinner. Vegans and vegetarians will find difficulties because fruits, leaves and legumes are a rare and expensive.

With finally the authorisation for camping next days in El Garrapatero on hands, i went to bed early that night.

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Galápagos – Reserva El Chato (Ilha Santa Cruz)

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Uma maneira de descobrir ótimos atrativos roots, que voce pode fazer com os seus próprios meios é conversando com as pessoas, locais e turistas. Sim, existem muitos como nós. Na véspera havia conhecido um casal de franceses que me deu várias dicas. Uma delas foi pegar um ônibus municipal até Santa Rosa. Ele passa na rua principal de Puerto Ayora rumo ao Norte (direção aeroporto) até Santa Rosa, um pequeno povoado a 10 km de distancia. Lá tem duas Reservas de Tartarugas Gigantes, os Galápagos, que deram o nome ao arquipélago: Finca Primicia e El Chato.

Estes enormes répteis povoam as ilhas há milhões de anos e, ao que parece, já foram mais de 100 mil divididos em dezenas de espécies, com pequenas diferenças entre elas, em geral nas carapaças. Há alguns séculos começaram a ser dizimadas. Os piratas e navegadores descobriram que elas podiam ficar até um ano sem comer e beber. Então as levavam vivas nos navios. Eram usadas também para produzir óleo que alimentavam lamparinas na capital, Quito.

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Algumas especies foram extintas. Pela exploração do homem e pela atividade vulcânica. A ultima espécie a desaparecer foi a do mundialmente famoso “Solitário George”, que virou marca pela preservaçao de Galápagos. Ele foi o ultimo exemplar macho de uma espécie única encontrado na Ilha de Pinta ao Norte do arquipélago, em 1978.

Apesar dos muitos esforços não conseguiram fazê-lo reproduzir nos seus últimos trinta anos de vida até que morreu, solitário, em 2012.

Cágado / Tortoise

Cágado / Tortoise

No dia que passei pelo Centro de Pesquisa do Parque Nacional, em Santa Cruz, o corpo do “Solitário George” estava voltando preservado depois de estudos taxonômicos no exterior. Estavam inaugurando um setor dedicado somente á ele, onde ficará a partir de agora exposto como simbolo da conservação das espécies únicas de animais e plantas de Galápagos.

Depois de descer na entrada de Santa Rosa tem uma caminhada de uns 4km. Consegui uma carona num ônibus de turismo vazio. O motorista foi muito legal e parou sem eu pedir. Já bem perto da Reserva desci e fui andando.

Manzanillos fecham em forma de tunel / Manzanillos making a green tunnel

Manzanillos fecham em forma de tunel / Manzanillos making a green tunnel

Ao chegar lá, foi bem engraçado. Tudo sempre está preparado pra receber massas de turistas em ônibus lotados. Eles já tinham chegado e estavam dentro da reserva. Então toda atenção estava voltada pra eles. Eu cheguei sozinho e fui pra recepção pagar o ingresso de US$ 3. Mas não havia ninguém. Chamei varias vezes e esperei um tempo. Nada. Não esperavam por um viajante chegando sozinho e andando. Desisti de esperar. Entrei sem pagar e fui curtir o passeio entre os galápagos.

Paisagem da Ilha Santa Cruz / Santa Cruz´s island landscape

Paisagem da Ilha Santa Cruz / Santa Cruz´s island landscape

É uma grande oportunidade de vê-los soltos na natureza, apesar de estarem também em outras partes do arquipélago. São lindos e alguns são enormes, pesando centenas de quilos. Quando nos aproximamos muito eles se recolhem na carapaça e emitem um chiado para afastar “o inimigo”.
Estes cágados gigantes parecem lentos mas eu vi um macho “correndo” muito rápido atrás de uma fêmea bem menor que ele.

Um casal / A couple

Um casal / A couple

Além das tartarugas andando soltos pela Reserva, outra atração impressionante da Reserva El Chato é o Túnel de Lava. Também são comuns nas outras ilhas, mas este da El Chato tem centenas de metros de comprimento e uns 20 metros de altura. Eles se formaram devido as “corridas” de lavas fluidas que saíam dos vulcões. A parte externa e superior da massa fluida de lava, em contato com a atmosfera se resfria, enquanto a parte interior continua quente fluida e “correndo”, formando o túnel.

Tunel de Lava / Lava Tunnel

Tunel de Lava / Lava Tunnel

Na volta peguei a estradinha de terra que é muito charmosa com arvores tambem em forma de tunel. Quando cheguei no asfalto estendi o dedo. E logo parou uma caminhonete-taxi. Fui de carona na caçamba até Puerto Ayora.

 

(ENGLISH VERSION)

The best way to find “root atractions”- that you can do by your own – is talking with people. Locals or tourists. Yes, there are many like us. The day before, i´ve met a french couple that were crossing South America during two years with a motorhome. They gave me many tips about what to do in the archipel. One of them was to catch a public bus – that pass by the main street of Puerto Ayora heading North (airport direction) – till Santa Rosa, a small village 10km far away. There are two Giant Tortoise Reserves.

No lago de lama se refrescando / Refreshing in a mud-lake

No lago de lama se refrescando / Refreshing in a mud-lake

These reptiles – called “galapagos” in spanish (yes, they named the archipel) – are living in the islands for millions of years. They were once upon the time more than 100.000. Many different species with tiny differences between each other.

Few centuries ago they started to be decimated by hunters. The pirates and sailors discovered tortoises could survive approximately one year without any food and water. Then they kept them into the sailboats. They were also used to make oil used in the lamps in Quito.

Tartarugas gigantes (que na verdade são cágados) e são chamadas de Galápagos em espanhol / Giant tortoises that are called galapagos in spanish language

Tartarugas gigantes (que na verdade são cágados) e são chamadas de galapagos em espanhol / Giant tortoises that are called galapagos in spanish language

Some species were extinct because these human being exploitations. Other by vulcanic activity. The last specie extinction was the one of worldwide famous “Lonely George”. This male was transformed in a brand of Galapagos preservation. He was the last tortoise of his specie found in 1978 at Pinta Island, in the northern part of the archipel. In spite of huge efforts it was not possible making him reproduce in his last thirty years of life. So, he died, lonely, in 2012.

The day i passed by National Park Research Center at Santa Cruz island, the Lonely George was coming back preserved after years of taxonomic studies abroad. They were lauching a new sector dedicated exclusively to him in the museum. Since now he will be exposed for the public as a conservancy symbol of Galapagos´ unique plants and animals species.

Flores de Galapagos / Flowers of Galápagos

Flores de Galapagos / Flowers of Galápagos

After getting off the bus in Santa Rosa still have to walk for around 4km. I´ve got a hitchhike in a empty touristic bus. The driver was very cool and stopped to me without any sign. We´ve talked about brazilian soccer players of the past.

When i reached the tortoise reserve something very funny happened. Everything is ready to host large groups of tourists. And they arrived before me . So, all attention was focused on them. I arrived alone and headed the reception in order to pay the fee.

Um homem borifando veneno pra formigas numa reserva dentro do Parque Nacional (uh?) / A man spraying ants poison in a reserve of a National Park (uh?)

Um homem borifando veneno pra formigas numa reserva dentro do Parque Nacional (uh?) /       A man spraying ants poison in a reserve of a National Park (uh?)

I called for someone many times and waited for a while. Nothing. Nobody came. They don´t expect a lonely traveler arriving by his own. Finally i´ve decide to get in and enjoy my natural tour with the galapagos for free.

It is an amazing opportunity to see giant tortoises walking around in nature. Eventhough they are also in other parts of the archipel.

Uma tartaruga gigante / A giant tortoise

Uma tartaruga gigante / A giant tortoise

These animals live in the Earth for hundreds of millions of years. They seem to be slow and fragile but they could survive and adapt themselves very well all this time. I saw a male running very fast after a younger female. They are beautiful and some are very big,  weighting hundreds of kilos. When we get too close they hide themselves in the carapace and produce a sound trying to keep the “enemy” far enough.

Túnel de lava da Rserva El Chato / El Chato´s Lava Tunnel

Túnel de lava da Reserva El Chato / El Chato reserve´s ´s Lava Tunnel

Beside tortoises creeping free in the nature another amazing spot in El Chato Reserve is the Lava Tunnel. They are also everywhere in the archipel but this one is great. Hundreds of meters long and around 20 meters high . They were formed because of “lava running”. The fluid lava going out of the volcanoes got cold and hard first at the external part (in contact with atmosphere) instead internal part keep running fluidly, making these tunnel shape.

Estranhas folhas de uma arvore de Galápagos talvez uma espécie endêmica/ Weird leaves of a tree of Galapagos maybe an endemic specie

Estranhas folhas de uma arvore de Galápagos talvez uma espécie endêmica/ Weird leaves of a tree of Galapagos maybe andendemic specie

Coming back, through the little dirt road with all manzanillo trees also forming a tunnel. A green one. When i´ve got the main road i did hitchhike and a truck-taxi stopped, so i could came to Puerto Ayora fastly comfortably seated in the back part of the truck.

Galápagos: El Garrapatero (Ilha Santa Cruz)

(FOR ENGLSIH VERSION, PLEASE SCROLL DOWN)

Foi impossivel encontrar em Puerto Ayora aquela latinha de gás pra cozinhar no camping. Como é proibido levar no avião, deixo sempre pra comprar na cidade que chego. Mas em Galápagos não tem. Fogueira é terminantemente proibida no Parque Nacional. Me aconselharam então comprar e a levar carvão já que em Garrapatero havia caixas tipo churrasqueira e poderia, de alguma maneira, cozinhar nelas. Achei muito complicado e preferi comprar uns ótimos croissants e queijo maturado que tem no maior supermercado da Ilha Santa Cruz (no finalzinho do porto).

Eu tinha comigo também nozes, amêndoas, castanhas, granolas e frutas secas. Estava resolvido o farnel. E, de qualquer maneira, não ia acampar mais de dois dias em El Garrapatero já que meu tempo era curto pra explorar o arquipélago de Galápagos

Mapa informativo na chegada á El Garrapatero / Informative map at the entrance of El Garrapatero beach

Mapa informativo na chegada á El Garrapatero / Informative map at the entrance of El Garrapatero beach

Se vai acampar em algum canto do arquipélago, importante levar bastante água já que não tem nascentes de água doce nas ilhas. Toda água usada em Galápagos vem do mar e da chuva. Às vezes a água do mar é usada diretamente nos banheiros, como fiquei sabendo ser o caso de Garrapatero.

Vegetação costeira, seixos de pedra vulcanica e maré alta / Coastal vegetation, volcanic debris and high tide

Vegetação costeira, seixos de pedra vulcanica e maré alta / Coastal vegetation, volcanic debris and high tide

A água potável – achei muito saborosa – é tratada por osmose reversa. Comprei um galão e parti pra Garrapatero numa caminhonete-táxi com preço – barganhado –  de US$ 15 (normalmente custa US$ 20).
Não tinha tempo mas uma boa opção – apesar das subidas – é ir de bike . O caminho até Garrapatero atravessa pequenos povoados rurais. Aliás, praticamente todas as ruas e estradas em Santa Cruz tem uma ciclovia ampla e bem feita ao lado.

Cheguei no inicio da tarde em Garrapatero. Fui recebido pelo guarda-parques que me explicou tudo direitinho.
Com a maré alta, o visual da praia é maravilhoso. Areia branca, sol quente e mar cristalino, mais uma vez. Cercada por vegetação costeira e pequenas enseadas que escondem manguezais. Quando a maré baixa, revela uma outra praia. Cheia de pedras vulcânicas pretas por todos os lados o que dificulta um pouco as caminhadas para explorar os arredores, e até os mergulhos.

Casinha do Guarda-Parque / National Park´s  station

Casinha do Guarda-Parque / National Park´s station

Por outro lado eu compreendi em Galápagos que o período de marés baixas (quando eu estava lá era na parte da manhã até o meio da tarde) é o melhor para observação da Natureza. O recuo da água do mar revelava uma incrível explosão de vida costeira que fica submersa. É impressionante como esta micro-vida, quase invisível mas extraordinária e bela, passa despercebida aos turistas tradicionais que estão preocupados correndo para conhecer as “grandes atrações” oferecidas pelas agencias de turismo.

Caranguejo comum em Galápagos (Grapsus grapsus) / Crab of Galapagos (Grapsus grapsus)

Caranguejo muito comum em Galápagos (Grapsus grapsus) / Crab of Galapagos (Grapsus grapsus)

Haviam poucas pessoas na praia e logo percebi que eu seria o único a passar a noite ali.
O local reservado pra o camping fica no meio de um emaranhado de galhos e copas de manzanillo, uma arvore muito comum por lá . São baixas mas as copas se unem no alto formando uma espécie de túnel, praticamente não deixando passar a luz do Sol.
Tem avisos pedindo pra não tocar no manzanillo porque ele seria toxico. Mas eu, sinceramente, acho que é para que as pessoas não se pendurem nas arvores danificando-as. Porque é essa a vontade que dá (subir naqueles galhos tão baixos), mas com certeza iria causar degradação.

Marcas deixadas pelo recuo da maré / Structures left by the low tide transition

Marcas deixadas pelo recuo da maré / Structures left during high to low tide transition

Com o cair da noite os poucos turistas e o guarda-parque foram embora e eu fiquei, como previsto, completamente só. Como estava muito cansado fui dormir cedo, acho que umas 19h.
Despertei no meio da noite e olhei no relógio: passava um pouco da 1h da madrugada. De repente comecei a escutar alguns barulhos. Como passos de uma pessoa. Bem suaves e vagarosos mas eram passos por cima da folhas caídas das arvores. Lembrei que não havia uma viva alma num raio de, pelo menos, 15km.
Pensei no que fazer. A única coisa que me veio a cabeça era também me mexer e fazer barulho pra ver se o barulho vindo de fora cessava.
Tive a ideia também de abrir o bolso da mochila e pegar o canivete e a lanterna. Bati um no outro gerando um ruido metálico pra dar a entender que estava “preparado pra tudo”. Quando parava pra escutar, continuava a ouvir os passos vagarosos bem perto da barraca. Passaram-se uns quinze minutos de agonia mas pareciam bem mais.
Nem sei como, mas adormeci novamente e só acordei ao amanhecer. Estava inteiro. Foi quando entendi que não havia ninguém andando ao lado da barraca. Não passava de ruídos da floresta que nós associamos com outros que já conhecemos. Já tinha acontecido outras vezes em acampamentos, mas mesmo assim fiquei com muito medo. De novo.

Laguna costeira / Coastal lagune

Laguna costeira / Coastal lagune

A configuração da praia havia mudado completamente com o recuo de mar em mais de 50 metros. Isso expôs as pedras pretas por toda as partes mas foi perfeito pra explorar a fantástica explosão de vida que só Galápagos pode oferecer com a maré baixa. Pequenos peixes em poças de água do mar retidas,  caranguejos, milhares de ostras, mexilhões e tatuís e aves, muitas aves. Sem falar nas iguanas marinhas, pardais de Galápagos e pelicanos que estavam sempre por toda parte.

Contraste entre a rocha vulcanica e estruturas deixas na areia com a baixa da maré / Contrast between the volcanic rock and the sand structure due to the low tide

Contraste entre a rocha vulcanica e estruturas deixas na areia com a baixa da maré / Contrast between the volcanic rock and the sand structure due to tide regression

Foi em Garrapatero também que tive contato com uma mosca enorme. Deve ter quase 2 cm e ela gruda na pele e pica forte pra chupar sangue. Conversando com o guarda-parque (de novo no seu posto de controle) ele me disse que se chama “tábano” e que ataca mais no verão (estávamos no verão) e, principalmente, depois que saímos molhados da água (pode ser que seja atraida pelo brilho da pele molhada ao sol).
Não poder entrar na água naquele paraíso do Pacifico por causa daquela mosca seria demais.

 

(ENGLISH VERSION)

It was impossible to find in Puerto Ayora the small gas bottle to cook during camping time. As it is absolutelly forbidden to carry it in airplanes, i always buy it in the final destination town before the camping site. But in Galapagos, maybe because camping is not a trend, there is no. Wood camping fire is not allowed in the National Park. Then, someone advised me to bring coal because in Garrapatero they have these brick-boxes barbacue facilities.
I guessed it would be very complicated and i´ve decided to buy the very good croisssants available in town and some maturated cheese. I also brought from Brazil, nuts, muslies, dried fruits. Ready to eat. So, i thought i was more than enough for just two days i would like to spend in Garrapatero.

Uma Lagarta da Lava de Galapagos (Microlophus albemarlensis) / A Female of Lava Lizard of Galapagos (Microlophus albemarlensis)

Um Lagarto da Lava de Galápagos (Microlophus albemarlensis) / A Female of Lava Lizard of Galapagos (Microlophus albemarlensis)


It is very important to bring a lot of water because there is no fresh water springs in the islands. All fresh water used in
Galapagos come from the sea and from the rain. Sometimes sea salt water is directly used in the toilettes and, as i knew, it was the case of Garrapatero.

The fresh drinkable water – i found it very tasteful – is treated by reversed osmosis.
I bought one gallon (around 5 liters) and headed Garrapatero in a taxi that costed to me US$ 15 after some time of negotiation (normally it costs US$ 20).
I didn`t have much time for it but a very good option – in spite the hills – is to go by bike. The path till there cross small and cute country-side villages. By the way, almost all streets and main roads in Santa Cruz have well done and large bike lanes .

I arrived in El Garrapatero early afternoon. I was guested by the ranger that explained me everything about the rules.

 

With high tide the beach sightseeing is wonderful. White fine sand, hot sun and cristal clear sea once more. All surrounded by coastal vegetation, small coves hidden by manglars. When tide goes down, another beach is revealed. Full of volcanic rocks everywhere that before we couldn´t see. It makes hiking to explore a bit more difficult. Have to take care when diving as well.

 

A praia de Garrapatero com a maré baixa / The Garrapatero beach during low tide

A praia de Garrapatero com a maré baixa / The Garrapatero beach during low tide

On the other hand i understood that low tide period (when i was there it was from early morning till middle afternoon) is the best time for watching Nature. The sea water retreat reveals an amazing explosion of coastal life that is otherwise submersed. It is impressive how these microscopic and mesoscopic life, almost invisible but extraordinarly beautiful, will normally not be noticed by traditional tourists always hurried to get to know the “big atractions” offered by tourism agencies.

Explosão de microvida invisível em Galapagos / Explosion of invisible microlife in Galapagos

Explosão de microvida invisível em Galapagos / Explosion of invisible microlife in Galapagos

Not many people at Garrapatero´s beach and very soon i understood that i would be the only one there during the night. The camping site is in the middle of a forest of manzanillos,  a very commom tree in Galapagos. They are short but their top get together forming a kind of tunnel. From below you can barely see the sky

There are signs asking people to not touch the manzanillo trees because they are supposely toxic but i sincerely think they are really worried about degradation if people keep hanging on them.

Vegetação seca de Galapagos / Dried vegetation of Galapagos

Vegetação seca de Galapagos / Dried vegetation of Galapagos


With nightfall few tourists and the ranger that were there went away and i stayed completly alone. As i was very tired went to “bed” very early, around 7pm.

Suddenly i awake in the middle of the night. It was around 1am. Immediately after i started hearing some noises. They were like steps of a person. Very gentle and slowly but they were steps over the fallen tree leaves, Then i remembered that i was completely alone there and probably the nearest person would be around 15km away.

I planned what to do and the only thing that came to my mind was tho move myself as well making as much noise as possible expecting to “make that man afraid enough to escape”
I also had the idea to take off my knive and torch from backpack hit one against the other making a metallic noise that could be interpreted that i was “prepared for everything”.
I was still hearing the slow steps very close to the tent. The agony lasted for around 15 minutes but it seemed to be much more.
I dont know how but i fell asleep again and when i waked up in the morning i realised that i was still alive.
So, i understood that there was no perosn walking around the tent during the night. Those were noises from forest that we normally associate to other noises we already know . Maybe they were small animals walking around. I realised it already happened to me during other camping times but still i´ve got very scared.

 

Caranguejo vermelho muito comum em Galápagos / Red crab very common in Galapagos

Caranguejo vermelho muito comum em Galápagos / Red crab very common in Galapagos

Next day, early morning the beach landscape was completely different because sea level retreated more than 50 meters. It exposed volcanic black rocks everywhere but it was perfect to explore and observe the amazing crop of coastal life that only Galapagos could offer.

Small fishes in enclosed and new formed lagoons, crabs, oysters, different shell-like animals, birds, iguanas, Galapagos´pinchones (finches), pelicans and many other.

Pequenos peixes aprisionados numa poça deixada pela baixa da maré / Small fishes enclosed into a puddle during the low tide

Pequenos peixes aprisionados numa poça deixada pela baixa da maré / Small fishes enclosed into a puddle during the low tide


It was in
El Garrapatero i met a enormous fly (almost 2cm long) that sticks on your skin biting you hardly in order to suck your blood.
Talking with the ranger (once again at his checking point) he told me that fly is called “tábano”. They are more agressive during summer (and it was summer !!) and principally when people get off the sea after a bath. Maybe the shining wet skin attracts them.
I was thinking about have restriction to get into that wonderful sea in such paradisiac island of Pacific because of a fly would be a real torture.

Galápagos – Ilha Isabela

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Ao embarcar pra Isabela (ou para qualquer outra ilha do arquipélago) chegue 30 minutos antes porque sua bagagem vai ser revistada e lacrada. Mesmo já estando No arquipélago, você não pode levar os itens proibidos de uma ilha pra outra, principalmente alimentos frescos e/ou com sementes férteis, animais, plantas, etc. Informe- se antes.  É incrível a estrutura que montaram em torno desse controle rígido pra preservar a biodiversidade específica de cada ilha. São vários funcionários em cada porto para a checagem.

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Pelo o que entendi no pouco tempo que fiquei, a contribuição que Galápagos deu à teoria da evolução e de adaptação das espécies de Charles Darwin, que vistou e estudou a fauna e a flora do arquipélago entre 1831 e 1836, foi justamente essa que a Direção do Parque Nacional tenta preservar. Ele percebeu que cada ilha – e até mesmo diferentes partes de uma mesma ilha – tinha espécies, variedades, características de fauna e flora distintas. E estas também se diferenciavam das do continente. Darwin compreendeu então que cada espécie ia se adaptando (ou não) às condições específicas do seu habitat e evoluindo por causa disso.

Depois de pagar US$ 30 numa agencia pelo ticket pela viagem de lancha que vai te levar até Isabela, você ainda terá que pegar um barco-táxi (US$1) que te leva do deck até lancha que fica ancorada à uns 300 m do cais. O mesmo acontece no desembarque no destino. Isto causa um certo desconforto entre os passageiros. Não pelo valor, creio eu, mas porque poderia estar incluso no valor principal. Ao contrário, o marujo sai com seu barco-táxi, pára no meio do caminho, recolhe o dinheiro e só então segue até a lancha maior.

Arraia / Batoids

Arraia / Ray

Outra coisa que já virou uma “lenda” nas ilhas é que os locais em geral NUNCA te dão o troco quando você paga um serviço. Com frequência temos que pedir várias vezes até que ele te dê “el cambio”. Acontece com todo mundo. Depois, rimos da situação.
Partimos na lancha rápida em direção à Ilha Isabela as 14h. São duas horas de viagem. Não é perto.

Em Isabela, como eu já sabia, o assédio das agências de turismo e guias – a indústria do turismo – é maior. Então, por exemplo,  não se pode visitar e acampar nos vulcões – que é onde estão as áreas do Parque destinadas ao camping na ilha – sem guias e agências de turismo. Isto inviabilizava meus planos de acampar ali.

Eles alegam que os turistas podem se perdem. Ora, turistas podem ser perder em qualquer lugar. A melhor coisa a fazer – e em Galápagos eles fazem isso muito bem -, é sinalizar as trilhas e caminhos.

 

Então, assim que cheguei em Puerto Villamil – o vilarejo que é a “capital” da ilha –  fui procurando, instintivamente, um albergue pra ficar.

Barganhei o preço com a Gardênia (simpática dona de uma pousada), e consegui um quarto amplo, com ventilador, por US$ 15. Um verdadeiro “forno” já que era uma construção só com laje (sem o telhado) o que esquentava muito com o sol de 30ºC de Galápagos. E o calor permanecia no quarto durante a noite, mas tudo bem.

Map of Complejo Los Humedales

Mapa Complejo Los Humedales / Map of Complejo Los Humedales

No outro dia, parti bem cedo para o Muro de las Lágrimas. Ótima caminhada de 5km atravessando todo Complejo Los Humedales. Do malecón (rua em frente à praia, ande pra direita (direção oeste). Dá pra ir pela areia da Playa Grande, principalmente quando da maré baixa pois a faixa de areia tem uns 100 de largura.


Neste período ( pela manhã)  a aventura começa na caminhada pela areia: tatuís, gaivotas, pelicanos, albatrozes, fragatas e, com sorte, os pinguins de Galápagos, os piqueros de patas azuis, entre muitas outras espécies de aves. Com maré cheia fica um pouco mais difícil andar porque a faixa de areia fica bem estreita diminuindo a presença de aves na areia.

Frequentadores matinais da Playa Grande / Playa Grande´s morning visitors

Frequentadores matinais da Playa Grande / Playa Grande´s morning visitors

Se preferir pode fazer a caminhada pela estradinha de terra costeira paralela à Playa Grande. Nela, observa-se as árvores e vegetação do mangue. No final da Playa Grande não deixe de visitar o peculiar cemitério. Logo depois vem a entrada do Parque Nacional e a caminhada passa a ser feita pela estrada que tem vários acessos bem sinalizados que vão dar nas lagunas costeiras.

Playita

Playita

Não perca, logo no inicio, a Playita (prainha bem pequena de areia fofa). As várias lagunas costeiras estão sempre do lado direito da estrada. O El Estero, um mangue com uma laje de pedra fica acessível com a maré baixa. É o paraíso dos pelicanos com seus vôos rasantes e mergulhos. Dá pra fazer snorkeling na enseada. A laje de pedra é repleta de lindos caranguejos vermelhos e pretos todos pintados. Foi perto dali que eu vi um grupo de tartarugas marinhas nadando bem perto da costa.

El Estero

El Estero

Mais a frente tem a Playa del Amor, formada só por material orgânico (conchas trituradas pelas ondas) e o Túnel del Estero um túnel de lava. Ele é bem menor do que aquele da Reserva El Chato, em Santa Cruz).
Neste ponto da estrada, pega-se à direita, pra mais 4 km até o Muro de las Lagrimas. É chamada Estrada das Tartarugas, porque pode-se ver dezenas delas ao longo do caminho.

 

Caranguejo / Crab (Grapsus grapsus)

Caranguejo / Crab (Grapsus grapsus)

 

Acho que uma ideia, não muito boa, é fazer a trilha que vai ao Muro de las Lágrimas de bicicleta como muitos fazem (eu também fiz num outro dia). A estrada tem muitos espinhos que caem das arvores e cactos. Se não der sorte vai ter que terminar o dia empurrando a bike com o pneu furado por vários kilometros de volta até a cidade, como aconteceu com minha amiga Aleksandra, da Macedônia;

Estrada da Tartarugas / Tortoises´ road

Estrada da Tartarugas / Tortoises´ road

O Muro de las Lagrimas é sem duvida um dos pontos altos de Isabela.
Durante a Segunda Guerra os americanos fizeram de Galápagos uma base de proteção do Oceano Pacífico. Com o fim da da guerra, o Equador, aproveitou a estrutura e construiu ali uma prisão para presos políticos e outros. Um muro foi então construído pelos prisioneiros.
Muitos morreram até a desativação completa da prisão por volta dos anos 50. É imperdível ! Mas o que muitos não fazem é subir a escadaria que fica atrás do muro, que vai até o pico. Lá do alto, pode-se ver praticamente toda a Ilha Isabela: a costa, Puerto Villamil, as montanhas, os vulcões…

Muro das Lágrimas / Wall of Tears

Muro das Lágrimas / Wall of Tears

Por falar em vulcões, lembram que disse que os grandes e mais altos vulcões em Isabela, são restritos a quem compra tour com agencia e guia? Pois bem, ao subir essa escadaria atrás do Muro identifiquei que , na verdade, estávamos subindo um edifício vulcânico.

Sim, é um vulcão !! Quando no topo da escadaria de madeira – olhando para a cidade ao longe – pode-se ver claramente a cratera logo abaixo. A  estrutura circular da boca do vulcão. Batizamos o vulcão – que tínhamos acabado de descobrir – de Gardênia Azul (em homenagem à dona da pousada).  🙂

Mirante do Muro das Lágrimas / Wall of Tears belvedere

Mirante do alto do Muro das Lágrimas / Wall of Tears`belvedere

Quando viajamos pra lugares muito turísticos, existe uma força que nos empurra pra fazer as coisas que todos fazem. Ir nas grandes atrações que todos visitam, tiras as mesmas fotos que todos tiram.
O desafio roottravel é romper com este padrão.
E a descoberta deste vulcão – que assim como muitos outros não é sinalizado – talvez pra não atrapalhar a venda dos pacotes dos outros vulcões pelas agencias, foi a prova que é plenamente possível fazer uma viagem incrível sem ter necessariamente que participar dos passeios engessados e caros das agencias. Existem ótimas opções.

Ilha Isabela do alto / Isabela island from above

Ilha Isabela  vista do alto / Isabela island from above

Se você quer ser roots em Isabela, ou está com orçamento apertado, deve evitar os seguintes passeios (dominados pelas agencias ou que se exige acompanhamento de guias):

– Los Tunelles : tuneis de lavas no meio do mar, Para chegar lá tem-se que ir de barco (uma hora de viagem). Bom local de snorkeling com tartarugas marinhas, tubarões e raias
– Las Tintoreras – também um passeio de barco até ilhotas pra mergulho no mar com tubarões, raias e peixes grandes. O lugar tem esse nome em referencia ao tubarão azul que habita o local.
– Volcan Sierra Negra / Volcan Chico – passeio pelas montanhas somente autorizado pelo Parque Nacional para quem aderir a um tour organizado por agencia ou guia de turismo.

 

 

 

(ENGLISH VERSION)

Going by boat to Isabela (or any other island) you should arrive in the port for departure 30 minutes earlier. Your luggage will be revised and sealed. Even if you are already inside the archipelago you cannot bring forbidden items from one island to another. Forbidden items are mainly fresh food, fertile seeds, animals, plants, etc. There is a huge structure installed around the rigid control to preserv the specific biodiversity of each island. Many inspecteurs in each port´s control point. Before packing inform yourself to avoid problems.

 

A Natureza em Galápagos é magnifica / Nature in Galapagos is awesome

A Natureza em Galápagos é magnifica / Nature in Galapagos is awesome

As per as i understood, the contribution of Galapagos to Darwin´s  “Theory of Evolution of Species” was exatcly what the actual Galapagos` National Park board try to preserve with all efforts: the species and biodiversity of fauna and flora of each different parts of the archipelago and even of different parts in the same island.

As diferentes espécies de cágados são definidas muitas vezes pelos desenhos das carapaças / Many times one tortoise specie is defined by carapace design

As diferentes espécies de cágados são definidas muitas vezes pelos desenhos das carapaças / Many times one tortoise specie is defined by carapace design

Darwin visited Galapagos during his travel around the world between 1831 and 1836 and noticed differences and unique characteristics in varieties and species adapted to the coditions of each island where they have been living. He also noticed these characteritics were different in the same species living in the continent. He understood each specie or variety has an unique process of adaption to the specific conditions of the environment where they live, evolving (or not) accordinly and because of them.

Várias áreas do arquipélago são protegidas permanentemente / Many different areas of the archipel are protected permanently

Várias áreas do arquipélago são protegidas permanentemente / Many different areas of the archipel are protected permanently

After paying US$ 30 for the boat ticket that is anchored around 300m far from the dock, we normally have to take a water-taxi and pay more US$ 1 for it. The same happens at destination. The water-taxi sailor stop his boat at the sea middle-way to collect money from passengers. After he finishes the trip continues to the main boat.

Another funny story is that locals working on tourism service never give money change back when you pay for any service. Very often you have to ask few times before they finally give you “el cambio”.
We left by fast boat heading Isabela Island at 2 pm. Two hours travelling. Looking maps available it seems to be close, but it is not.

 

Desenho feito por algum animal das areias de Playa Grande / A drawing made by an animal on the Playa Grande sand

Desenho feito por algum animal das areias de Playa Grande / A drawing made by an animal on the Playa Grande sand

As i knew in advance, in Isabela the tourism agency bullying is more intense. For example, it is forbidden to camp or even visit the volcanoes. It is possible only being with a guide or agency tour. They claim tourist could be lost or be in danger.
Well, tourists could loose themselves everywhere. The best thing to do – and everywhere in Galapagos they already do it very well – is to pinch point signs along paths .

In Isabela, camping sites are all inside the National Park area on the way and near by the volcanoes. So, unfortunately it was not possible for me to camp in Isabela island.


So, as soon as i´ve got to Puerto Villamil – a fishermen village that is a kind of capital of the island -, i started to search for a cheap hostel where i could lodge.

I stopped at “Las Gardenias” hostel (first street on the right side, before arriving in the main square of the village). Then i bargained the price with my new friend, Gardenia, the owner, and have got a discount for a big and empty room with three beds and fans: US$ 15.

It is really good price but afterwards i undertsood why: The room was a kind of an “oven” because there was no tiles at the rooftop . So, the roof was direct exposed to the sun all day long. Anyway, it was not a big problem at all. I had to deal with it.

Next day early in the morning i left heading The Wall of Tears (
Muro de las Lagrimas, in spanish). A nice 5 km hiking. To get there, from Malecon (street in front of the beach, in downtown) head West direction (right side looking to the sea).

It is also possible to walk along the awesome sandy beach called Playa Grande. However it is better when tide is low and the sand shore has around 100m wide (normally during early morning).

The adventure started observing the sand´s life: pelicans, small insects, crabs, fragates, albatrozes, sometimes Galapagos´ pinguins and many many other kinds of small and big animals. If tide is high (normally during afternoon) it is a little bit more difficult to walk because sea level and waves are coming through and sand passage is narrow. During this period we cannot see so many birds on the sand.

 

Arraia / Ray

Arraia na Playa Grande / A ray at Playa Grande beach


You can also hike to Wall of Tears by the small dirt road just beside and along Playa Grande beach. By this way it is possible to observe more the coast fauna and vegetation. At the end of Playa Grande, visit the unique cementery and after you can find the entrance of the National Park. The same road continues and has many coastal lagoons to explore.

In the very beginning you should visit La Playita (small beach, in spanish). After few kilometers you can find El Estero, a mangrove with a rocky beach at the end. Definitely you can reach El Estero only during low tide and that could be classified as sanctuary of coastal life.  Actually a paradise for pelicans, sea iguanas, red-black crabs and many other species. Very good site for snorkeling as well. It was there i saw dozens of sea turtles swimming just beside coast line.

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Going further by the same road you will find la Playa del Amor (Love´s Beach) that is also what they call an “organic” beach. The “sand” is made by millions pieces of shells. Besides Playa del Amor there is Tunnel del Estero, a small lava tunnel (if compared with that one of reserva El Chato, in Santa Cruz).

 


At this point take right for more 4 km till Wall of Tears. It is called the Camino de las Tortugas (the Tortoise´s Road)  because you can see a bunch of them along the road.
You also can go by bike but i guess it is not a good idea. I did it once and my colleague had the tire pierced by spins that fall down on the road from cactus. It really happens very often and then you could finish your day having to push the bike for many kilometers all way back to downtown.

 

Muro das Lágrimas / Wall of Tears

Muro das Lágrimas / Wall of Tears

 

The Wall of Tears is certainly one of the highlights of Isabela. During Second World War american had a military base at this point to protect Pacific Ocean coast. At the end of the war americans left and Ecuador built a prison at that same place. For political inmates and other. The wall was built by them. Many died during this period due to the bad conditions and hard work.
One spot that many tourists don`t visit or even see is the volcano behind the Wall of Tears. It is not announced, no signs at all. But if you take the stairs up (behind Wall of Tears) till the end you are in fact climbing a volcano wall and you can see from up the hill a very well formed crater. From the top of the wood stairs just look to the direction of Puerto Villamil and you will see the round volcano crater positioned few meters below you.
From there you can also have a 360º panoramic view of Isabela island. Mountains, volcanos, beaches, shore line, protected area of the National Park, Puerto Villamil, etc.
I named this unknown volcano we discovered at the Wall of Tears as “Gardenia Azul” in a hommage to the owner of the hostel, Gardenia :-);

 

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When we travel to very touristic places , as Galapagos, there is a “force” that “drives” us to see , visit sites all people do. We are atracted to visit the same famous spots all people do, taking same pictures.
The challenge, as a roottraveller, has been breaking this pattern. Discovering the volcano, as many other that is not sinalized – maybe to not disturb tour sales to other bigger volcanoes of the island. It is the evidence that is very possible to make a awesome trip without participating in the restricting and expensive agencies´tours

 

Mapa mostrando os principais passeios vendidos pelas agencias e guias / A map showing main tours sold by agencies and guides

Mapa mostrando os principais passeios vendidos pelas agencias e guias / A map showing main tours sold by agencies and guides

 

If you would like to be roots in Isabela, have to skip the following tours (that are almost exclusively offered by agencies and tour guides):

  • Los Tunelles : lava tunnels in the ocean. To reach there have to take a boat for one hour trip. It seems to be excellent for snorkeling with sea turtles, sharks and manta rays;
  • Las Tintoreras – also a boat tour to small islands for diving/snorkeling to watch sharks, big fishes, sea turtles and rays. This name seems to be a reference to blue sharks found in the region
  • Sierra Negra, Volcan Chico and Volcan Cerro Azul  – mountains tours only authorized by the National Park direction for those that buy an organized agency tour with a specialized guide;

 

 

Galápagos – Isla Isabela (day 2)

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Outro passeio super legal – e de graça – em Isabela, é ir mergulhar e fazer snorkeling em Concha y Perla.
Para chegar lá vá até o cais na entrada da cidade (onde você chegou de barco) e pegue a passarela de madeira à esquerda logo depois do posto de fiscalização de bagagens;
Concha y Perla é uma enseada com mar cristalino protegida do mar aberto por uma barreira de rochedos. Mais uma vez, o ideal é ir de manhã bem cedo e com maré baixa.

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A água fica mais limpa (a visibilidade pode chegar a dezenas de metros), e a corrente que vem do mar não é tão forte. No entorno, vegetação costeira de mangue. Dentro do mar pode-se ver cardumes imensos de pequenos peixes coloridos (1-3cm) e até peixes bem maiores nadando solitários, no fundo. Com sorte pode-se ver também tartarugas. Vários lobos marinhos aparecem de manhã e fazem a festa nadando à sua volta com aqueles olhos grandes arregalados. Mais tarde, sobem o deck e ficam tomando sol deitados nos bancos de madeira “uivando” pra quem chega muito perto. Eles são “espaçosos”. 🙂

Manglar Rojo : Vegetação típica do Mangue em Galápagos / Typical mangrove vegetation in Galapagos

Manglar Rojo –  Vegetação típica do Mangue em Galápagos / Typical mangrove vegetation in Galapagos

Os diversos corais coloridos, estrelas do mar e ouriços o mar são atrações à parte e pode-se ficar horas nadando e observando eles debaixo d´água.
Como minha câmera não era subaquática, posto aqui fotos que encontrei na internet e que são dos peixes que me lembro ter visto em Concha y Perla.
Dentre eles, o peixe mais comum que vi em toda parte no arquipélago é este azul escuro com uma listra vertical branca, com as barbatanas amarelas e olhos azuis.

King Angelfish (Holacanthus passer)  - peixe muito comum nos mares de Galápagos/ Very commom fish at Galápagos sea

King Angelfish (Holacanthus passer) – peixe muito comum nos mares de Galápagos/ Very common fish at Galápagos sea

Depois, atravessei a cidade e peguei de novo a estradinha que vai para o Muro das Lagrimas. Só que desta vez entrei à direita no final da cidade na direção do Centro de Criação e Referencia de Tartarugas Terrestres que fica bem perto, a menos de 1km.

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Apesar de estarem em cativeiro é interessante ver o trabalho feito de resgate de tartarugas pra evitar a extinção de espécies, principalmente quando ocorrem as erupções vulcânicas. Assim salvaram variedades que hoje, décadas depois, contam com centenas de exemplares.
Existem dezenas de variedades de “galápagos” nas ilhas e as diferenças entre elas são sutis. Em geral no desenho e forma das carapaças. Foram se adaptando, se diferenciando e evoluindo ao longo de milhares de anos. Por isso é tão importante manter a biodiversidade de cada ilha intacta porque este equiiíbrio parece ser muito frágil. Se alguma mudança drástica acontecer pela ação do homem varias especies poderão ter suas cadeias alimentares comprometidas desencadeando um processo irreversível de extinção. Foi assim que entendi o processo.

Um pouco mais à frente do Centro de Criação e Referencia de Tartarugas Terrestres, tem um lago que se formou numa antiga pedreira desativada e que foi adotado por flamingos rosas. È possível ver dezenas ali, com as cabeças enterradas no fundo buscando por alimento.
Outro passeio roots que quase ninguém faz é de visitar de ônibus municipal (US$1) as montanhas de Isabela. O ônibus sai entre 6h e 7h da manhã e entre 13 e 14h da tarde todos os dias e vai passando por todos vilarejos. É lá que moram os agricultores e pastores que decidiram viver isolados na parte mais úmida da ilha, longe da movimentação turística da costa, isto é, nas encostas dos vários vulcões que tem na Ilha e que chegam às vezes a mais de 1000m de altitude.

Deve ser um tour interessante para ver como vivem as famílias descendentes dos primeiros habitantes desta ilha e que devem manter mais intacto hábitos, modo de vida, alimentação e todo tipo de culturas originárias.
Infelizmente este tour pelos vilarejos das partes altas de Isabela eu não pude fazer porque quando cheguei o ônibus – que sai da frente do Mercado Municipal – já havia partido. :-/

E, na manha seguinte bem cedo eu começaria minha viagem de volta ao Brasil. Então vai a dica: em Galápagos, com a inspeção das bagagens, chegue pra embarcar sempre meia hora antes do horário marcado.

Flamingo Rosa de Galápagos

Flamingo Rosa de Galápagos

No meu caso, por ser uma viagem de poucos dias, estava sempre com o tempo curto.

Em Isabela tive sempre muita coisa pra fazer fora do grande circuito turístico. As grandes atrações devem ser maravilhosas também mas infelizmente foram apropriadas pela industria do turismo e isto as transformou, pelos altos preços, em atrações com limitantes. Alem do que se tornaram pasteurizadas pelas agencias que querem maximar os lucros, tirando assim a energia que eles tem quando se podia visita-las de maneira mais tranquila, solitária e livre.

A certeza é que, não só em Galápagos mas em toda parte, pode-se abstrair e passar sem participar o que a industria turística tenta te impor. A viagem continuará sendo maravilhosa e, muitas vezes, unica e exclusiva também.

Afinal, não precisamos todos fazer mas mesmas coisas e tirar as mesmas fotos nos mesmos lugares turísticos. A Natureza oferece muita coisa ainda não descoberta e explorada ou que passam despercebidas. Em Galápagos, podem ter certeza que elas serão sempre um grande espetáculo.

Galinha d´Agua / Common Gallinule (Gallinula galeata)

Galinha d´Agua / Common Gallinule (Gallinula galeata)

No outro dia bem cedo comecei a me despedir de Galápagos. 😦
Meu voo para Quito saía as 12h30 da Ilha Baltra (anexa à Ilha Santa Cruz). O barco para Santa Cruz sairia as 6h mas eu acordei atrasado, as 5h20. Como disse, o ideal é chegar meia hora antes no cais. Arrumei o pouco que faltava e parti como um raio à pé pra o porto.

Chegando lá passei pela inspeção e embarquei. Poucos minutos depois de partir em alta velocidade um dos motores da lancha quebrou. O marinheiro ficou tentando consertar , sempre falando ao celular, mas não teve jeito. Questionei como iriamos ficar já que eu e alguns outros tínhamos voo marcado. Mas eles são bem organizados e se ajudam. Em menos de meia hora, veio outra lancha nos resgatar.

O barco apresentou problemas da saída da Ilha Isabela / Speed boat had engine problemas leaving Isabela island

O barco apresentou problemas da saída da Ilha Isabela / Speed boat had engine problemas leaving Isabela island

Quando chegamos em Santa Cruz todos sabiam do ocorrido, já que alguns poucos barcos fazem esse trajeto. E um batalhão de taxistas nos disputavam pra levar ao aeroporto já que os ônibus que fazem o trajeto saem somente até às 8h.
Portanto, mesmo que seu voo seja às 12h ou mais tarde, se não quiser pagar mais caro indo de táxi, pegue o ônibus das 8h.
Dei sorte mais uma vez porque fui junto com mais três pessoas locais que estavam vindo de Isabela comigo no mesmo barco e que estavam indo pro aeroporto também.
Como eram locais, eles discutiram muito com o taxista pelo preço. O que fez que no final pagamos somente US$ 5 cada um para o contrariado taxista. Ele disse que pagou US$ 4 para ir do cais até a lancha (que parou ao largo) para nos arrebatar antes dos taxistas concorrentes.

A partir dai foi outra maratona de voos, conexões e aeroportos com algumas horas para visitar a capital colombiana, Bogotá.

Mas, depois dos dias maravilhosos em Galápagos, estava com sorriso de orelha a orelha e nada poderia me perturbar. A unica coisa que conseguia pensar era: como é fantástico poder viajar assim com liberdade que possibilitava tantas descobertas enriquecedoras tantos externas quanto internas;

 

(ENGLISH VERSION)

One of the best and free sightseeing in Isabela island is about snorkeling in a place called Concha Y Perla.

To get there, go to the city´s dock (where you arrived by boat) and just after the luggage check-point turn left walking through a wood catwalk.

 

Cactus

Cactus


Concha y Perla
is a crystal clear water cove protected from opened sea by a rock barrier.

Once more, ideal time to go snorkeling there is early in the morning with low tide. During this period the water is clearer (the visibility could reach several meters) and currents aren´t strong. Notice the protected mangrove vegetation around it.

Inside the water it is possible to watch real big fishes normally swimming solely at the bottom and shoals of small coloured ones closer to the water surface.

Lado direito/right side: Opuntia echios / Espécie endemica de Galápagos / Endemic specie of Galapagos

Lado direito/right side: Opuntia echios / Espécie endêmica de Galápagos / Endemic specie of Galapagos

Hope you get the chance to observe sea turtles. Many sea-lions swim around early in the morning looking at you with their big eyes. There is no danger, they are completely innofensive. Later on, they climb the deck and stay for hours just sleeping in a hot sun bath.
Many coloured corals, sea-stars, sea-urchins…Definitively we could spend hours snorkeling at Concha y Perla.

As my camera was not a subaquactic one, i post here pictures that i have found on internet of fishes that i remember to have seen in Concha y Perla.

Mexican hogfish

Mexican hogfish

Afterwards i have crossed the city and again took the dirt road that goes till the Wall of Tears. At this time i´ve turned right at the end of downtown heading the Tortoise Reference Center which is very close, less than 1km. Tortoises are in captivity, however the research work is very interesting and useful to preserve tortoises varieties. They rescue species mainly during volcanic eruptions avoiding extinctions. After many years these varieties could count hundreds of tortoises reproduced in this kind of reference centers . Afterwards they are reintroduced into Nature.

Galapagos tem dezenas de espécies de cágados que são diferenciadas pelos desenhos nas carapaças/ Galpagos has dozens species of tortoises that are defined by carapace drawing

Galápagos tem dezenas de espécies de cágados que são diferenciadas pelos desenhos nas carapaças/ Galapagos has dozens species of tortoises that are defined by carapace drawing

There are dozens varieties of “galapagos” (tortoises) in the different islands and there are subtle differences between them. Most of differences are about form and design of the carapace. In Galapagos, they are adapting and distinguishing themselves during last thousands of years. Because of all this, it is so important keep the biodiversity of each island untouched. The equilibrium is very fragile. If any severe change occurs due to humam being action many species could have their food chain altered which could lead to an irreversible extinction process.

By the same road of the Tortoise Breeding and Reference Center, few meters ahead there is an desactivated quarry that became a lake. The site was adopted as home by pink flamingos. They spend their days dipping their head into the sand searching for fresh food.

Flamingo Rosa / Pink Flamingo

Flamingo Rosa / Pink Flamingo


Another roots sightseeing that very few tourist do is visit the countryside up the hills. It is possible and very cheap indeed. Just take the city bus (US$ 1) that will bring you up the hills (some going up more than 1000m high) stopping in each and every village. It is where agricultors and shippers live. It seems they`ve decided to be isolated and far from the touristic agitation of downtown.

Bus departures are between 6am and 7 am and between 1pm and 2 pm everyday in front of the city`s fresh food public market. These people from highlands are certainly descendents of the first inhabitants of Galapagos and because of this they should still keep somehow intact much of old habits, culture, food.

Unfortunately i haven´t been up there because i arrived 10 minutes before 2pm the bus had already left. So, again the important tip is: in Galapagos, because of the luggage checking, arrive always 30 minutes before departure time.

For me two days in Isabela were very busy even not participating in the “great touristic circuit”.
I had many atractions, discoveries and awesome experiences observing micro-life and coulors explosions of the nature everywhere. Those “great atractions” should be also awesome but unfortunately they´ve been got appropriated by the touristic industry what made them unaffordable and flatly because you cannot make it in a solely , quiet and free way without being controlled by the agencies rules.

But it is sure that, in Galapagos or elsewhere, you can make your trip a fantastic and unique experience. Definitely it is not necessary to do same things nor take same pictures at the same touristic places everyone. Nature and culture always offer much to be explored and in Galapagos for sure it will be a great spectacle.

 

Mapa mostrando os principais passeios vendidos pelas agencias e guias / A map showing main tours sold by agencies and guides

Mapa mostrando os principais passeios vendidos pelas agencias e guias / A map showing main tours sold by agencies and guides

 

Next day very early in the morning i started to take farewell of Galapagos 😦
My flight was at 12h30 noon, at Baltra Island (nearby Santa Cruz island).
The departure time of the boat from
Isabela to Santa Cruz was at 6am.
I waked up suddenly at 5h20 am. I was very late because as i told normally we have to be there at least 30 minutes before for luggage checking.

I boarded at the last minute. But few minutes after leaving one engine of the fast boat broke. The sailor tried to fix for more than twenty minutes and finally called for another boat that arrived few minutes later to rescue us in the middle of the ocean. I was worried for not loose my flight but fortunately they are very organized and help one another there in order to keep tourists satisfied.

 

Deixando Isabela / Leaving Isabela island

Deixando Isabela / Leaving Isabela island

When we finally arrived to Santa Cruz island all taxi drivers seemed to know about the problem we had in the boat and they were disputing to take us to airport because the last bus to there left at 8am.

I was lucky again because i shared the same taxi to the airport with three local people. They bargained all the time with the taxi driver about the price and finally we payed only US$ 5 each.

At the airport i started another challenge of many flights and connections. I had few hours to visit Bogotá, Colombia. But after these awesome days in Galapagos i was very fresh and smiley ready to face any adversity. The only thing i could think is how wonderful is to have the freedom and possibility to make trips like this with all internal and external enrichment experiences we can get from them.

 

Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Paraty – Pouso da Cajaiba – Martim de Sá

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Depois de muito convidá-la, minha amiga Galja disse que viria passar férias no Brasil com sua irmã, Anja. Como o tempo seria curto, achei que seria uma boa oportunidade para levá-las numa viagem de raiz aqui por perto do Rio de Janeiro mesmo. Temos ainda alguns paraísos bastante preservados como áreas de reserva.

Anja e Galja na rodoviária / Galja and Anja at bus station

Anja e Galja na rodoviária / Galja and Anja at bus station

Escolhi a Reserva Ecologica da Ponta da Juatinga, perto de Paraty. Há pouco tempo, tinha visto umas fotos belissimas feitas pelo meu amigo trilheiro Cristiano Sato. Achei que aquilo era um sinal e pedi umas dicas pra ele alguns dias antes. Não disse nada à Galja sobre pra onde iriamos, ela só sabia que íamos acampar. Acredito que isso tenha aumentado a curiosidade e a expectativa delas;

Mapa Travessia Ponta da Juatinga
O lugar é uma trilha de 3-4 dias onde atravessamos morros cobertos por Mata Atlantica intercalados com praias selvagens de água cristalina e areia amarelada grossa. Apesar de bem proximo do mar, chegamos atingir altitudes em torno de 500m, mas no parque há picos de mais de 1000m de altitude.

Barraco onde ficamos em Paraty / Shed where we stayed in Paraty

Barraco onde ficamos em Paraty / Shed we occupied in Paraty

Depois de alguns dias com muita chuva em Paraty durante os quais ficamos jogando sinuca no camping e aproveitando as delicias da gastronomia da cidade histórica, finalmente decidimos sair pro mato e enfrentar a trilha de qualquer maneira.

Aproveitando o Centro Histórico de Paraty / Enjoying in Paraty old town

Aproveitando o Centro Histórico de Paraty / Enjoying Paraty old town

Se pra mim seria frustante voltar ao Rio sem ter cumprido o objetivo da viagem, imagina pra elas que vieram lá de Saint Petersburgh !!

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Parece que nossa atitude fez a chuva diminuir e o tempo foi secando aos poucos nos dias seguintes.
Embarcamos no Cais dos Pescadores, na Ilha das Cobras, com Mestre Dito. Depois de mais de duas horas navegando ele nos levaria à Pouso de Cajaíba, algumas milhas depois de seu vilarejo natal, Calhau.

No Porto de Paraty / At Paraty port

No Porto de Paraty / At Paraty port

A primeira surpresa da viagem foi, depois de alguns minutos de mar tranquilo na baía de Paraty, enfrentar um mar bastante agitado assim que o barco contornou o Saco de Mamanguá rumando em direção à Pouso de Cajaiba (direção SE). Foi quase uma hora de mar agitado,  ondas grandes e chuva fina. Pelos gritinhos, imagino o que tenha passado nos pensamentos de Anja e Galja. Acho que até aquele momento elas deveriam estar se perguntando se não teria sido melhor ir para a Sibéria mesmo.

Ao chegar na praia de Pouso de Cajaíba, a segunda surpresa: acostumados com os confortos da cidade, talvez não esperávamos que tivessémos que pular do barco com as bagagens a uns 15 metros da areia. Água pela cintura, roupas molhadas. A viagem começava ali.
Depois de rir bastante preparamos tudo e metemos o pé na trilha. Logo nos primeiros quilometros me dei conta do quanto aquela viagem seria uma descoberta para elas já que tudo era tão novo, original, genuino: elas pararam gritando e tirando fotos de um simples cacho de banana verde;

Pouso da Cajaíba

Pouso da Cajaíba

O destino era Martim de Sá e lá chegamos depois de uma hora e meia de caminhada. Apesar do dia cinza a praia surpeendeu a todos pela beleza. Tivemos o primeiro contato com a paisagem que iria nos acompanhar durante toda a viagem: rios encachoeirados vindos das montanhas serpenteando pela areia até chegar ao mar. A permamente troca de águas do rio com o oceano é realmente uma dinâmica extraordinária.

Martim de Sá com

Martim de Sá com “nosso cachorro” / In Martin de Sá with “our dog”

Ali, conhecemos “nosso cachorro” que, anônimo, viria a ser nosso guia fiel em troca de torradas e algumas colheres de trigo sarraceno cozido.

(no próximo capítulo a trilha de Martim de Sá à Cairuçu das Pedras, inscreva-se no blog – página inicial no alto à direita – pra não perder)

ENGLISH VERSION
(written by me and Anja)

After inviting her many times, I finally had my Russian friend Galja coming to Brazil during holidays with her sister, Anja. As we would not have much time i thought it could be a good idea to let them experience a bit of “root travelling” somewhere nearby in the Rio de Janeiro state. We still have a few preserved paradise areas.

I chose Ponta da Juatinga Ecological Reserve, southern part of Rio de Janeiro state, close to Paraty. Not much time ago i´d seen awesome pictures made by my friend and hiker Cristiano Sato. I thought it might be a sign. I asked him for some tips a few days before leaving, and that was it: travelling without a lot of planning could be more exciting. To raise the adventure degree of the trip, i did not tell anything to Galja & Anja about our destination. I believe that also increased their expectations and curiosity.

The ultimate goal turned out to be a 3-4 days’ trail through wet rainforest mountains changing to wild sandy beaches with crystal green seawater. Although being very close to the ocean, we reached some points of 500m high and in the park there are peaks of more than 1000m high;

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

After a few rainy days in Paraty, where we stayed playing snooker and tasting delicious dishes of the gastronomy in the historical part of town, finally we decided to get into woods and face the trail whatever the weather. I guess, my disappointment in case of giving up would be nothing compared to the feelings of my friends who’d covered more than 11000 km from Saint Petersburgh !!

 

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

Centro Histórico de Paraty / Paraty historical center

It seemed that our decision made the rain finally abate and the weather started to get drier during the next days. We embarked at Cais dos Pescadores, in the Ilha das Cobras neighborhood, on a boat of a fisherman named Dito. After more than 2,5 hours he would bring us to Pouso da Cajaíba(SE direction), a few miles away from his home town, Calhau.

Esperando a chuva passar no camping de Paraty / Waiting for a less rainy day for leaving the camping area in Paraty

Esperando a chuva passar no camping de Paraty / Waiting for a better day to leave the camping area in Paraty

Then we faced the first surprise of the trip – after a few minutes of a calm sea at Paraty´s bay – a very agitated ocean just after our small boat passed Saco de Mamanguá. Big waves and fine raining for more than one hour. It made the girls scream every now and then and I could imagine what was going on in their heads, something like: why have we left our home land ??

The second surprise was waiting at the shore: used to the comfort of the city, we didn´t expect to disembark 15 meters away from the beach simply by jumping right into the sea with all the luggage on. Water at waistline, all clothes wet. The journey had begun.

Chegando em Pouso da Cajaíba / Arriving in Pouso da Cajaíba

Chegando em Pouso da Cajaíba / Arriving in Pouso da Cajaíba

After laughing a lot at ourselves, we started our trek. Just a few kilometers of walking – and i realised what a discovery this trip would be for the girls since everything was so unknown, original and genuine: they stopped shouting and taking pictures in front of an ordinary (for me) banana tree.

Destination was Martim de Sá where we came after walking for an hour and a half. In spite of a cloudy day, the beauty of the beach amazed us all. It was our first contact with a landscape that would follow us during the hike: rivers coming from the mountains, meandering through the beach sand and meeting the sea. The constant water exchange between the rivers and the sea had an extraordinary dynamics.

Martim de Sá

Martim de Sá

 

There we met “our dog” that anonymously became our trekking guide in exchange for some toasts and a few full spoons of cooked buckwheat.

 (next chapter trekking from Martim de Sá to Cairuçu das Pedras. Subscribe the blog – home page right up side – and don´t miss it)

Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Martim de Sá-Cairuçu das Pedras-Ponta Negra

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Depois de Martim de Sá, agora já com a companhia inseparável do nosso cão-guia, chegamos em Cairuçu das Pedras. Já eram quase cinco da tarde e decidimos acampar. Depois de montar as barracas fomos rapidamente dar nosso primeiro mergulho à noite na estreita e agitada praia de Cairuçu das Pedras que, como o nome diz, é cheia de enormes blocos de pedra. Com os grosseiros grãos da areia da praia, quando a onda vem encharcando-os, nós afundamos até quase os joelhos devido a grande quantidade d´água intersticial e a baixa coesão entre eles.

Acampando em Cairuçu das Pedras / Camping at Cairuçu das Pedras

Acampando em Cairuçu das Pedras / Camping in Cairuçu das Pedras

O caminho até a praia é ingreme e, pela proximidade da mata, muito úmido. Quando voltávamos, Anja caiu e cortou o braço. Então fomos lavar o sangramento na água salgada do mar. Depois, ao lado das barracas, comemos, cantamos (elas) e dormimos (quase) totalmente felizes. Não pudemos fazer uma fogueira já que tudo estava bastante molhado depois de vários dias chovendo.

Na manhã seguinte aproveitamos a cachoeira de água cristalina que cai na areia da praia. Conhecemos a única familia que mora ali, numa casa de taipa simples, sobrevivendo há décadas da pesca e da agricultura.
O velho pescador fazia tranquilamente um cesto com um cipó da região chamado “timbopeba” enquanto sua esposa estendia a roupa no varal e o genro chegava da pescaria com uma dúzia de peixes.

Naquele momento já me arrependia de não ter passado repelente. Tinha enormes picadas de mosquito pelo corpo apesar de que, não coçavam. Com certeza estava criando muitos diferentes anticorpos 🙂 .
Já minhas amigas tomaram, antes de embarcar para o Brasil, várias vacinas e remédios contra malária, febre amarela, dengue entre outras que não sei. Isto me fez chegar a conclusão que, em geral, estando no estrangeiro conhecemos muito pouco sobre a verdadeira realidade de outros países e, buscando informações, em geral elas vão se perdendo e se modificando pelo caminho, chegando até nós, finalmente, distorcidas.

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Partimos para Ponta Negra. Talvez a parte mais difícil de toda travessia já que há uma longa distancia a percorrer em subida forte. Mas, no topo, a Mata Atlantica é exuberante e, com quase 500m de altitude, apresentava uma grande umidade e frescor apesar do sol forte e ceu sem nuvens. Quando parávamos de andar para descansar rapidamente o corpo, todo suado, começava a esfriar e sentíamos muito frio já que o sol não conseguia atravessar a floresta densa. Passamos por uma impressionante gruta formada por um gigantesco bloco de rocha inclinado. O anfiteatro deve ter algo em torno de 60m2 e uns 4 m de altura na sua parte mais alta.
O grande esforço fisico que tivemos que fazer para vencer a subida de Cairuçu das Pedras rumo à Ponta Negra, foi amenizado pelos cantos de musica foclórica russa de Galja e Anja. Principalmente quando cantavam em canon à duas vozes. Mas este esforço da subida não era nada se comparado àquele que fariamos se estivéssemos fazendo a travessia no sentido inverso. A descida final pra Ponta Negra é muito ingreme e se tivéssemos que subi-la certamente levariamos muito tempo.

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Se para mim estava sendo uma aventura reveladora aquela Travessia, já que nunca a tinha feito, imagino para as duas russas que, pela primeira vez, estavam viajando fora da Europa. O Brasil era para elas um país mágico mas totalmente desconhecido quanto à natureza, língua, comida, clima, cultura. Até o ar úmido e quente deveria estar fazendo muita diferença. Posso entender como insetos pequenos e inofensivos para nós, foram tão assustadores para elas. Baratas do mato, besouros e pequenas aranhas eram recepcionadas por gritos. Quando eu as ouvia parecia que estávamos sendo seguidos talvez uma onça parda faminta. Em um destes episódios, estávamos andando tranquilamente quando Galja avistou uma aranha e gritou alto. “Nosso cão”, que estava muitos metros à frente, voltou em disparada latindo muito. E prosseguiu – pensando que estávamos sendo atacados – correndo em círculo numa maneira de nos proteger. Ainda bem que ele não sabe que foi só uma pequena aranha.

Uma noite, se não me engano em Cairuçu das Pedras, elas começaram a gritar de dentro da barraca porque havia um Louva-Deus lá. Eu disse pra elas se virassem porque já estava dentro do saco de dormir e estava chovendo do lado de fora. Depois de alguns minutos de muita gritaria, acho que passaram no teste. Depois me agradeceram por tê-las deixado viver sozinhas esta “experiência forte” .
Já passei por isso em outros paises e sabia como todo este mundo desconhecido faz muita diferença nos nosso pensamentos. Na verdade, nas viagens de raiz, poder experimentá-lo era justamente a razão de tudo. É claro que muito da expectativa, medo e ansiedade são gerados por nossa própria imaginação que processa e aumenta as informações que chegam, às vezes distorcidas. Enfim, viver alguns dias “fora da zona de conforto” era o objetivo de nossa viagem.

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Espero que um dia minhas amigas possam se dar conta como estas pequenas adversidades e este mundo desconhecido e “fora do controle” contribuíram para um sutil aprendizado que vai estar com elas daqui pra frente.
Estava sendo uma verdadeira viagem de raiz já que em geral elas planejam e sabem muito bem onde vão dar cada passo. Desta vez era diferente e como soube, algum tempo depois, confiaram em mim para que tudo corresse bem. Ainda bem que não tive consciência de toda esta responsabilidade durante a viagem.

Como tínhamos levado apenas duas garrafinhas de água para os três, a cada córrego d´água que passávamos aproveitávamos pra beber bastante. Sempre com muito calor e sede, eu bebia muita agua. E de uma vez só. Galja me disse que deveria tomar a água devagar, em pequenos goles, dando tempo assim que o corpo absorvesse o liquido. Concordei e disse para mim mesmo que, a partir daquele momento, iria fazer daquela maneira.
Depois do dia todo caminhando, conversando e cantando, chegamos em Ponta Negra, talvez o vilarejo mais populoso da viagem. Em torno de 500 pessoas vivem lá. Era umas três horas de uma tarde ensolarada e as crianças se divertiam jogando bola na areia da praia. Estávamos muito cansados e com fome. Demos sorte de ter encontrado almoço na casa da Branca. Decidimos então comer e ficar por ali mesmo.

 

ENGLISH VERSION

(written by Anja and me)

After Martim de Sá, actually with the inseparable fellowship of our guide-dog, we reached Cairuçu das Pedras. It was almost 5pm and we decided to camp. After having pitched tents, we went to a narrow beach down the hill to enjoy our first night bathing in the rough sea. There, the coarse sand, easily saturated by the breaking waves, made us sink into it almost to the knees such as we were in a quicksand.


As the very name suggests,
Cairuçu das Pedras beach is plenty of huge blocks of rocks. The path to the beach is steepy and very wet by proximity with the forest. On our way back, Anja suddenly slipped and cut her arm and hip – we had to return to disinfect the bleed in the salty ocean. Afterwards, beside the tents, we ate, sang (girls) and slept (almost) totally happy. Pity we couldn´t make fire: the wood was wet after many days of intense rain

 

 

Casa de pau à pique em Cairuçu das Pedras / Mud House at Cairuçu das Pedras

Casa de pau à pique em Cairuçu das Pedras / Mud House in Cairuçu das Pedras

Next morning, the sunrise was wonderful.  It seemed we would finally have the first sunny day of our crossing. After enjoying breakfast and a shower in a small crystal-clear waterfall falling down directly into the sea, we went to get acquainted with the only Cairuçu´s inhabitants – the only family living there for decades in a simple mud house and surviving basically on fishing and growing own food.
The old fisherman was calmly weaving a “timbopeba” (a local vine) basket while his wife was hanging washed clothes on a clothesline and the son-in-law had just come back from an all-night-long fishing trip with dozens of fish.

By that time i had already regretted not having rubbed mosquito repellent on my body. I had huge bites everywhere altough they were not itching. Surely i was creating many different antibodies. 🙂 . Concerning my friends, before going to Brazil  they had taken few vaccines and pills against malaria, yellow fever, among others that i´ve never heard of. Most of them, as we know, are useless in this part of Brazil what made me think that- being abroad – our knowledge of the daily reality of other countries is usually scarce and distorted. Only travelling can fix it.

At around 10am we´ve pitchted tents down and left Cairuçu heading Ponta Negra. It was probably the most difficult part of all trekking. We had to struggle up a long and steep ascent. On the top of the mountain rainforest was dense and exuberant and at around 500m high – even in a hot sunny day – we had a fresh and wet weather inside the forest. Sun could barely pierce into the tight forest. As a result, the moment we stopped to rest, our sweaty and hot bodies immediately started to get cold. One of such stops was made at a cave formed by a huge and tilted block of rock.. The main room was quite impressive having around 60m2 and around 4m high at the highest point.

The tremendous physical effort we made to reach the highest point of this part of the trail – between Cairuçu das Pedras and Ponta Negra – was mitigated by Anja and Galja singing russian folk songs, among them canons and two-part melodies. But the effort climbing up the ascent from Cairuçu to Ponta Negra is nothing compared to the reverse route i.e., the final descent to Ponta Negra turned out to be almost vertical. It would have taken us ages to climb up that slope.

Whether for me that adventure was a such discovering trip -maybe because it was my first time there – let alone the two russian girls: first time outside from calm and well-known Europe in a magic and totally unknown country in terms of nature, insects, language, food, weather, culture and even air – hot and humid – adding to the confusion.

 

 

Momentos felizes / Happy moments

Momentos felizes / Happy moments


Only now i can understand why small and innofensive bugs seemed so scary to them. Wild cockroachs, beetles and small spiders were welcomed by several shouts in a row. They screamed so loud that – for instances –  I thought we were followed by a hungry jaguar or so.
I remember one of these occasions: we were walking peacefully when Galja suddenly saw a spider . She screamed so loud that “Our dog” – that was many meters ahead – raced back barking and kept running around us in circles because he obviously thought we were under attack. If only he knew it was just a tiny spider he was trying to defend us from…

Another night – if i am not wrong in Cairuçu das Pedras – the girls started shouting from inside their tent because there was a grasshopper there. I told them – from my tent – they had to manage on their own because i was already inside my sleeping bag and it was raining outside. A few minutes later, as the silence finally fell I assumed they dealt with it quite well. A Few weeks later they thanked me for leaving them to live that “strong experience” alone.

Fora da zona de conforto - mentes concentradas / Out of our comfort zone - concentred minds

Fora da zona de conforto – mentes concentradas / Out of our comfort zone – concentrated minds

I also had that kind of experience when travelling abroad on my own. And i know very well how an “unknown world” can be a challenge. Truly, “root-travelling” is an opportunity to experiment it. Discovering an unveil world is the reason of travelling. Of course, our expectations, fear and anxiety are mostly created by our own mind that makes them grow inside, especially when having received distorted information. Anyway, living a few days outside of our comfort zone was the main objective of our trip.


I hope one day in the near future my friends could realize how those difficulties, unknown world and out-of-control moments we lived together contributed with a subtle knowledge that will be with them forever. I think that was a real root travel for them because normally they plan and know very well in advance every step to be done. At this point that journey was different and they told me afterwards that it was me whom they had tacitly entrusted themselves to. Thankfully, I was not aware of all this responsibility during the trekking…

Back to our adventure, as we brought only two small bottles of water, we took advantage of every fresh and clean water river we crossed by, to stop on it and drink, filling the bottles afterwards. These days were hot and sunny so, at every stop i drank very fast – a few litres almost in one gulp – so Galja wisely pointed out that I should slow down to give time for every cell of my body to absorb the water. I agreed with her and decided that i would apply that principle in my life.
After the whole day of hiking, talking and singing, we reached Ponta Negra, maybe the most densely populated village of all; I guess there were around 500 inhabitants living there. It was a sunny and beautiful winter afternoon and kids were having fun playing football on the beach. We were very tired and hungry. We were lucky to still find lunch at a sort of Café. It was Branca´s house on the top the hill. So, we´ve decided to eat and camp there.

 

Ponta da Juatinga crossing – Paraty, Rio de Janeiro state, Brasil – Ponta Negra – Antigos – Praia do Sono

(FOR ENGLISH VERSION, SCROLL DOWN)

Na casa da Branca, conhecemos a familia. A encantadora Jaciara e o menino Ian. Enquanto comíamos arroz, feijão salada e ovo caipira, brincamos com eles. Galja preparou o trigo sarraceno para o dia seguinte. Desta vez cozinhando à moda antiga: colocou água fervendo numa panela com o trigo, tampou e embrulhou com um pano.

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Café da Manhã / Having breakfast

No outro dia não só estava pronto, como estava delicioso e ainda morno. E que economia de energia!! Eu estava muito grato de estar aprendendo tanto da cultura e hábitos do povo russo com as duas.

Casa típica da região / Local house built with natural materials

Uma Escola, casa típica da região / A school, local house built with natural materials

Apareceu o dono do “nosso cachorro” na casa da Branca. Era da Praia do Sono, o ponto de chegada no dia seguinte. E como o cachorro não quis ir com ele, preferindo ficar com a gente, prometemos levá-lo até em casa.

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Detalhe de uma pedra entalhada provavelmente por povos antigos que habitaram a região / A stone probably carved by the ancient local people

No outro dia pegamos a trilha – que fica atrás da casa da Branca – e logo depois paramos num rio encachoeirado e aproveitamos um pouco, antes de atravessá-lo e seguir viagem.

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Despedida de Ponta Negra / Ponta Negra´s farewell

Chegamos em Antigos uma hora depois. Praia exuberante e deserta. Paramos, mergulhamos e curtimos por algumas horas.
Quando estávamos prontos para partir, “nosso cachorro” saiu da mata em alta velocidade perseguindo um lagarto Teiú . Foram quase meia hora de briga pela vida entre os dois. No final da historia acreditamos que o lagarto tenha se afogado, pois sumiu no mar. Talvez tenha visto como unica maneira de tentar se livrar do cão-caçador. O rabo do lagarto, arrancado com uma mordida, ainda se mexia na areia. O cachorro também tinha levado uma mordida pois o focinho sangrava. Que dia agitado!!

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Antigos

Depois da situaçao se acalmar e do cão finalmente desistir de caçar o lagarto que desaparecera no mar, partimos para a Praia do Sono. Quando paramos na borda de um riacho para descansar, conversar e beber agua, pude ter certeza que o maior ensinamento é o experimental: quando me dei conta, já tinha bebido toda a garrafa que havia enchido. E praticamente de um gole só. Apesar de ter comigo o ensinamento de Galja sobre o porque beber água devagar, ele era ainda só intelectual e teórico. Meu hábito continuava o mesmo e o condicionamento agia mais rápido não dando tempo de pensar. Era preciso mudá-lo devagar, praticando. Isso leva tempo.

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Chegamos no Sono por volta das 3h da tarde. Mais uma praia linda com lagunas interiores e, logo na chegada, um rio desaguando água doce no mar. O rio tem bom volume d´água tanto que foi impossível atravessá-lo sem tirar as botas.

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Praia do Sono

É uma praia bem longa (talvez 3km) e bastante povoada com vários bares e restaurantes à beira mar. Num deles, é possivel ver um gigantesco osso da cabeça de uma baleia que encalhou na Praia de Antigos e foi trazido pelos pescadores.

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Parte do esqueleto de uma baleia / Together with a whale´s head bone

Como queríamos chegar no Rio de Janeiro ainda no mesmo dia á noite, atravessamos direto a praia e continuamos a trilha rumo à Vila de Laranjeiras de onde íriamos pegar ônibus para Paraty.
De repente percebemos que “nosso cão” havia sumido. Então estava provado que a Praia do Sono era mesmo sua casa. E ele nos deixou. Sem despedidas. Era amor e fidelidade, sem apegos. Quando chegou o momento, encarou e realidade e foi tranquilamente. Nem vimos. Quando nos demos conta, ficamos um olhando pra cara do outro com um leve sorriso nos lábios. Quem sabe um dia vamos nos reencontrar…

 

 

 

ENGLISH VERSION
(written by me and Anja)

In the Café belonging to a woman named Branca we met her family: the enchanting Jaciara and her cousin, Ian. While eating a delicious dish prepared by Branca, we played with the children.

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Camping & Café

 

Galja also prepared buckwheat for the next day´s breakfast, following the old-world recipe: pouring boiling water in a pot with buckwheat and then wrapping it in a cloth. The next day the buckwheat was perfectly cooked, still both hot and delicious. What a bright example of energy efficiency!! It was amazing to learn so much from russian culture and habits.

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The real owner of “our dog” appeared unexpectedly. He told us that he lives with the dog at Praia do Sono. As the dog didn´t want to come with him preferring to stay with us, we promised him to bring it home since that was our final destination.
Next day we got the trail – that is exactly behind Branca´s house – and a few minutes later we stopped at an amazing river with waterfalls, which we enjoyed for a few moments before crossing it to keep hiking.

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Antigo´s beach

We reached Antigos one hour later. A wonderful and deserted beach indeed. We took a break for bathing and enjoying it. We were about to leave when out of the forest there suddenly appeared “our dog” running at a very high speed chasing a lizard. They fought during several minutes at the shoreline. Finally we believed the lizard drowned : have disappeared in the ocean (i don´t know if this species can stay underwater without breathing for several minutes). Maybe it was the only hope it had to get free from the hunting dog. The lizard´s tail – bitten off by the dog – was still moving on the sand. The dog was also bitten in the muzzle that was bleeding. What day !!

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Anna mostrando coragem / Anna´s bravery

When our dog finally gave up hunting the lizard in the ocean, the calm of Antigos was restored and we left through a forest trail heading Praia do Sono. After some walk we stopped at a small river to rest, talk and drink water, and there i could realize – once more – that the best wisdom is the experimental one. Once again, i drank the entire bottle of water in just one gulp. Even though having Galja´s teaching about drinking water slowly, this knowledge was still only intellectual and theoretical for me. My habit is still the same and the conditioned mind acts faster than intellectual thoughts. It is necessary to change it slowly, practicing.

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We arrived at Sono at around 3pm. Once more a wonderful beach with inner lagoons and a fast flowing river bringing fresh water to the sea. The river is quite wide and we could not cross it without taking our boots off. Sono is a long beach , maybe 3km, with many bars and hostels including the one where we could see a huge whale´s head bone that grounded at Praia de Antigos and was brought there by fishermen.

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Um rio logo na chegada da Praia do Sono / A river bringing fresh water to Sono beach

As we would like to arrive in Rio de Janeiro that night, we crossed the beach and continued the trail with many stairs up to Vila de Laranjeiras from where we could take a bus to Paraty.

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Igreja no Sono / A church at Sono

Suddenly we noticed that “our dog” had disappeared. We concluded Praia do Sono was really his home beach. He left us. No farewell. It was real love and fidelity, with no attachments. When the moment to leave came, he faced the reality and went away quietly. We didn´t see him and it was better like that. We just looked at each other smiling. Who knows, one day we may see each other again…

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Na parte final da trilha para Vila Laranjeiras / Last part of the crossing heading Vila Laranjeiras